sábado, 7 de setembro de 2013

O HOMEM QUE ASSASSINOU SAVIMBI



O general angolano na foto é Simão Carlitos Wala, que dirigiu a operação de liquidação de Jonas Savimbi. Pelo menos foi o que relatou ao historiador e veterano de guerra russo em Angola, Serguei Kolomnin. Aqui fica o relato.



"Em Abril de 2008, Serguei Kolomnin, escreveu. “Depois da morte de Savimbi, na nossa imprensa e na estrangeira, foram publicadas numerosas versões sobre as circunstâncias da sua morte. Falou-se dos serviços secretos soviéticos, americanos, e que na operação de liquidação de Savimbi participaram tropas especiais estrangeiras...”
“Quem matou Savimbi na realidade? E como?”, pergunta o veterano russo e responde com um nome:”brigadeiro Simão Carlitos Wala”.
Baseando-se no relato do oficial angolano, Kolomnin escreve: “No dia 16 de Dezembro de 2001, na região de Cassamba, o estado-maior móvel de Savimbi, que se deslocava de um lado para o outro, foi alcançado por destacamentos de “caçadores” governamentais. O próprio líder da UNITA conseguiu salvar-se fugindo. Ele vagueou pela savana durante quase um dia, sozinho, desarmado e sem guardas. Ele escapou por milagre e chegou a uma das bases da UNITA. Quando da fuga, ele deixou ficar não só toda a sua roupa e objectos pessoais, incluindo armas antigas raras, mas também vários pares de galões de general novos, acabados de chegar de Paris. Savimbi olhava para esses objectos com muita paixão.
Nesse combate, ele perdeu também três dos seus mais fiéis guardas, famosos pela sua crueldade extrema, que o acompanharam durante muitos anos. Eles foram feitos prisioneiros pelos “caçadores”. Isso foi uma espécie de sinal: a caça ao “Galo Negro” aproximava-se do seu fim lógico. E, finalmente, a 22 de Fevereiro de 2002, Savimbi e o seu estado-maior foram novamente alcançados por um destacamento de “caçadores”da 20ª brigada das Forças Armadas de Angola, comandada pelo brigadeiro Simão Carlitos Wala.
O mais jovem general angolano nessa altura (acabára de fazer 30 anos) contou, mais tarde, ao autor destas linhas a operação “Kissonda”, realizada pela sua brigada, que levou à morte de Sabimvi: “Eu estava convencido do êxito da operação, a que chamámos “Kissonda”.Savimbi, o seu estado-maior e os seus combatentes, depois de uma perseguição de muitos meses na savana, foram alcançados pelos “caçadores” na província do Mochico, na região dos afluentes do rio Lunga-Bungu: Luvua, Luonza e Lumai, perto da fronteira com a Zâmbia.Restavam 50 a 70 quilómetros para lá chegar. Ele movimentava-se para o Oriente, avançava para onde era esperado por um destacamento armado da UNITA, comandado pelo general Bicho. Inicialmente, Savimbi forçou o rio Luvua. Depois, sentindo a perseguição, ele, para tentar confundir pistas, dividiu o seu destacamento em várias partes. Uma, comandada pelo general Camorteiro, chefe do estado-maior das FALA, avançou para o Ocidente ao longo da margem esquerda do rio Luonza; outra, comandada pelo general Mole. Ele confundia constantemente as pistas, ora dirigia-se para Sul, ora virava para Norte. Parecia-lhe faltar pouco para escapar ao cerco. Mas os combatentes da 20ª cortaram todas as vias para a fronteira da vizinha Zâmbia. E Savimbi entrou em pânico. Quando, de manhã, por volta das sete horas, os nossos combatentes descobriram o rasto do grupo, ele sentiu isso e fugiu. Às 15 horas, entrou em confronto com os nossos destacamentos, foi atacado e morreu no tiroteio”(19ª) Este artigo do veterano russo termina com uma informação curiosa: “O mais jovem general das Forças Armadas de Angola, o homem que comandou a operação “Kissonda”, que levou à liquidação de Savimbi, foi... posto na reserva e enviado para a Rússia, para estudar na Academia Militar Frunze. Para longe do pecado. E se algum dos membros irreconciliáveis da UNITA vivo decidir vingar Sabimbi?”"

***
Este Tenente- general Simão Carlitos Wala é o mesmo que foi acusado de agredir um funcionário da repartição das Alfândegas, no aeroporto 4 de Fevereiro de Luanda, rejeitando também que as suas malas passassem pela revista, quando desembarcou de um vôo proveniente de Paris, fazendo-se acompanhar de alguns volumes de malas. Diante da exigência dos trabalhadores do aeroporto, para que cumprisse com o regulamento da revista, aquele oficial militar terá incorrido a uma alteração áspera fora do habitual, acabando por cair por cima de um funcionário, apenas identificado por “Leonel”.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu conheci general Wala em 2006. Ele pareceu um homem inteligente mas infelizmente de negocio. Para mim ele e uma imagem do militar ideal seja em Angola, Portugal ou Brasil. Ao mesmo tempo e obvio que UNITA (assim como FLEC) nao tenham nenhuma perspectiva de criar um pais assim como Angola. E por isso que o governo Portugues acabou por appoiar MPLA como a unica forca da escala nacional.