segunda-feira, 22 de abril de 2013

TEMPOS PARA VIVER!

Quem conheceu o Uíge de outros tempos, lembra-se sempre de um pedaço de céu que alguém quiz fazer inferno, porque o Uíge não era só o café, as fazendas a perder de vista, as minas a céu aberto ou não, a fauna que tornava o Uíge um santuário de caça, uma vegetação luxuriante que mostrava quão generosa foi a Mãe Natureza ao dar àquela terra a flora que lhe concedia uma beleza ímpar...
Não muito distante, a cerca de 85 quilómetros de Malange, recorda-se toda a beleza das "Quedas do Duque" ou de 'Kalandula', nome do local onde se situam estas belas quedas de água do rio Lucala, que é afluente do rio Kwanza
 
No Negage de antigamente, pensava-se no futuro! Esse futuro estava a ser construído graças ao querer de muitas pessoas, quem naturais quer colonos, porque o Negage não era o João Ferreira, não era o Manuel Ribeiro Manso ou o Fernando Santos, como o não  foram o velho Ginja, o Horácio da Papelaria 13, o Fernandes da Shell, o Valadares, Carvalhosa do Colégio, o Paula do Registo Civil, os irmãos Baganha, os Costas ou o Jesuíno Dias, mas também eles foram importantes para o crescimento de uma terra que ergueram pela força dos seus braços... e até pelo exemplo dos Padres Prosdócimo de Pádua, Fortunato Agnoleto da Costa ou Agatândelo. O Negage foi fruto do acreditar de muitos, que não olhavam apenas para a côr de uma bandeira mas para aqueles com quem queriam partilhar os desejos de tornar Angola uma Pátria de todos.
Infelizmente para muitos, não foi esse o caminho tomado, pois procuraram apoderar-se de uma terra que era deles pela força do sangue derramado por tantos inocentes.
O Negage foi testemunha de como se não constrói uma Pátria, pois dizem as Sagradas Escrituras que "...todos aqueles que lançam a mão à espada, à espada morrerão!". Talvez fosse tempo de se fazer um exame de consciência sobre aquilo que lançou Angola na senda da guerra civil, após a descolonização.  Sabe-se que Portugal não andou muito bem, pois optou por facilitar a independência do Povo de Angola a favor de um único Movimento Independentista, não cuidando de dar voz ao Povo, que era o que deveria ter feito desde há muito, para evitar que houvesse as mortes que tornaram o sagrado solo angolano de um vermelho mais vivo, porque regado pelo sangue dos inocentes, portugueses e angolanos.