sexta-feira, 24 de junho de 2011

AINDA ME RECORDO...

...de como era engraçado vêr miúdos feitos soldados, de arma maior que eles a tiracolo, vestidos com aquilo que calhava, porque não abundavam os meios necessários para ser comprada ,a farda com que um dia terão sonhado... porque nem todos estavam nas boas graças dos "donos da guerra", fossem lá eles quem fossem.
Quando eclodiu o terrorismo, digo, começou a guerra pela independência, porque essas coisas do terrorismo não eram bem vistas pela população autóctone, já que ficavam todos a pensar que os pretinhos comiam criancinhas ao pequeno almoço, como os comunistas faziam, diz-se, porque eu nunca vi, houve logo quem colocasse a ideia de que os brancos iam ser corridos para o mar, porque os brancos não iam aguentar muito tempo o palmilhar o mato sem descanço.
Afinal enganaram-se, pois quem não tinha forças não estava em Angola há já muito tempo. Foram os que não sentiam no peito o pulsar de um Povo que havia apostado tudo no progresso... mas foi traído e forçado a desistir. 
Ouço dizer que os que agora vão para Angola, vão ter uma nova  maneira de estar com aquele Povo, mas tal não é possível, porque não há aqueles que venderam o pouco que por aqui tinham e foram para as matas mourejar, ganhar o pão com o suor do rosto, tudo dando por aquela terra e nada recebendo em troca a não ser doenças, desilusões, traição, morte, roubo e todo um desfilar de situações nada condizentes com a figura que alguns quizeram fazer crer haver acontecido!
Foram muitos aqueles que nada trouxeram de seu... exceptuando a vida, bem maior que ainda hoje agradecem a Deus ter conservado, porque houve necessidade de começar de novo. Ainda se os naturais tivessem uma vida com dignidade e não a pobreza extrema que se vive numa determinada Luanda...
É chegado o tempo em que todos não são demais para dar a Angola tudo aquilo que ela merece! Há alguns Homens de boa vontade, mas não podem ser apenas "alguns", mas sim TODOS!!!
Ainda me recordo que o Povo do Negage era um Povo feliz! E eu também me sentia assim, porque fazia parte desse Povo!

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