segunda-feira, 30 de maio de 2011

As Minas... um desespero!

Para ser sincero, ainda me arrepio quando recordo o cotejo de horrores que me assolavam quando via chegar à Enfermaria do AB3 alguma evacuação com pessoal atingido que havia sido vitimado pelos estilhaços de metal originados pelo rebentamento de uma mina.
Estas terão sido, sem dúvida, uma das mais temidas acções acontecidas no teatro da guerra que tivemos de combater em Angola. 
Eram usadas isoladamente  ou como componentes das emboscadas perpetradas contra os nossos homens, uma vez que o IN estava ciente de que as variadas minas utilizadas, fossem pessoais ou anti-carro, eram limitativas da acção das Tropas portuguesas  no campo táctico e logístico, pois conseguiam provocar atrazos na distribuição dos reabastecimentos às Unidades combatentes  e destruíam as viaturas com elevadas baixas nas Tropas. E não era displicente o gozo que ao IN dava a desmoralização que causava o rebentamento de uma mina, pois os Soldados viam in-loco que os homens vindos das matas estavam mais preparados para matar do que perecia.
Não sei se estarei mais ou menos próximo da verdade, mas acredito que entre 50 e 60% das baixas portuguesas, no que a mortos e feridos respeita, foram causadoas por este tipo de engenhos de morte, que seria mais que tempo verem a sua utilização proibida pelas entidades que "orienta" estas coisas das guerras, como sejam a ONU, com o seu Conselho de Segurança, o Tribunal de Haia, o Parlamento Europeu... mas fundamentalmente os grandes fabricantes deste tipo de artefactos, desde os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a França, a China... e principalmente a Rússia.
Mas não se pense que as Forças Armadas Portuguesas não usavam este tipo de material. Usavam, especialmente para formar protecção às instalações, minando as áreas envolventes dos Quartéis e Bases, para proteger as Tropas na transposição de itinerários para estacionamentos temporários, durante a noite, e para provocar baixas ao IN, minando os   pontos de passagem  dos guerrilheiros.
O IN tudo aproveitava para fazer as suas minas, mas utilizava maioritáriamente as anti-pessoal e anti-carro. Mas também improvisava os chamados "fornilhos", utilizando granadas não explodidas, bombas de avião, tudo conjugado com explosivos e accionados por um  detonador, que poderia ser pirotécnico ou eléctrico, conforme o caso.
Estou em crêr que a primeira mina utilizada pelo IN contra as nossas Tropas foi uma anti-pessoal que foi descoberta no Norte de Angola em Junho de 1962, salvo erro na estrada que ligava Zala a Vila Pimpa. Já a primeira anti-carro apareceu seis dias depois da primeira, no dia 11 ou 12 de Junho, na pista de aviação do Bembe, igualmente em Angola.
Sabe-se que ainda hoje há quem morra nas Repúblicas conquistadas a Portugal pelo Movimento do 25 de Abril - foi este que ganhou a guerra contra as Forças Armadas Portuguesas -, porque ainda há minas espalhadas pelo solo da Guiné, de Angola ou de Moçambique. Mesmo que sejam minas colocadas pelo IN, um pouco sem controle, devem ser de imediato erradicadas do terreno, para que não haja mais vítimas de um artefacto de morte que teima continuar o seu papel de tragédia, sangue, morte, sofrimento, amputações... sabe-se lá até quando!   

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ANGOLA ONTEM, HOJE, AMANHÃ...

Nunca será demais pensar no que poderia ter sido um País que tivesse sido ordenado territorialmente segundo o pensamento de Norton de Matos, um Governador de Angola que a pensou no mínimo detalhe, enquanto o cérebro se lhe povoava de ideias capazes de tornar Portugal um País digno dos seus fundadores e dos continuadores da obra gigantesca de continuar a ser uma Pátria grande entre as maiores, porque as nossas fronteiras eram a imaginação do Homem e não uma linha imaginária que pudesse ser demarcada a limitar as nossas fronteiras.

Jorge Maria Norton de Matos, que nasceu em Ponte de Lima e foi General do Exército, Governador Geral de Angola, Ministro das Colónias e Alto Comissário de Angola, entre outros cargos, ponderou sériamente na hipótese de que Nova Lisboa - a sua cidade - viesse a ser a capital de Portugal, tornando-se a então Metrópole numa estância de turismo para retemperar forças depois de alguns tempos a labutar em África. Para que tal hipótese pudesse vingar, imaginou a hipótese de ser comprada à Zâmbia uma faixa de terreno que ligasse a zona do Cazombo, em Angola, à zona de Furancungo/Fingoé, em Moçambique, fazendo um único País englobando os dois territórios.

Haveria algum País capaz de concorrer com um Portugal com tal dimensão?

Mas... este era o sonho de Norton de Matos e ele acordou para a realidade quando concorreu à Presidência da República Portuguesa! De comunista, fascista, colonialista para baixo, tudo servia para o vilpendiar... e ele levou para a cova a angústia de vêr o seu País entregue às diatribes de uma click governante que nada de bom augurava para o futuro do País! Por certo alguns "angolanos" de ontem não aceitarão a minha ideia de que na Angola colonial havia muitas coisas boas, a par de outras que serão para esquecer, de tal modo nos fazem doer a alma. Entre as coisas boas está a capacidade que algumas pessoas tiveram de levar as suas vidas para diante, não pensando no resultado final do "jogo da descolonização" mas sim naquilo que poderia ser útil a uma Angola que viesse a conseguir a almejada independência. E foram esses que deram ao quotidiano de Angola uma dimensão jamais imaginada, criando progresso, construíndo futuro... ainda que o mesmo progresso, o mesmo futuro, tenham sido malbaratados por aqueles que resolveram tornar-se senhores do território, "donos do pedaço", no dizer do Povo irmão do Brasil. E então é pugnar por arranjar cada vez mais "interesses" abandonados pelos "colonos em fuga", não importando a razão porque o fizeram. Foram embora, perderam!

Só assim se torna possível haver um pseudo general do MPLA a comprar um restaurante de luxo no Guincho - Cascais, pois fartos de estar a lidar com gentes que nada lhe dizem está ele. O trabalho na mata foi bem remunerado, pois o Povo pode bem aguentar mais uma ditadura até ter direito a pão para comer, mas as gentes do MPLA não!

Só esperamos que o amanhã não venha a ser trágico como o foi o 27 de Maio de 1977, para falar exclusivamente do exercício do poder das gentes do Governo de Angola, que tardam em resolver uma questão que já justificou a perseguição e morte de alguém que lutava pela clarificação das eleições angolanas.

Angola ontem, hoje e amanhã... Angola que vai sarando feridas utilizando paliativos vários para amenizar a dôr de um Povo que tarda em receber os benefícios de algo que deseja desde tempos quase imemoriais: A PAZ!