domingo, 13 de março de 2011

15 DE MARÇO/61 = TERROR EM ANGOLA

Há 50 anos, a fazer no dia 15 de Março, eclodiu o terrorismo no Norte de Angola... e com ele se deu a abertura dos caminhos que levaram à independência daquele território que hoje é um país... sem liberdade e entregue à ditadura de um Partido que faz tábua raza dos direitos de um Povo que é escravizado e roubado de uma forma infame...por aqueles que se arrogam apregoar ter-lhe dado a liberdade.
O primeiro ano de 1960 inicia a chamada luta nacionalista, com meses de terror, de sangue, de mártires de ambos os lados, uma vez que tudo começa com a revolta dos trabalhadores do algodão, na Baixa do Cassange, quando se pretendeu impôr a cultura obrigatória e se recorreu ao fogo e à bomba por parte das tropas portuguesas.
No dia 04 de Fevereiro viu-se Luanda ser acordada com uma contestação ao regime de Lisboa, perpetrada por um grupo de homens sem aparente bandeira política, que é incentivado por alguns panfletos distribuídos nos Musseques e pelo Cónego Manuel das Neves, um sacerdote da Sé de Luanda que estava ligado à União dos Povos de Angola, o maior partido étnico nacionalista. Assaltam simultâneamente a Casa de Reclusão Militar e duas Esquadras da Polícia de Segurança Pública.
Está bem de vêr que os colonos entram em pânico e tremem pela primeira vez, quando tombam meia dúzia de Polícias nestes ataques. De imediato se organizam em milícias integradas por civis e militares e a invasão dos musseques acontece, espalhando-se assim o terror, pois mata-se sem clemência... mas estas notícias espalham-se e chegam aos ouvidos dos fazendeiros, que entretanto ouvem falar do desvio do "Santa Maria" e o ligam aos acontecimentos de Luanda... as mulheres não ouvem telefonia, único consolo para quem está no meio do nada, lá nas matas onde apenas há os barulhos próprios daqueles lugares inóspitos.
Na mata, os bandos de guerrilheiros deslocavam-se como as onças, sem ruído, agachados, esperando que o comércio abrisse as portas. Os turras haviam planeado atacar, estando tudo previsto até ao mais ínfimo pormenor. Ninguém poderia escapar-lhes, acreditavam.
O Sr. Mário Costa, dono do estabelecimento, saíra de casa à hora do costume, entrando pela porta da sua cantina de comércio geral quando o relógio marcava as 7 horas e trinta. Ia fazer as contas da véspera e depois atenderia os clientes que iam ali matabichar o seu copito de vinho ou uma bagaceira da boa. Passada meia hora, eis que chegam os primeiros clientes, alguns deles seus velhos conhecidos das sanzalas vizinhas, que vinham para beber umas CUCA's e comprar uns maços de cigarros.
Mal o Sr. Costa se vira para a prateleira, uma afiada catana é-lhe cravada nas carnes e ouvem-se os gritos: - "UPA!!! UPA!!! Mata!!! Mata!!!". Em menos de um instante o comerciante é retalhado às postas. A esposa Ilda, que no quintal tratava da criação e apanhava umas couves, não ouviu o mínimo ruído.
As filhas do casal acabaram de tomar a primeira refeição da manhã e a mais velhita pediu à irmã para lhe ir à cozinha buscar uma pouca de água. Pela janela viu um dos criados chamar por ela, pelo que se aproximou confiante, até porque o homem andara com ela ao colo e servia o pai há muitos anos.
Quando se aproximou, o criado perdeu toda aquela humildade que sempre demonstrara, e é sem docilidade alguma que levanta a mão armada com uma catana, pronto a desferir o golpe. Porque "ao menino e ao borracho mete Deus a mão por baixo", ela logrou escapar-se e correu para o pé da mãe, que a partir daquele momento se apercebeu do perigo que todos corriam .
Dona Ilda dirige-se para a cozinha, com as couves que apanhara e a seu lado a cachopa tremendo de medo. A prima dela, com o bebé de meses ao colo, também chega à cozinha no momento preciso em que Dona Ilda pega nas mãos das filhas e as empurra e à prima na direcção da porta, gritando-lhes que fugissem dali e se escondessem.
Quando ia à procura o marido, vê meia dúzia de negros empunhando catanas e gritando. O marido já não lhe poderá valer e os negros cortam-lhe a passagem. A filha mais nova esconde-se então debaixo de um camião e ainda viu a mãe caír dobrada sobre um dos braços, soltando dois gritos lancinantes no momento em que ficou prostrada.
Um outro comerciante morreu com uma lâmina atarrachada no crânio, os olhos espantados e o sangue a jorrar como uma fonte. Nem se mexeu! Uma irmã, já com algumas catanadas no corpo, ainda ofereceu ao seu algoz: - "Não me mates que eu dou-te pão!", recebendo por resposta: - "Não queremos o teu pão para nada! O que queremos é sangue, o vosso sangue, porque as crianças de agora são os colonos amanhã!" Aquele 15 de Março marca uma viragem, um momento em que homens tomam entre mãos as vidas de milhares de vítimas inocentes e as sacrificam em holocausto, porque outros valores se sobrepunham à vida humana.
50 anos depois, apetece perguntar àqueles energúmenos se realmente valeu a pena ficarem rotulados de assassinos sanguinários, mesmo que os actuais senhores de Angola lhes chamem heróis ou mártires, porque aqueles que deram a cara no 15 de Março não andam hoje a gozar as mordomias que o senhor Presidente de Angola concede aos seus "combatentes da liberdade", porque membros do MPLA. Não terem a sorte que calhou na roleta a Jonas Savimbi, já é de agradecer aos céus, pois Angola não gosta de repartir nada com ninguém! És do MPLA? Então goza as delícias que te estão reservadas, as festanças, as passeatas, as empresas, os bens que em tempos foram dos colonos, os carros topo de gama, pois quem é do MPLA está garantido.
E o Povo? Esse não conta! O MPLA vai dizendo que os Portugueses querem voltar a colonizar, que continuam a roubar, agora através das empresas portuguesas que operam em Angola... e o Povo Angolano é sereno e não se zanga com o dos Santos... até porque são as mininas do Presidente e elas não iam aproveitar-se daquilo que o sangue e o terror conseguiram.
PORQUE EM ANGOLA... O TERROR CONTINUA!

1 comentário:

Fadhilah MPA Online disse...

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