sexta-feira, 18 de março de 2011

DIA DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO

Se alguma coisa de importante aprendi no Negage - nos tempos em que Portugal exercia soberania sobre Angola -, foi a conhecer melhor o seu Padroeiro, São José Operário.
Pela "mão" dos Padres Capuchinhos então responsáveis pela Missão Católica, especialmente do saudoso Padre Fortunato Agnoleto, mas também do Pe. Prosdócimo de Pádua, aprendi a saber quem era São José, o Guardião de Jesus e marido extremoso da Virgem Maria, a Escolhida para Mãe do Salvador.
Com que agrado ajudei a organizar as festividades próprias do Dia de São José ou do Pai, até pela minha condição de cooperador da Igreja de São José Operário na minha qualidade de Dirigente no Agrupamento de Escuteiros que ajudei a fundar, tendo como Patrono S. José, além das actividades próprias como Catequista e dos Cursilhos de Cristandade.
Amanhã, nos tempos de antes da Independência de Angola, era dia de festa na cidade do Negage, até porque era o seu Feriado Municipal. Não sei como será agora, mesmo sabendo que D. Francisco da Mata Mourisca jamais deixaria de comemorar S. José, o Esposo da Virgem Maria e Pai adoptivo de Jesus.
Espero que aqueles que ainda abraçam a Fé em Jesus Cristo e na Sua Mãe Maria Santíssima, não descurem comemorar o seu Santo Padroeiro, que certamente os cumulará das graças que para eles obtenha junto de Deus.
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SONETO A SÃO JOSÉ
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Vivendo com Jesus e com Maria,
José ensina-nos a viver bem...
...vivamos, dia a dia, nós também
em tão feliz e doce companhia
.
O plano do Senhor, ele o aceitou
com muita fé e plena liberdade.
E sempre, com Deus Pai, colaborou
fazendo, com amor, Sua vontade.
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Trabalhou pelo pão de cada dia
e, na mais amorosa doação,
serviu Jesus e a Mãe, Virgem Maria
.
São José foi na terra um peregrino
caminhando, em silêncio e oração,
na presença de Deus, feito Menino.
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Soneto de
Autor desconhecido

domingo, 13 de março de 2011

15 DE MARÇO/61 = TERROR EM ANGOLA

Há 50 anos, a fazer no dia 15 de Março, eclodiu o terrorismo no Norte de Angola... e com ele se deu a abertura dos caminhos que levaram à independência daquele território que hoje é um país... sem liberdade e entregue à ditadura de um Partido que faz tábua raza dos direitos de um Povo que é escravizado e roubado de uma forma infame...por aqueles que se arrogam apregoar ter-lhe dado a liberdade.
O primeiro ano de 1960 inicia a chamada luta nacionalista, com meses de terror, de sangue, de mártires de ambos os lados, uma vez que tudo começa com a revolta dos trabalhadores do algodão, na Baixa do Cassange, quando se pretendeu impôr a cultura obrigatória e se recorreu ao fogo e à bomba por parte das tropas portuguesas.
No dia 04 de Fevereiro viu-se Luanda ser acordada com uma contestação ao regime de Lisboa, perpetrada por um grupo de homens sem aparente bandeira política, que é incentivado por alguns panfletos distribuídos nos Musseques e pelo Cónego Manuel das Neves, um sacerdote da Sé de Luanda que estava ligado à União dos Povos de Angola, o maior partido étnico nacionalista. Assaltam simultâneamente a Casa de Reclusão Militar e duas Esquadras da Polícia de Segurança Pública.
Está bem de vêr que os colonos entram em pânico e tremem pela primeira vez, quando tombam meia dúzia de Polícias nestes ataques. De imediato se organizam em milícias integradas por civis e militares e a invasão dos musseques acontece, espalhando-se assim o terror, pois mata-se sem clemência... mas estas notícias espalham-se e chegam aos ouvidos dos fazendeiros, que entretanto ouvem falar do desvio do "Santa Maria" e o ligam aos acontecimentos de Luanda... as mulheres não ouvem telefonia, único consolo para quem está no meio do nada, lá nas matas onde apenas há os barulhos próprios daqueles lugares inóspitos.
Na mata, os bandos de guerrilheiros deslocavam-se como as onças, sem ruído, agachados, esperando que o comércio abrisse as portas. Os turras haviam planeado atacar, estando tudo previsto até ao mais ínfimo pormenor. Ninguém poderia escapar-lhes, acreditavam.
O Sr. Mário Costa, dono do estabelecimento, saíra de casa à hora do costume, entrando pela porta da sua cantina de comércio geral quando o relógio marcava as 7 horas e trinta. Ia fazer as contas da véspera e depois atenderia os clientes que iam ali matabichar o seu copito de vinho ou uma bagaceira da boa. Passada meia hora, eis que chegam os primeiros clientes, alguns deles seus velhos conhecidos das sanzalas vizinhas, que vinham para beber umas CUCA's e comprar uns maços de cigarros.
Mal o Sr. Costa se vira para a prateleira, uma afiada catana é-lhe cravada nas carnes e ouvem-se os gritos: - "UPA!!! UPA!!! Mata!!! Mata!!!". Em menos de um instante o comerciante é retalhado às postas. A esposa Ilda, que no quintal tratava da criação e apanhava umas couves, não ouviu o mínimo ruído.
As filhas do casal acabaram de tomar a primeira refeição da manhã e a mais velhita pediu à irmã para lhe ir à cozinha buscar uma pouca de água. Pela janela viu um dos criados chamar por ela, pelo que se aproximou confiante, até porque o homem andara com ela ao colo e servia o pai há muitos anos.
Quando se aproximou, o criado perdeu toda aquela humildade que sempre demonstrara, e é sem docilidade alguma que levanta a mão armada com uma catana, pronto a desferir o golpe. Porque "ao menino e ao borracho mete Deus a mão por baixo", ela logrou escapar-se e correu para o pé da mãe, que a partir daquele momento se apercebeu do perigo que todos corriam .
Dona Ilda dirige-se para a cozinha, com as couves que apanhara e a seu lado a cachopa tremendo de medo. A prima dela, com o bebé de meses ao colo, também chega à cozinha no momento preciso em que Dona Ilda pega nas mãos das filhas e as empurra e à prima na direcção da porta, gritando-lhes que fugissem dali e se escondessem.
Quando ia à procura o marido, vê meia dúzia de negros empunhando catanas e gritando. O marido já não lhe poderá valer e os negros cortam-lhe a passagem. A filha mais nova esconde-se então debaixo de um camião e ainda viu a mãe caír dobrada sobre um dos braços, soltando dois gritos lancinantes no momento em que ficou prostrada.
Um outro comerciante morreu com uma lâmina atarrachada no crânio, os olhos espantados e o sangue a jorrar como uma fonte. Nem se mexeu! Uma irmã, já com algumas catanadas no corpo, ainda ofereceu ao seu algoz: - "Não me mates que eu dou-te pão!", recebendo por resposta: - "Não queremos o teu pão para nada! O que queremos é sangue, o vosso sangue, porque as crianças de agora são os colonos amanhã!" Aquele 15 de Março marca uma viragem, um momento em que homens tomam entre mãos as vidas de milhares de vítimas inocentes e as sacrificam em holocausto, porque outros valores se sobrepunham à vida humana.
50 anos depois, apetece perguntar àqueles energúmenos se realmente valeu a pena ficarem rotulados de assassinos sanguinários, mesmo que os actuais senhores de Angola lhes chamem heróis ou mártires, porque aqueles que deram a cara no 15 de Março não andam hoje a gozar as mordomias que o senhor Presidente de Angola concede aos seus "combatentes da liberdade", porque membros do MPLA. Não terem a sorte que calhou na roleta a Jonas Savimbi, já é de agradecer aos céus, pois Angola não gosta de repartir nada com ninguém! És do MPLA? Então goza as delícias que te estão reservadas, as festanças, as passeatas, as empresas, os bens que em tempos foram dos colonos, os carros topo de gama, pois quem é do MPLA está garantido.
E o Povo? Esse não conta! O MPLA vai dizendo que os Portugueses querem voltar a colonizar, que continuam a roubar, agora através das empresas portuguesas que operam em Angola... e o Povo Angolano é sereno e não se zanga com o dos Santos... até porque são as mininas do Presidente e elas não iam aproveitar-se daquilo que o sangue e o terror conseguiram.
PORQUE EM ANGOLA... O TERROR CONTINUA!

quarta-feira, 9 de março de 2011

ANGOLA... ADIADA?

Parece que José Eduardo dos Santos ainda se não cansou de ter o "seu" Povo a gritar com fome de tudo o que de mais importante falta no seu quotidiano! O Senhor todo poderoso de Angola não se apercebeu ainda que as fomes não são apenas de pão, mas também de justiça, de bem estar social, de paz, de trabalho igual para todos, de educação e cultura, de liberdade em todas as circunstâncias, porque não basta ser livre para gritar vivas ao Presidente... porque o MPLA é a referência que pocurará dar aos militantes ou apoiantes aquilo que eles mais procuram, que é dinheiro e posição social acima de qualquer outro dos angolanos... desde que se saibam gritar vivas ao dos Santos e seus apaniguados.
Trinta e dois anos de ditadura partidária, de roubos de igreja que bradam aos céus, porque não é possível alguém acreditar que um grupo de criminosos terroristas, que se diziam combatentes da liberdade e independência mas mancharam as mãos de sangue inocente em nome de uma Angola que lhes permitisse encherem os bolsos com aquilo que foram "confiscando" aos que eram mortos ou corridos para o mar, como o ideólogo de toda a trama, o falecido e endeusado "pai da Pátria" Dr Agostinho Neto, algumas vezes preconizava.
Este José Eduardo, que em Moscovo estudou enriquecimento rápido a par da engenharia, está a dar mostras de ser um fiel servidor do MPLA de Neto, pois procurou deixar fora de combate o Dr. Jonas Savimbi e enxovalhou Holden Roberto para lá do exigível, pois ele não pretendeu jamais outra coisa que não fosse vêr os Portugueses de costas... e isso bastou-lhe, já que os amigos americanos lhe deram o necessário enquanto dele necessitaram! Mas a União Soviética trabalhou bem o seu fantoche... deixando que ele enchesse a blusa das ricas filhinhas, fazendo delas bons partidos, ao mesmo tempo que cumpria os mil e um desideratos que a Mãe Rússia lhe tinha traçado na linha do futuro.


Leio mil notícias de grandes conquistas de Angola em termos de crescimento... com avenidas de sonho, edifícios de fazer sonhar, indústrias várias que estão em alta... mas nada de se anunciar que o povo está finalmente a gozar tudo aquilo que é seu por direito inalienável, como seja o ter acesso à saúde, ao trabalho em igualdade de circunstâncias com os que têm cartão do Partido governamental, à habitação condigna, com tudo aquilo que é exigível para que possam ter um local capaz de ser factor contributivo para o bem estar familiar... etc...etc...
Quem viu Luanda nos finais dos anos 70 e vê a Luanda pós independente, não cometerá o crime de dizer que tudo está como antes... porque mesmo com as novas construções, a cidade está um caos! O lixo é mais que muito; as doenças são alarmantes; só há alcatrão para as vias onde residem os novos ricos, na Luanda Sul, pois o resto é paisaigem.
Trinta e muitos anos depois da independência, é de crêr que Angola evoluiu positivamente em muitos aspectos... mas aquilo porque um dia se derramou o sangue inocente de tantos Portugueses e Angolanos foi a esperança de se alcançar a liberdade e independência em plena democracia, porque esta não é um papão para ninguém, mas exige consciencialização daqueles que governam, para que seja um bem em si mesma e não mais uma chaga aberta pela intolerência daqueles a quem foi cometido defendê-la com o mesmo empenho que colocaram na sua conquista!
As recentes manifestações são a prova de que o Governo angolano não está preparado para a democracia, não está consciente do seu papel relevante na construção de um País que seja uma referência no contexto africano, capaz de ser exemplo para os outros do que pode conseguir-se com urbanidade, verdade, tolerância, consciencialização, justiça, segurança, trabalho, equidade e aplicação real de todas as boas normas exigidas pelas relações humanas.
Talvez seja chegado o tempo para se dizer basta às injustiças de um Governo que não merece o Povo que tem!