segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

PARA TODOS OS AMIGOS DESTE BLOG

OS DESEJOS SINCEROS... 

domingo, 11 de setembro de 2011

o 11 de Setembro...

É sempre duro morrer por causa fundamentalista, por causa de um fanatismo capaz de usar o terror da forma mais hedionda que se possa imaginar, como foi o acontecido no dia 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque. Morreram mais de 3.000 americanos e muitos emigrantes que ali trabalhavam. O ataque às Torres Gémeas foi uma pura manifestação terrorista, que o mundo deve condenar.
No entanto, quando reflito sobre este trágico acontecimento que enlutou a América, não posso deixar passar em claro o facto de ter sido um Presidente dos Estados Unidos, de seu nome John Kennedy, quem incentivou os Movimentos Independentistas da então África  Portuguesa a pegarem em armas e expulsarem os portugueses através do terror. Esse acabou por pagar com a vida esta e outras posições tomadas, pois quem incentiva o terrorismo é justo que pague as vidas inocentes com a própria vida.
Lee Oswald foi o executor. Foi desde logo apelidado de terrorista... mas mais não fez que liquidar quem apoiava este método de actuação.
Se em 2001 a América chorou 3.000 mortos, em 1961 Portugal chorou em Angola mais de 8.000 vítimas de um crime terrorista cujo inspirador e financiador era... americano e Presidente de uma Nação que se diz defensora das liberdades.
O caricato da situação é o inspirador do ataque às Torres Gémeas ter sido treinado pelos Estados Unidos. A obra virou-se contra o criador, que teve de acabar por o mandar matar, para evitar males maiores.
"O terror combate-se com o terror", dizem alguns teóricos, mas as consequências são sempre sofridas por quem não tem qualquer culpa. Foi assim no terrorismo da UPA ou do MPLA, não colocando a UNITA de fora, porque também o praticou. Os Estados Unidos não estão isentos, porque maior terror que aquele que a CIA vai promovendo não é imaginável!
Os mortos são sempre o elo mais fraco, porque apanhados no meio dos interesses desses que se dizem guardiões da democracia e da liberdade... mas que vendem as armas que causam o terror entre os homens de boa vontade.
Quem com ferros mata... com ferros morre!

sábado, 13 de agosto de 2011

IMBONDEIRO - Um símbolo de África...

Tem uma aparência lúgubre,  misteriosa, mas também bastante solene e bela essa grande árvore de que se poderá afirmar ser um símbolo  de África. Na idade adulta apresenta-se com um aspecto  fossilizado, mas o imbondeiro,  além de marcar uma paisagem que é tradicionalmente árida, remete-nos para outros significados, sendo talvez o motivo porque é cercado de lendárias tradições .
Os baobás, embondeiros, imbondeiros ou calabaceiras (Adansonia) são uma árvore com oito espécies, nativas da ilha de Madagascar (o maior centro de diversidade, com seis espécies), do continente africano e da Austrália (com uma espécie em cada).
As espécies alcançam alturas entre de 5 a 25 m (o máximo 30 m), e atingem até 7 m (excepcionalmente 11 m) de diâmetro no tronco. Destacam-se pela sua capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, que pode atingir os 120.000 litros.
Os baobás desenvolvem-se em zonas sazonalmente áridas, e são árvores de folha caduca, caindo as folhas durante a estação seca. Alguns têm a fama de viver vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, é impossível atestar a veracidade desta afirmação...  e há poucos botânicos a darem crédito a essas reivindicações de idade extrema.
Em Angola, são às centenas aqueles que vemos espalhados pela savana. Ao entardecer, ele adquire uma beleza ainda maior e o seu aspecto  escuro contrasta com aquela coloração róseo-alaranjado que, no poente, acaba por nos  revelar toda  a sua majestosa  imponência .
Uma das muitas lendas que se contam sobre o imbondeiro, diz  podem viver cerca de seis mil anos. Ora se tal correspondesse à verdade, os imbondeiros teriam assistido à chegada de Diogo Cão... e teriam os mesmos imbondeiros assistido à partida dos portugueses, no alvor da independência.  Seria assim bastante possível a história de que os imbondeiros existentes ao lado do Museu da Escravatura, em Luanda,  tivessem testemunhado os embarques de escravos angolanos para o Brasil.
As folhas brotam entre os meses de Julho e Janeiro. Regra geral, o imbondeiro floresce durante uma única noite, no período de Maio a Agosto. Durante as poucas horas da abertura das flores, os consumidores de néctares nocturnos,  particularmente os morcegos , procuram assegurar a polinização da planta.
Tudo no imbondeiro pode ser utilizado para a sobrevivência do ser humano. Ressalte-se que esta árvore também se constitui numa preciosa fonte  de medicamentos, pois as suas folhas são ricas em cálcio, ferro, proteínas e lípidos, para além de serem usadas como um poderoso anti-diarreico e para combater febres e inflamações. Um pó feito de folhas secas está a ser utilizado para combater a anemia, o raquitismo, a disenteria, o reumatismo, a asma, e é ainda usado como tónico

domingo, 31 de julho de 2011

FOI HÁ 50 ANOS...

Há 50 anos atrás, um grupo de Militares pertencentes à Força Aérea, idos do Portugal Continental distante - vulgo a Metrópole... ou o "Puto" -, deu início a uma das mais extraordinárias cooperações entre Homens de vontade férrea, como ficou demonstrado    ao  darem as mãos para a  construção de um futuro comum.
O A.B.3, de acordo com os estudos feitos pelas Infraestruturas da Força Aérea, era para ser,  inicialmente, construído em Carmona, a cidade capital do distrito, que ficava a 33 kilómetros do Negage e até já possuía um pequeno aeródromo.
Era esta região que,  na altura,  a grande produtora de  café em toda a Angola.
O N'gage, ainda vila, albergava no seu seio o homem mais rico de Angola, um senhor de grandes teres e haveres, dono e senhor de muitas plantações de café, para além de outros negócios como o marfim, a copra, o sisal, o algodão, os vários minérios, a caça, a panificação, o descasque de café, a restauração, a construção civil, os transportes terrestres, a agro-pecuária, os  frutos diversos como a banana, o ananás, o mamão, o amendoim. etc...etc... Este homem era o bem conhecido João Ferreira.

É corrente dizer-se ter sido  ele quem cedeu os terrenos para a instalação do Aeródromo e que também foi ele quem começou  rápidamente  com as terraplanagens para a construção de uma pista, que a Força Aérea logo  aproveitou para nela vir a ser  construido o seu Aerodromo Base nº 3.
50 anos são passados... e uma nova realidade é hoje vivida naquela que foi a Unidade menina dos olhos da Força Aérea Portuguesa em Angola. A independência tornou aquele espaço de algum modo importante para a novel Força Aérea Angolana. Não foi fácil, porque houve entretanto uma guerra civil e as feridas profundas que este conflito causou ficaram bem patentes na destruição das infraestruturas do antigo Aeródromo Base Nº. 3, que ficou completamente inoperativo por largo tempo.
Hoje, recuperada, a pista, o Negage volta a ser operada por aviões, mas nada comparado com aquilo que foram os voos  ali efectuados entre 1961 e 1975.
As saudades são imorredoiras, pois aqueles que um dia demandaram o Negage, jamais o esqueceram!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

AINDA ME RECORDO...

...de como era engraçado vêr miúdos feitos soldados, de arma maior que eles a tiracolo, vestidos com aquilo que calhava, porque não abundavam os meios necessários para ser comprada ,a farda com que um dia terão sonhado... porque nem todos estavam nas boas graças dos "donos da guerra", fossem lá eles quem fossem.
Quando eclodiu o terrorismo, digo, começou a guerra pela independência, porque essas coisas do terrorismo não eram bem vistas pela população autóctone, já que ficavam todos a pensar que os pretinhos comiam criancinhas ao pequeno almoço, como os comunistas faziam, diz-se, porque eu nunca vi, houve logo quem colocasse a ideia de que os brancos iam ser corridos para o mar, porque os brancos não iam aguentar muito tempo o palmilhar o mato sem descanço.
Afinal enganaram-se, pois quem não tinha forças não estava em Angola há já muito tempo. Foram os que não sentiam no peito o pulsar de um Povo que havia apostado tudo no progresso... mas foi traído e forçado a desistir. 
Ouço dizer que os que agora vão para Angola, vão ter uma nova  maneira de estar com aquele Povo, mas tal não é possível, porque não há aqueles que venderam o pouco que por aqui tinham e foram para as matas mourejar, ganhar o pão com o suor do rosto, tudo dando por aquela terra e nada recebendo em troca a não ser doenças, desilusões, traição, morte, roubo e todo um desfilar de situações nada condizentes com a figura que alguns quizeram fazer crer haver acontecido!
Foram muitos aqueles que nada trouxeram de seu... exceptuando a vida, bem maior que ainda hoje agradecem a Deus ter conservado, porque houve necessidade de começar de novo. Ainda se os naturais tivessem uma vida com dignidade e não a pobreza extrema que se vive numa determinada Luanda...
É chegado o tempo em que todos não são demais para dar a Angola tudo aquilo que ela merece! Há alguns Homens de boa vontade, mas não podem ser apenas "alguns", mas sim TODOS!!!
Ainda me recordo que o Povo do Negage era um Povo feliz! E eu também me sentia assim, porque fazia parte desse Povo!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

As Minas... um desespero!

Para ser sincero, ainda me arrepio quando recordo o cotejo de horrores que me assolavam quando via chegar à Enfermaria do AB3 alguma evacuação com pessoal atingido que havia sido vitimado pelos estilhaços de metal originados pelo rebentamento de uma mina.
Estas terão sido, sem dúvida, uma das mais temidas acções acontecidas no teatro da guerra que tivemos de combater em Angola. 
Eram usadas isoladamente  ou como componentes das emboscadas perpetradas contra os nossos homens, uma vez que o IN estava ciente de que as variadas minas utilizadas, fossem pessoais ou anti-carro, eram limitativas da acção das Tropas portuguesas  no campo táctico e logístico, pois conseguiam provocar atrazos na distribuição dos reabastecimentos às Unidades combatentes  e destruíam as viaturas com elevadas baixas nas Tropas. E não era displicente o gozo que ao IN dava a desmoralização que causava o rebentamento de uma mina, pois os Soldados viam in-loco que os homens vindos das matas estavam mais preparados para matar do que perecia.
Não sei se estarei mais ou menos próximo da verdade, mas acredito que entre 50 e 60% das baixas portuguesas, no que a mortos e feridos respeita, foram causadoas por este tipo de engenhos de morte, que seria mais que tempo verem a sua utilização proibida pelas entidades que "orienta" estas coisas das guerras, como sejam a ONU, com o seu Conselho de Segurança, o Tribunal de Haia, o Parlamento Europeu... mas fundamentalmente os grandes fabricantes deste tipo de artefactos, desde os Estados Unidos, a Grã Bretanha, a França, a China... e principalmente a Rússia.
Mas não se pense que as Forças Armadas Portuguesas não usavam este tipo de material. Usavam, especialmente para formar protecção às instalações, minando as áreas envolventes dos Quartéis e Bases, para proteger as Tropas na transposição de itinerários para estacionamentos temporários, durante a noite, e para provocar baixas ao IN, minando os   pontos de passagem  dos guerrilheiros.
O IN tudo aproveitava para fazer as suas minas, mas utilizava maioritáriamente as anti-pessoal e anti-carro. Mas também improvisava os chamados "fornilhos", utilizando granadas não explodidas, bombas de avião, tudo conjugado com explosivos e accionados por um  detonador, que poderia ser pirotécnico ou eléctrico, conforme o caso.
Estou em crêr que a primeira mina utilizada pelo IN contra as nossas Tropas foi uma anti-pessoal que foi descoberta no Norte de Angola em Junho de 1962, salvo erro na estrada que ligava Zala a Vila Pimpa. Já a primeira anti-carro apareceu seis dias depois da primeira, no dia 11 ou 12 de Junho, na pista de aviação do Bembe, igualmente em Angola.
Sabe-se que ainda hoje há quem morra nas Repúblicas conquistadas a Portugal pelo Movimento do 25 de Abril - foi este que ganhou a guerra contra as Forças Armadas Portuguesas -, porque ainda há minas espalhadas pelo solo da Guiné, de Angola ou de Moçambique. Mesmo que sejam minas colocadas pelo IN, um pouco sem controle, devem ser de imediato erradicadas do terreno, para que não haja mais vítimas de um artefacto de morte que teima continuar o seu papel de tragédia, sangue, morte, sofrimento, amputações... sabe-se lá até quando!   

segunda-feira, 16 de maio de 2011

ANGOLA ONTEM, HOJE, AMANHÃ...

Nunca será demais pensar no que poderia ter sido um País que tivesse sido ordenado territorialmente segundo o pensamento de Norton de Matos, um Governador de Angola que a pensou no mínimo detalhe, enquanto o cérebro se lhe povoava de ideias capazes de tornar Portugal um País digno dos seus fundadores e dos continuadores da obra gigantesca de continuar a ser uma Pátria grande entre as maiores, porque as nossas fronteiras eram a imaginação do Homem e não uma linha imaginária que pudesse ser demarcada a limitar as nossas fronteiras.

Jorge Maria Norton de Matos, que nasceu em Ponte de Lima e foi General do Exército, Governador Geral de Angola, Ministro das Colónias e Alto Comissário de Angola, entre outros cargos, ponderou sériamente na hipótese de que Nova Lisboa - a sua cidade - viesse a ser a capital de Portugal, tornando-se a então Metrópole numa estância de turismo para retemperar forças depois de alguns tempos a labutar em África. Para que tal hipótese pudesse vingar, imaginou a hipótese de ser comprada à Zâmbia uma faixa de terreno que ligasse a zona do Cazombo, em Angola, à zona de Furancungo/Fingoé, em Moçambique, fazendo um único País englobando os dois territórios.

Haveria algum País capaz de concorrer com um Portugal com tal dimensão?

Mas... este era o sonho de Norton de Matos e ele acordou para a realidade quando concorreu à Presidência da República Portuguesa! De comunista, fascista, colonialista para baixo, tudo servia para o vilpendiar... e ele levou para a cova a angústia de vêr o seu País entregue às diatribes de uma click governante que nada de bom augurava para o futuro do País! Por certo alguns "angolanos" de ontem não aceitarão a minha ideia de que na Angola colonial havia muitas coisas boas, a par de outras que serão para esquecer, de tal modo nos fazem doer a alma. Entre as coisas boas está a capacidade que algumas pessoas tiveram de levar as suas vidas para diante, não pensando no resultado final do "jogo da descolonização" mas sim naquilo que poderia ser útil a uma Angola que viesse a conseguir a almejada independência. E foram esses que deram ao quotidiano de Angola uma dimensão jamais imaginada, criando progresso, construíndo futuro... ainda que o mesmo progresso, o mesmo futuro, tenham sido malbaratados por aqueles que resolveram tornar-se senhores do território, "donos do pedaço", no dizer do Povo irmão do Brasil. E então é pugnar por arranjar cada vez mais "interesses" abandonados pelos "colonos em fuga", não importando a razão porque o fizeram. Foram embora, perderam!

Só assim se torna possível haver um pseudo general do MPLA a comprar um restaurante de luxo no Guincho - Cascais, pois fartos de estar a lidar com gentes que nada lhe dizem está ele. O trabalho na mata foi bem remunerado, pois o Povo pode bem aguentar mais uma ditadura até ter direito a pão para comer, mas as gentes do MPLA não!

Só esperamos que o amanhã não venha a ser trágico como o foi o 27 de Maio de 1977, para falar exclusivamente do exercício do poder das gentes do Governo de Angola, que tardam em resolver uma questão que já justificou a perseguição e morte de alguém que lutava pela clarificação das eleições angolanas.

Angola ontem, hoje e amanhã... Angola que vai sarando feridas utilizando paliativos vários para amenizar a dôr de um Povo que tarda em receber os benefícios de algo que deseja desde tempos quase imemoriais: A PAZ!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

RESSUSCITADOS COM CRISTO...

Aproxima-se a hora em que seremos justificados pelo Sangue de Jesus Cristo vertido por Amor naquela tarde de Sexta-Feira Santa em que veio a ser pregado numa Cruz... e por ela remiu o Mundo!


Estando a Humanidade refém de valores materialistas, como acontece quando trocamos a Salvação pela banal miragem de um prazer carnal, monetário, libidinoso, ou o que seja que nos dê prazer para além da Vida em abundância que nos é proposta pela aceitação do Amor de Deus nas nossas vidas, não custa "aceitar" que a nossa aceitação da condenação eterna é mais uma vitória daquele que pretende chamar a si a vitória no confronto com o Filho de Deus, que usa da Sua misericórdia infinita para nos fazer tomar parte nos mistérios da Sua Ressurreição!


Porque seremos ressuscitados conm Ele, que nunca desiste de nós, mesmo que a nossa caminhada de pecado nos afaste d'Ele, que é Amor!
Uma Santa e Feliz Páscoa de Jesus Cristo, o nosso Cordeiro Pascal!

sexta-feira, 18 de março de 2011

DIA DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO

Se alguma coisa de importante aprendi no Negage - nos tempos em que Portugal exercia soberania sobre Angola -, foi a conhecer melhor o seu Padroeiro, São José Operário.
Pela "mão" dos Padres Capuchinhos então responsáveis pela Missão Católica, especialmente do saudoso Padre Fortunato Agnoleto, mas também do Pe. Prosdócimo de Pádua, aprendi a saber quem era São José, o Guardião de Jesus e marido extremoso da Virgem Maria, a Escolhida para Mãe do Salvador.
Com que agrado ajudei a organizar as festividades próprias do Dia de São José ou do Pai, até pela minha condição de cooperador da Igreja de São José Operário na minha qualidade de Dirigente no Agrupamento de Escuteiros que ajudei a fundar, tendo como Patrono S. José, além das actividades próprias como Catequista e dos Cursilhos de Cristandade.
Amanhã, nos tempos de antes da Independência de Angola, era dia de festa na cidade do Negage, até porque era o seu Feriado Municipal. Não sei como será agora, mesmo sabendo que D. Francisco da Mata Mourisca jamais deixaria de comemorar S. José, o Esposo da Virgem Maria e Pai adoptivo de Jesus.
Espero que aqueles que ainda abraçam a Fé em Jesus Cristo e na Sua Mãe Maria Santíssima, não descurem comemorar o seu Santo Padroeiro, que certamente os cumulará das graças que para eles obtenha junto de Deus.
*
SONETO A SÃO JOSÉ
*
Vivendo com Jesus e com Maria,
José ensina-nos a viver bem...
...vivamos, dia a dia, nós também
em tão feliz e doce companhia
.
O plano do Senhor, ele o aceitou
com muita fé e plena liberdade.
E sempre, com Deus Pai, colaborou
fazendo, com amor, Sua vontade.
.
Trabalhou pelo pão de cada dia
e, na mais amorosa doação,
serviu Jesus e a Mãe, Virgem Maria
.
São José foi na terra um peregrino
caminhando, em silêncio e oração,
na presença de Deus, feito Menino.
.
Soneto de
Autor desconhecido

domingo, 13 de março de 2011

15 DE MARÇO/61 = TERROR EM ANGOLA

Há 50 anos, a fazer no dia 15 de Março, eclodiu o terrorismo no Norte de Angola... e com ele se deu a abertura dos caminhos que levaram à independência daquele território que hoje é um país... sem liberdade e entregue à ditadura de um Partido que faz tábua raza dos direitos de um Povo que é escravizado e roubado de uma forma infame...por aqueles que se arrogam apregoar ter-lhe dado a liberdade.
O primeiro ano de 1960 inicia a chamada luta nacionalista, com meses de terror, de sangue, de mártires de ambos os lados, uma vez que tudo começa com a revolta dos trabalhadores do algodão, na Baixa do Cassange, quando se pretendeu impôr a cultura obrigatória e se recorreu ao fogo e à bomba por parte das tropas portuguesas.
No dia 04 de Fevereiro viu-se Luanda ser acordada com uma contestação ao regime de Lisboa, perpetrada por um grupo de homens sem aparente bandeira política, que é incentivado por alguns panfletos distribuídos nos Musseques e pelo Cónego Manuel das Neves, um sacerdote da Sé de Luanda que estava ligado à União dos Povos de Angola, o maior partido étnico nacionalista. Assaltam simultâneamente a Casa de Reclusão Militar e duas Esquadras da Polícia de Segurança Pública.
Está bem de vêr que os colonos entram em pânico e tremem pela primeira vez, quando tombam meia dúzia de Polícias nestes ataques. De imediato se organizam em milícias integradas por civis e militares e a invasão dos musseques acontece, espalhando-se assim o terror, pois mata-se sem clemência... mas estas notícias espalham-se e chegam aos ouvidos dos fazendeiros, que entretanto ouvem falar do desvio do "Santa Maria" e o ligam aos acontecimentos de Luanda... as mulheres não ouvem telefonia, único consolo para quem está no meio do nada, lá nas matas onde apenas há os barulhos próprios daqueles lugares inóspitos.
Na mata, os bandos de guerrilheiros deslocavam-se como as onças, sem ruído, agachados, esperando que o comércio abrisse as portas. Os turras haviam planeado atacar, estando tudo previsto até ao mais ínfimo pormenor. Ninguém poderia escapar-lhes, acreditavam.
O Sr. Mário Costa, dono do estabelecimento, saíra de casa à hora do costume, entrando pela porta da sua cantina de comércio geral quando o relógio marcava as 7 horas e trinta. Ia fazer as contas da véspera e depois atenderia os clientes que iam ali matabichar o seu copito de vinho ou uma bagaceira da boa. Passada meia hora, eis que chegam os primeiros clientes, alguns deles seus velhos conhecidos das sanzalas vizinhas, que vinham para beber umas CUCA's e comprar uns maços de cigarros.
Mal o Sr. Costa se vira para a prateleira, uma afiada catana é-lhe cravada nas carnes e ouvem-se os gritos: - "UPA!!! UPA!!! Mata!!! Mata!!!". Em menos de um instante o comerciante é retalhado às postas. A esposa Ilda, que no quintal tratava da criação e apanhava umas couves, não ouviu o mínimo ruído.
As filhas do casal acabaram de tomar a primeira refeição da manhã e a mais velhita pediu à irmã para lhe ir à cozinha buscar uma pouca de água. Pela janela viu um dos criados chamar por ela, pelo que se aproximou confiante, até porque o homem andara com ela ao colo e servia o pai há muitos anos.
Quando se aproximou, o criado perdeu toda aquela humildade que sempre demonstrara, e é sem docilidade alguma que levanta a mão armada com uma catana, pronto a desferir o golpe. Porque "ao menino e ao borracho mete Deus a mão por baixo", ela logrou escapar-se e correu para o pé da mãe, que a partir daquele momento se apercebeu do perigo que todos corriam .
Dona Ilda dirige-se para a cozinha, com as couves que apanhara e a seu lado a cachopa tremendo de medo. A prima dela, com o bebé de meses ao colo, também chega à cozinha no momento preciso em que Dona Ilda pega nas mãos das filhas e as empurra e à prima na direcção da porta, gritando-lhes que fugissem dali e se escondessem.
Quando ia à procura o marido, vê meia dúzia de negros empunhando catanas e gritando. O marido já não lhe poderá valer e os negros cortam-lhe a passagem. A filha mais nova esconde-se então debaixo de um camião e ainda viu a mãe caír dobrada sobre um dos braços, soltando dois gritos lancinantes no momento em que ficou prostrada.
Um outro comerciante morreu com uma lâmina atarrachada no crânio, os olhos espantados e o sangue a jorrar como uma fonte. Nem se mexeu! Uma irmã, já com algumas catanadas no corpo, ainda ofereceu ao seu algoz: - "Não me mates que eu dou-te pão!", recebendo por resposta: - "Não queremos o teu pão para nada! O que queremos é sangue, o vosso sangue, porque as crianças de agora são os colonos amanhã!" Aquele 15 de Março marca uma viragem, um momento em que homens tomam entre mãos as vidas de milhares de vítimas inocentes e as sacrificam em holocausto, porque outros valores se sobrepunham à vida humana.
50 anos depois, apetece perguntar àqueles energúmenos se realmente valeu a pena ficarem rotulados de assassinos sanguinários, mesmo que os actuais senhores de Angola lhes chamem heróis ou mártires, porque aqueles que deram a cara no 15 de Março não andam hoje a gozar as mordomias que o senhor Presidente de Angola concede aos seus "combatentes da liberdade", porque membros do MPLA. Não terem a sorte que calhou na roleta a Jonas Savimbi, já é de agradecer aos céus, pois Angola não gosta de repartir nada com ninguém! És do MPLA? Então goza as delícias que te estão reservadas, as festanças, as passeatas, as empresas, os bens que em tempos foram dos colonos, os carros topo de gama, pois quem é do MPLA está garantido.
E o Povo? Esse não conta! O MPLA vai dizendo que os Portugueses querem voltar a colonizar, que continuam a roubar, agora através das empresas portuguesas que operam em Angola... e o Povo Angolano é sereno e não se zanga com o dos Santos... até porque são as mininas do Presidente e elas não iam aproveitar-se daquilo que o sangue e o terror conseguiram.
PORQUE EM ANGOLA... O TERROR CONTINUA!

quarta-feira, 9 de março de 2011

ANGOLA... ADIADA?

Parece que José Eduardo dos Santos ainda se não cansou de ter o "seu" Povo a gritar com fome de tudo o que de mais importante falta no seu quotidiano! O Senhor todo poderoso de Angola não se apercebeu ainda que as fomes não são apenas de pão, mas também de justiça, de bem estar social, de paz, de trabalho igual para todos, de educação e cultura, de liberdade em todas as circunstâncias, porque não basta ser livre para gritar vivas ao Presidente... porque o MPLA é a referência que pocurará dar aos militantes ou apoiantes aquilo que eles mais procuram, que é dinheiro e posição social acima de qualquer outro dos angolanos... desde que se saibam gritar vivas ao dos Santos e seus apaniguados.
Trinta e dois anos de ditadura partidária, de roubos de igreja que bradam aos céus, porque não é possível alguém acreditar que um grupo de criminosos terroristas, que se diziam combatentes da liberdade e independência mas mancharam as mãos de sangue inocente em nome de uma Angola que lhes permitisse encherem os bolsos com aquilo que foram "confiscando" aos que eram mortos ou corridos para o mar, como o ideólogo de toda a trama, o falecido e endeusado "pai da Pátria" Dr Agostinho Neto, algumas vezes preconizava.
Este José Eduardo, que em Moscovo estudou enriquecimento rápido a par da engenharia, está a dar mostras de ser um fiel servidor do MPLA de Neto, pois procurou deixar fora de combate o Dr. Jonas Savimbi e enxovalhou Holden Roberto para lá do exigível, pois ele não pretendeu jamais outra coisa que não fosse vêr os Portugueses de costas... e isso bastou-lhe, já que os amigos americanos lhe deram o necessário enquanto dele necessitaram! Mas a União Soviética trabalhou bem o seu fantoche... deixando que ele enchesse a blusa das ricas filhinhas, fazendo delas bons partidos, ao mesmo tempo que cumpria os mil e um desideratos que a Mãe Rússia lhe tinha traçado na linha do futuro.


Leio mil notícias de grandes conquistas de Angola em termos de crescimento... com avenidas de sonho, edifícios de fazer sonhar, indústrias várias que estão em alta... mas nada de se anunciar que o povo está finalmente a gozar tudo aquilo que é seu por direito inalienável, como seja o ter acesso à saúde, ao trabalho em igualdade de circunstâncias com os que têm cartão do Partido governamental, à habitação condigna, com tudo aquilo que é exigível para que possam ter um local capaz de ser factor contributivo para o bem estar familiar... etc...etc...
Quem viu Luanda nos finais dos anos 70 e vê a Luanda pós independente, não cometerá o crime de dizer que tudo está como antes... porque mesmo com as novas construções, a cidade está um caos! O lixo é mais que muito; as doenças são alarmantes; só há alcatrão para as vias onde residem os novos ricos, na Luanda Sul, pois o resto é paisaigem.
Trinta e muitos anos depois da independência, é de crêr que Angola evoluiu positivamente em muitos aspectos... mas aquilo porque um dia se derramou o sangue inocente de tantos Portugueses e Angolanos foi a esperança de se alcançar a liberdade e independência em plena democracia, porque esta não é um papão para ninguém, mas exige consciencialização daqueles que governam, para que seja um bem em si mesma e não mais uma chaga aberta pela intolerência daqueles a quem foi cometido defendê-la com o mesmo empenho que colocaram na sua conquista!
As recentes manifestações são a prova de que o Governo angolano não está preparado para a democracia, não está consciente do seu papel relevante na construção de um País que seja uma referência no contexto africano, capaz de ser exemplo para os outros do que pode conseguir-se com urbanidade, verdade, tolerância, consciencialização, justiça, segurança, trabalho, equidade e aplicação real de todas as boas normas exigidas pelas relações humanas.
Talvez seja chegado o tempo para se dizer basta às injustiças de um Governo que não merece o Povo que tem!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

MORREU UM AMIGO DO NEGAGE

AUGUSTO CÂNDIDO PINTO COELHO SOARES DE MOURA, ou simplesmente Comandante Soares de Moura, como a maioria dos amigos o tratava, Coronel Piloto Aviador na situação de Reforma, da "sua" Força Aérea, que serviu de forma brilhante, faleceu no passado dia 11 de Fevereiro. Natural de Lagoas, no concelho de Lousada, onde residia na sua Casa da Lama, era uma pessoa humilde, plural e moderno, um senhor elegante, na verdadeira acepção da palavra, que descendia da antiga aristocracia portuguesa.
Homem de muitos saberes, de palavra fácil, frontal e recto, foi escritor, poeta, investigador histórico, agricultor, mas foi como Piloto Aviador que se viu guindado a um estatuto a roçar a heroicidade, quando comandou o Aeródromo Base nº. 3, no Negage. Foi o primeiro a assumir tal cargo, numa Angola que aprendeu a amar logo que foi destacado para em Malange participar na chamada "Guerra do Algodão", que havia eclodido em finais de Janeiro, princípio de Fevereiro... um mês antes do início do terrorismo.
Era uma daquelas pessoas que admitia serem as hierarquias privilegiadas, pois não ganhavam a mesma coisa e tinham uma alimentação diferente: - Os Soldados andavam vestidos de uma maneira, os Sargentos e Oficiais de outra, uma vez que até o tecido das fardas era diferente, tal como acontecia com a alimentação, pois as praças comiam o chamado "rancho", os sargentos já comiam na chamada "Messe de Sargentos", assim como os oficiais comiam igualmente na sua Messe de Oficiais.

Soares de Moura foi para Angola como Major e regressou como Coronel. A guerra havia estourado a 5 Km de Carmona, pelo que logo se pegaram os aviões para "in loco" verificarem o que se estava a passar... vendo uma enorme fila de carros que pretendiam abastecer-se numa bomba de gasolina, dado as pessoas tentarem fugir dali, onde já havia muitos mortos e os inúmeros feridos começarem a afluir ao aeródromo ainda em construção. Segundo palavras de Soares de Moura, "...são imagens que nunca esqueceremos!". O episódio que mais o terá marcado teria lugar dois dias após o início do genocídio perpetrado pelos terrioristas. "As pessoas andavam todas a fugir, especialmente as mulheres, e havia uns aviões que vinham de Luanda lá à Base. Bom, mas os aviões aterravam e levavam aí umas 40 a 50 pessoas para Luanda, mas elas chegavam às centenas e então a única solução era a fila. As filas chegavam, às vezes, a estar formadas uma, duas três ou 4 horas, até que o avião chegasse a Luanda, descarregasse e voltasse, enquanto as pessoas ali ficavam horas às espera... ou então que houvesse outro meio de apoio.
Tivemos pena e começamos a fazer sopas ou um bocado de leite para os bébés que as mães traziam ao colo e que a Cruz Vermelha também procurava ajudar. Eu, por essa altura não estava a voar e andava por ali a distribuír pão e sopa, que as pessoas agarravam logo, mas houve uma senhora, vestida de preto, não sei porquê, mas notei que estava de preto e era relativamente idosa, que não aceitou o que lhe dava. "A senhora não quer nada? Olhe que é capaz de estar aqui muito tempo..." e ela chorava, chorava e não abria a boca, nunca abriu a boca para dizer nada.
Os pretos haviam-na agarrado... e ela esteve nas mãos dos pretos toda a noite, sendo libertada apenas pela manhã... pronto... coitada da senhora... disse que estava...pronto, foi isto! Nós somos homens e tal, mas os homens também têm coração. E estas coisas são muito bonitas de se contar e ouvir, mas estar lá... Ela tinha olheiras até cá abaixo, chorava, chorava, chorava, não queria comer, não queria nada!"
Recusou frequentar o curso de Oficial General, optando pela passagem à Reserva e posterioriormente à Reforma, não sem que antes tenha prestado serviço nos Serviços Sociais das Forças Armadas, o que fez durante 14 anos.
Era detentor da Cruz de Guerra de 1ª. Classe, duas Medalhas de Prata de Serviços Distintos, com palma, Mérito Militar de 3ª. Classe, Comemorativa das Forças Armadas no Norte de Angola e da Espedições das Forças Armadas de Moçambique. Era ainda detentor da Medalha de Prata de Mérito Municipal de Lousada.
O funeral realizou-se no passado Sábado, dia 12 de Fevereiro, para o Cemitério de Lodares - Lousada.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Início da rebelião na Baixa do Cassange - Jan/61
Começaram em Janeiro de 1961, com a rebelião na Baixa do Cassange, as passadas inerentes a uma independência que nunca se duvidou vir a acontecer, considerando os caminhos de todas as colónias até à pouco existentes e tornados países nos últimos tempos, como corolário do fim da 2ª. Guerra Mundial.
Não que tenham alguma coisa a vêr o desejo de serem dadas às populações melhores condições de vida, mas sim com a "conquista" conseguida pelos novos ventos da história, que pretendiam tornar os novos países em satélites dos paraísos socialistas da esfera Soviética.
A Baixa do Cassange tem sido desde sempre uma arma de arremesso para justificar o terror que viria a ser instituído em Angola a breve trecho. O MPLA, tentando agarrar-se ao leme da revolução que estava a preparar-se nem eles mesmo sabiam onde, dá continuidade à inssurreição da Baixa do Cassange, atacando mesmo no coração de Angola, em plena Luanda.
Funeral das 1ªs vítimas do 04 de Fevereiro 1961 em Luanda

Na realidade, a madrugada de 04 de Fevereiro de 1961 ficou marcada por uma iniciativa do Movimento do Povo para a Libertação de Angola - o MPLA -, movimento presidido pelo médico angolano Dr. Agostinho Neto, que organizou um ataque conta a Casa de Reclusão de Luanda e a Cadeia de São Paulo, visando a libertação de presos políticos angolanos, encarcerados naqueles estabelecimentos prisionais.
Os atacantes estavam ensinados a utilizar a catana como arma, mas não deixaram de utilizar toda a espécie de armas, como canhangulos de fabrico caseiro, caçadeiras, toda a ordem de paus, que esgrimiam como cacetes, etc.
Também a 7ª. Esquadra da Polícia de Segurança Pública de Angola e a Emissora Oficial de Angola e o Aeroporto Craveiro Lopes estão na linha das tentativas de ataque em curso naquela madrugada. Os grupos guerrilheiros são comandados Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus e Imperial Santana, que têm sobre as suas ordens cerca de 200 homens.
Emboscaram uma patrulha da Polícia Militar e roubam armas e munições aos 4 soldados. Nas várias acções morrem 6 Polícias e um Cabo do Exército, este junto da Casa de Reclusão. No rescaldo, os terroristas deixaram no terreno inúmeros mortos e feridos.
Terror perpetrado pela UPA no Norte de Angola em 15 de Março 1961
Os ataques a Luanda estavam previstos apenas para 13 de Março, para coincidirem com os ataques no Norte e com o debate nas Nações Unidades, mas o facto de ter havido o assalto ao paquete "Santa Maria" trouxe a Luanda muitos jornalistas estrangeiros... além da insistência do Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, da Sé de Luanda, que era o inspirador da toda a rebelião, levaram a que as três centenas de homens que estavam com ele no momento se resolvessem por iniciar a rebelião mais cedo.
No entanto a União dos Povos de Angola - UPA-, chefiada por Holden Roberto, não abandonou o seu empenho em iniciar os banhos e sangue e a sementeira do terror que tinha previsto para Março e vai de atacar tudo o que fosse branco ou trabalhasse para o branco... mesmo os pretos e angolanos como eles - os que o eram, pois alguns seriam homens do outro lado da fronteira - e a ordem era matar... matar... matar... não importando quem!
E os massacres aconteceram! O genocídio de milhares de brancos e negros começou aí a desenhar-se, depois quem ocorreu o "ensaio" da Baixa do Cassange.
Não podem esquecer-se aqueles que foram imolados à sanha assassina de uns tantos energúmenos sedentos de sangue, que iniciaram a escrita da palavra INDEPENDÊNCIA com o sangue... vindo tantos anos após pedir contas do mal que foi feito pelos que se aproveitaram da boa fé e os levaram a praticar a barbárie! Peçam contas aos que ficaram ricos à conta do suor e sangue dos outros, sabendo-se que o poder e a riqueza estão agora nas mãos de uns tantos que eram ao tempo "comandantes" dos homens que nas matas "lutavam" pela "liberdade"... coisa que jamais vieram a conseguir, porque Angola parece ser uma coutada de uns tantos, que se riem da ingenuidade do verdadeiro Povo de Angola, que passa fome e vai sendo enganado com os apelos:
"VINGUEMOS AQUELES QUE FORAM MASSACRADOS NA BAIXA DO CASSANGE, POIS ESSAS VÍTIMAS DO COLONIALISMO SÃO OS HERÓIS DO POVO DE ANGOLA!".
Não é que não sejam... mas e os outros?

domingo, 16 de janeiro de 2011

50 ANOS DA OPERAÇÃO DULCINEIA


O Santa Maria recebido em Alcânta - Lisboa,
devidamente engalanado
No próximo dia 22 de Janeiro completam-se 50 anos sobre o assalto ao navio "Santa Maria", perpetrado por um grupo de opositores aos regimes de Franco e Salazar, chefiados pelo Capitão Henrique Galvão, que embarcara clandestinamente em Curaçau, juntamente com outros três elementos da DRIL - Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação. Em La Guaira já haviam embarcado outros 20 elementos da DRIL.
Henrique Galvão vivia exilado na Venezuela desde 1959, planeando efectuar ataques à colónia espanhola de Fernando Pó e daí atacar Luanda, iniciando o derrube dos governos de Lisboa e Madrid precisamente a partir de Angola. Para o efeito resolveu tomar de assalto o paquete "Santa Maria" por ser um dos melhores da frota portuguesa e ter uma capacidade superior em relação aos navios espanhóis de então.
Era precisamente 1 hora e 45 minutos da madrugada de 22 de Janeiro de 1961 quando os 24 homens de Galvão tomaram conta da ponte de comando e cabine de comunicações TSF, dominando os oficiais do navio. O Terceiro Piloto, João José Nascimento Costa, ofereceu resistência aos assaltantes, sendo morto a tiro.
Pouco depois, o paquete alterou a rota para leste, procurando alcançar o Atlântico. Chegou à ilha de Santa Lucia e desembarcou, numa das lanchas a motor, 2 feridos graves e 5 tripulantes, pondo assim em causa a hipótese de atingir a costa africana sem ser detectado, como seria desejo de Galvão, mas o facto de haver cruzado com um cargueiro dinamarquês confirmou terem-se gorado as hipóteses de passar despercebido, pois ao traír a posição logo um avião americano o localizou no mar.
A 2 de Fevereiro acabou por fundear no porto brasileiro de Recife, onde desembarcou passageiros e tripulantes, pensando Galvão que deveria afundar o navio, o que não veio a acontecer, porque os assaltantes renderam-se às autoridades brasileiras, que lhes concederam asilo político.
Capitão Henrique Galvão
Talvez não por acaso, coincidiu com o desvio do "Santa Maria" a eclosão dos ataques do 04 de Fevereiro em Luanda, a que se seguiram os trágicos acontecimentos de 15 de Março, que puzeram o Norte de Angola a ferro e fogo e obrigaram o Governo de Lisboa a decidir-se por enfrentar a situação com o envio, a partir de Abril, "rápidamente e em força", de forças militares e armamento capazes de suster a bestialidade dos massacres terroristas então verificados. Esta guerra, que se iria estender a outras Províncias Ultramarinas, foi o prenúncio do fim do Império Português de África... e não só.
O curioso é que Henrique Galvão era um indefectível do Estado Novo, sendo considerado um dos "Oficiais novos pessoalmente devotados", no dizer da Administração Central, a pontos de constar amiúde nas listas da União Nacional para as Legislativas. Tanto era que acabou por ser nomeado Inspector Superior da Administração Colonial... mantendo este cargo até se tornar dissidente. O auge da sua carreira ao serviço do Estado atinge-o em 1940, quando se vê encarregado da organização da Secção Colonial da Exposição do Mundo Português, do Cortejo do Mundo Português e das Comemorações da Fundação da Nacionalidade.
Tinha estabelecido uma relação de alguma confiança com Salazar, tornando-se mesmo um dos seus militares favoritos, pelo que era incumbido de algumas missões importantes pelo império.
Em meados dos anos 40 começa a sua auréola a perder o brilho, mercê das posições e afirmações políticas que foi assumindo.
Era um homem de acção e defensor acérrimo das suas convicções, tal como o seu "associado" na oposição Humberto Delgado, que teve também um percurso de "amigo do Governo de Salazar"... até este lhe negar os favores que lhe tinha pedido.
50 anos depois, continua a ser pertinente o dizer camoneano "PORQUE TRAIDORES ENTRE OS PORTUGUESES SEMPRE OS HOUVERA!".