sexta-feira, 10 de setembro de 2010

RECORDANDO...

No já longínquo ano de 1975, no dia 15 de Janeiro, assinava-se no Alvor, em pleno Hotel da Penina, o acordo que os Movimentos angolanos mais almejavam, pois foi colocado no papel algo que lhes era muito caro: ANGOLA IA FINALMENTE ASCENDER À INDEPENDÊNCIA!
Não se sabia muito bem como iria ser feita essa mudança, porque cada um dos partidos subscritores do Acordo tinha intenções muito diferentes daquilo que haviam acordado, dado que prentendiam exercer o Poder sem dar cavaco uns aos outros, o que se veio a revelar-se trágico.
"As negociações, que se arrastaram meses a fio, foram bastante cuidadas e preparadas com a ajuda da OUA, que foi fundamental para o reconhecimento dos direitos de cada um dos Movimentos, mas o facto de serem três a disputar o território deu tremendas dores de cabeça. Angola seria declarada, no seu todo indivisível, incluíndo o enclave de Cabinda, como País independente, ficando decidido que seria nomeado um Governo de Transição, com 12 ministros, sendo 3 portugueses e 9 saídos da coligação partidária, sendo Portugal representado ainda por um Alto-Comissário, às ordens do Presidente da Répública Portuguesa. Haveria um Conselho Presidencial constituído por um representante de cada Movimento, que teria a presidência do Governo, de forma rotativa, até à data da independência, que seria declarada no dia 11 de Novembro.
O Governo deveria tomar posse até fins de Janeiro, sendo marcadas eleições num prazo de nove meses. Ficou ainda assente a constituição de mumas Forças Armadas Unificadas com 48.000 homens, assim distribuídos: 24 mil Portugueses e 8.000 de cada um dos Movimentos. O excedente das Forças Armadas Portuguesas deveria retirar-se de Angola até ao mês de Fevereiro de 1976.
Todos os bens dos Portugueses residentes seriam respeitados e assegurados, comprometendo-se os Movimentos de Angola a considerar cidadãos Angolanos todos os nascidos naquele território ou aqueles que se declarassem angolanos por opção. Todos os não nascidos em Angola ficariam sujeitos ao que a futura Constituição da República Angolana estabelecesse."
Este Acordo foi firmado pelo Ministro sem pasta Melo Antunes, por Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Almeida Santos, Ministro da Coordenação Inter-Territorial e pelos líderes dos Movimentos MPLA, FNLA e UNITA.
Estou convencido que jamais algum dos Movimentos sobrescritores dos Acordos do Alvor teve, em momento algum, a intenção de fazer qualquer esforço que levasse a conseguir-se, de alguma maneira, um consenso que viesse a permitir haver em Angola uma governação tripartida. Eles quizeram foi legitimar qualquer tomada de posição pela força, pois estavam legitimados para acusar os outros de não quererem cooperar... e sabe-se bem aquilo que aconteceu, com a ajuda de alguns militares Portugueses... mas isso fica para depois..

1 comentário:

AFRICA EM POESIA disse...

Apetece chorar
A casa do JoaO fERREIRA È Um Banco sem vidros
A Padaria a casa do Luis Ferreira(hotel) como tudo se transformou para pior.
um beijo