sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Repensando Angola...

Muitas vezes me interrogo sobre o que foi a presença Portuguesa em terras de Angola, que se prolongou por muitos anos - alguns dirão anos demasiados - e deram azo ao nascimento de uma nova Pátria... talvez não multicultural, multi racial ou tudo aquilo que queiram dizar quanto a uma presença de 500 anos feita pelos Portugueses, muito a contra gosto de alguns que acham ter sido uma perda de tempo para as populações, porque não pudemos ou não soubemos ser um Povo capaz de dar um pouco da civilização ocidental àqueles a quem "colonizámos", "explorámos", "roubámos" ou "massacrámos" em nome de um rei ou de um presidente que ousámos impôr pela força não sei bem de quê.
É que nunca percebi como fizemos tantas coisas más de que nos acusam, quando a verdade é que foram os Portugueses, vindos do "Puto" distante, uma insignificância territorial quando comparado com o colosso chamado Angola, quem construíu os alicerces daquilo que é hoje um dos maiores países da África Ocidental, quando olhamos para alguns dos chamados "impérios" africanos que são apenas uma miragem do progresso que se vê por todo o território outrora administrado pelo N'Gola, a Rainha Ginga e todo um cotejo de sumidades que fizeram a história de Angola... juntamente com os Portugueses.
Portugal "deixou" para trás a senda do progresso metropolitano para "construír" a Angola que é hoje um orgulho para toda a África. Quantos sacrifícios foram feitos para que ali se pudesse "fazer aquele bocadinho de terra" capaz de dar o pão para as famílias... porque a terra Angolana é uma terra fértil, generosa para com quem a trabalha, logo capaz de dar resposta aos anseios daqueles que deixaram tudo para fazer nas terras que escolheram para receber o seu trabalho, o seu suor, o seu amor total e desinteressado, que o foi de tal modo que até o seu sangue acabaram por lhe dar, em muitos casos.
A inveja de alguns levou ao aliciamento de muitos outros... a intolerância fez a sua parte... e o terrorismo surgiu! Muitos pagaram com a vida o desejo de uma vida melhor, a doação a uma terra generosa... mas muito injusta na forma como tratou aqueles que a quizeram progressiva. Talvez não fosse bem a terra a ser injusta, mas sim os ódios de uns tantos que pretenderam caminhos de ódio, de terror, de vinganças contra quem teve como única culpa o ter aprendido a amar aquela terra abençoada que dá pelo nome de Angola.
Ainda há muito para fazer, porque Angola ainda não é o País da Liberdade, da Justiça, da Paz, das Oportunidades... mas esse dia virá! O sangue vertido em holocausto assim o exige... e as dívidas de sangue pagam-se, mais tarde ou mais cedo.

1 comentário:

António disse...

rotisvaile,

Depois de ler a sua mensagem "Repensando Angola...", estou de acordo com algumas das suas opiniões sobre a presença dos portugueses em Angola, que terminou inglóriamente com uma Guerra de mais de 13 anos (1961-1974) que em nada prestigiou Portugal na cena internacional. Só a teimosia do ditador Salazar foi responsável pela morte de 8.290 militares (dados oficiais) nas três frentes da Guerra Colonial (Angola, Moçambique e Guiné). Estou plenamente de acordo quando diz que "colonizámos", "roubámos", ou massacrámos" - um Povo que teve direito à sua Pátria. Eu também tive a minha "guerra" no norte de Moçambique. Felizmente saí ileso, mas podia lá ter deixado a minha vida, numa guerra sem sentido. Graças aos militares de Abril! os jóvens deixaram de ser «carne para canhão»

Com os meus cumprimentos
António Carvalho