sábado, 7 de agosto de 2010

COMO "DESCOBRI" ANGOLA


Narração da chegada a Luanda no já distante ano de 1964, onde transcrevo as minhas primeiras impressões de um capítulo da minha vida que poderia bem chamar-se
" A CHEGADA - Memórias da Terra Angolana - ou "COMO DESCOBRI ANGOLA".
Após sete dias embarcado no celebrado paquete "VERA CRUZ", irmão daquele que o Galvão assaltou e que se chamava SANTA MARIA, mas que o Pirata assaltante rebatizou como SANTA LIBERDADE, eis que chegou à baía de Luanda, onde não cheguei nos passeios dos aviões dos TAM (Transportes Aéreos Militares) porque não arranjei disponibilidade de um lugarzinho, dado haver muita gente que gostava de dar estes passeios LISBOA-LUANDA,... e eu era apenas um cabito do Serviço Geral da Força Aérea... portanto uma tipo muito baixinho para estar com exigências no tratamento a ter na deslocação para Angola.
O que é verdade é ter chegado a Luanda e estar a ter o primeiro contacto com aquelas terras onde um dia chegou o Diogo Cão, que pretendeu mostrar serviço e zás: CHEGOU À FOZ DO RIO ZAIRE e foi logo fazer queixinhas ao seu Senhor e Rei: - "DESCOBRI ANGOLA!!! BEM FEITO!!!". Só não sei se ele disse que o ar era quente, como o comprovava a lufada de ar quente que me bateu nas ventas..., supondo que o termómetro existente no Porto de Luanda estava certo: 39% - humidade superior a 66% - ar sofucante... enfim ESTAVA EM ÁFRICA!
Uma emissão de rádio que se ouvia na barbearia da 2ª. Classe do Paquete, dizia: "EMISSORA OFICIAL DE ANGOLA A TRANSMITIR DOS SEUS ESTÚDIOS DE LUANDA - ÁFRICA OCIDENTAL PORTUGUESA! BOM DIA".
Ao contrário dos outros Militares passageiros daquela nau não catrineta, eu viajava só... mesmo que acompanhado por duzentos Pára-quedistas, 70 Especialistas e 150 Políci8as, Clarins, Condutores e outros homens do Serviço Geral da Força Aérea, pois o General CEMFA não gostava que o pessoal andasse sózinho lá pelas Áfricas. As "CUCAS" e as "NOCAIS" precisavam de quem as tratasse bem e dois sempre são melhor companhia que um.
Apesar de viajar só, não me dava o previlégio de ter alguém destacado para me esperar... até porque me destinava ao Negage, concretamente ao AB3, situado numa zona que me dizi9am ser de traulitada de criar bicho, mas eu tinha muitas reservas sobre esta informação, pois na Formação de Adidos, onde trabalhei, conheci muita gente que veio de lá e dizia maravilhas... mas também sei que em Luanda era mais o barulho feito pela "Tropa" que pelos "Turras", nunca se sabendo o dia de amanhã! Quando lá chegar eu digo!
Uma carrinha TP 21 da FAP estava destinada a transportar os Oficiais e Sargentos que vinham no barco até às Messes respectivas, que ficavam na cidade. As Praças tinham dois autocarros às ordens e havia ainda uma Wolksvagen Combi, que levava a maralha para a Base Aérea 9. Os "Páras" esperariam por viaturas que os levariam para o BCP 21, em Belas.
A Base Aérea nº. 9 era um enorme complexo militar construído nos terrenos do Aeroporto Craveiro Lopes, numa das "pontas do Bairro Salazar", mesmo na periferia da cidade de Luanda.
Mal cheguei à BA9, logo veio malta amiga e conhecida ao meu encontro, alguns que eu tinha embarcado para ali, outros que conheci em Tancos ou em Monsanto. Queriam saber notícias do "Puto"... ou saber se havia algum petisco trazido da terra, porque tudio servia para matar saudades... diziam eles.
Tratei foi de arranjar uma "visita guiada" à cidade, porque precisava de esticar as pernas, depois daqueles dias de "VERA CRUZ"! Até embarcar pera o Negage, o que iria acontecer daí a uma semana, tratei de conhecer a maravilhosa e admirável capital de Angola.
CONTINUA...

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