segunda-feira, 28 de junho de 2010

EXÓRDIO...

Terroristas de Angola

Alguém se perguntará sobre o termo "exórdio" para falar dos tempos da guerra, da construção de uma nova Pátria, do esforço dos homens que deram o melhor de si mesmos para que outros pudessem viver, mas não terá muito que se preocupar com o palavrão, que apenas significa "começo" de uma narrativa, de uma história... quiçá...
A primeira memória que me ficou da brutalidade da guerra que se viveu em Angola, foi mais visual que escrita, mas mesmo assim brutal, porque as fotografias que se publicavam nos órgãos de Comunicação Social - naquele tempo chamada apenas de Imprensa - vindas da "aventura" dos repórteres de imagem que andavam pelas matas angolanas, nos primórdios dos anos 60, eram de molde a criar um sentimento de terror, dada a crueza do método empregue pelo inimigo, que utilizava catanas e canhangulos para degolar, mutilar, esventrar, decepar, estropiar todos aqueles que tivessem a pele branca ou tendo a pele negra vivessem em comunidade com aqueles.
Não lhes importava, aos inimigos, que fossem velhos, mulheres ou crianças: Eram brancos, tinham de morrer! Aqueles que liam os relatos da carnificina, primeiro nos jornais e depois nos livros que iam sendo publicados, quantas vezes terão sido levados a considerar exagerados tais relatos, até pelo facto de haver quem tudo fizesse para que o Povo não tivesse certezas, lançando constantes dúvidas nos seus espíritos.
É certo que muita gente vivia em constante sobressalto, reforçadas que eram as suas dúvidas pelas vozes traiçoeioras de alguns "portugueses" vendidos a interesses escusos, que aproveitavam as rádios instaladas em alguns Países "inimigos" da política portuguesa, como eram os casos da "Rádio Moscovo", "Voz de Argel", "Rádio Portugal Livre" e outras congéneres, que estavam ao serviços de potências ou organizações anti-portuguesas.
A guerra invadia todas as conversas, e à medida que havia mais gente implicada nela, cresciam também as dúvidas sobre o porquê da presença das Tropas Portuguesas em África, reservas quanto ao esforço de guerra, etc, etc. Havia jornais clandestinos a fazer eco das violências praticadas pelas nossas Tropas nas Colónias, milicianos que passavam à disponibilidade desabafavam, logo após a chegada, mostrando toda a amargura que tinham passado nas terras da guerra, as mobilizações sem sentido, as associações de estudantes que punham em causa tudo em geral e a guerra em particular!
É nestes momentos que a deserção impera e se dão as fugas de jovens para o estrangeiro, que vão "a salto" para não terem de sofrer os horrores da guerra, como alguns movimentos vão descrevendo a situação e promovendo a solução.
Os feitos dos Homens que estiveram no Negage, em Nambuagongo, em Mucaba ou na Pedra Verde, a glória de Homens como Maçanita, Duque, Robles, Lobato Faria, Mota da Costa, Catarino Tavares e tantos outros que serviram Portugal em África e lutaram em terra, ar e mar, não podem ser olvidados apenas porque este País ostracisa oa seus Maiores em detrimento das doutrinas partidárias de alguns.
Exórdio significa "começar", mas a dignidade daqueles que deram o melhor de si em defesa da Pátria não poderá ter como remate o abandono puro e simples, até porque o sangue dos que pereceram clama das tumbas!
Façamos por os merecer!

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