sexta-feira, 9 de abril de 2010

HONRAI A PÁTRIA...

Já são passados mais de 90 anos sobre a data em que os Soldados e Sargentos que estavam nas trincheiras da Flandres, se puzeram a correr assim que deram pelos soldados do Exército Imperial Alemão ali no meio daquelas terras de ninguém. Aqueles Oficiais que ainda não tinham desertado a coberto de uma qualquer licença, já há muito haviam abandonado o conforto dos quartéis. No campo, entre mortos, feridos e prisioneiros, contavam-se 7 000 baixas. O desastre de La lys não constituía qualquer novidade, pois desde há muito estava anunciado, precisamente a partir do momento em que, em 1916, o governo de Afonso Costa, acossado por todos os lados, resolveu declarar guerra à Alemanha, numa tentativa de inventar um inimigo externo que desviasse as atenções dos problemas internos. Nesse dia que se traçou o destino de milhares de Portugueses: um exército depauperado, comandado por oficiais incompetentes, cuja promoção dependia das simpatias políticas, iniciou em Tancos a preparação para uma guerra inexistente, a que pomposamente se chamou “Milagre de Tancos”.

No ano em que a República comemora o seu centenário, o certo é haver faustosidade nos eventos comemorativos, com homenagens aos Militares mártires que pereceram em La Lys... em nome de uma República então a viver a sua infância. Haverá evocações bacocas dos Heróis da Grande Guerra - que o foram, efectivamente -, elogiando-se o sentido patriótico daqueles que deram a vida em holocausto da Pátria... mas desde já me parece um exercício cínico, especialmente porque o Governo da República não tem vocação para honrar os Combatentes de qualquer tempo, sejam eles da Grande Guerra, da Guerra do Ultramar ou das Guerras da Independência, da Restauração ou das Estrelas.
Não! O Governo Português teima em marginalizar aqueles que combateram no Ultramar, ostracisando por completo a memória dos que pereceram na defesa de pedaços de chão pátrio Portugues, porque sentiam que as terras de Nambuagongo, Pedra Verde, Úcua, Mucaba, Santa Eulália, Tentativa, Loge, Guileje, Guuidage, Cantanhez, Tite, Chai, Niassa, Cobué, Mueda, Tete, Cabo Delgado, Namgololo, Miteda, Omar, como Cabo Verde, Timor, Macau, São Tomé e Príncipe eram parte da herança que os antepassados lhes haviam deixado como legado para que continuassem Portugal do Minho a Timor.
Talvez o 09 de Abril possa um dia ser considerado DIA DO COMBATENTE PORTUGUÊS... mas até lá, seria pertinente que a Pátria tratasse os Combatentes vivos com a dignidade que eles merecem! Mal está o País que não reconhece os seus Heróis!

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