terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde há fumo...

De vez em quando, lá lemos mais um "testemunho" tomado num qualquer e-mail de alguém mais atento a estas coisas... e quando há fumo, certamente há fogo, ainda que de algum modo abafado. Sobre o candidato à Presidência Manuel Alegre, recebemos este "testemunho", que damos à estampa:
" Manuel Alegre - desertor ou colaborador com o IN? Os dados disponíveis sobre esta questão…
Seria de muito interesse conhecer o conteúdo das emissões da dita Rádio da Liberdade. O conhecimento genérico é que deu apoio (durante dez anos) aos movimentos guerrilheiros, que nos faziam a guerra, o que ele não desmente. Assim, nesse longo período de tempo, (toda a guerra da Guiné e de Moçambique) Manuel Alegre esteve do lado dos que combatiam contra nós…
VERSÃO DE MANUEL ALEGRE, EM MARÇO 2010 (in DN -27-3-2010)
“Eu não sou desertor, nem nunca fui. Eu estive na guerra; estive em Mafra, nos Açores e Angola. Sou até dos candidatos presidenciais o único que entrou em combate. Depois estive envolvido numa conspiração em Angola, pela qual fui preso e passado á disponibilidade (1). Fui-me embora para não ser preso pela PIDE, por razões políticas.
“Eu não tenho juízo moral nenhum sobre aqueles que desertaram, até porque, naquela altura, muita (2) gente achava legítimo fazê-lo. Mas eu não desertei e não quis desertar; quis viver a experiência da guerra e vivi a situação de combate no pior momento da guerra em Angola, que foi em 1962-63, com as minas a rebentar em Nambuangongo e Quipedro, que era a capital da guerra. E não me arrependo dessa experiência (…)”.

Notas:
(1) Nesta peça jornalística não foi apresentado qualquer documento sobre a sua passagem à disponibilidade, mas apenas um, onde o Comandante da Região Militar de Angola dava a opinião de que devia ser passado à disponibilidade. A regra militar de quem estava a aguardar julgamento em Tribunal Militar era manter-se na situação de estar á disposição deste tribunal, antes de passar à disponibilidade.
(2) Nestes primeiros anos de guerra os desertores eram praticamente inexistentes.

VERSÃO DE MANUEL ALEGRE, EM 1995 (in “Guerra de África (…)” de José Freire Antunes (Extractos).
“ (…) De facto (o comandante militar de Angola) mandou-me, sob prisão militar, de regresso a Lisboa, onde estive com residência fixa. Cheguei a Lisboa em Dezembro de 1963. Mais tarde, em Maio de 1964, fui informado de que iria ser preso e enviado para Angola, para ser julgado em tribunal militar. (…) passei á clandestinidade.”
“(…) Fui convidado para trabalhar na Rádio Argel e acabei por lá ficar. Quem dirigiu primeiro a rádio foi o Tito de Morais e depois passei a ser eu, durante dez anos, de 1964 a 1974. Entrevistei muita gente, e praticamente todos os líderes dos movimentos de libertação.”
“(…) A Argélia teve um grande papel no que respeita às ex-colónias portuguesas, porque a maior parte dos seus dirigentes, os primeiros quadros foi ali que receberam instrução militar, nomeadamente o Samora Machel.
“(…) Tínhamos de fazer três emissões por dia e muitas vezes praticamente sem informação directa de Portugal. Nós estamos a falar de factos que se passaram há cerca de trinta anos e que, nessa altura, eram vistos à luz dos nossos sentimentos, das paixões e até dos valores dominantes. Hoje temos outra perspectiva histórica e cultural (…)”.
CIDADÃOS REFLECTEM SOBRE A CANDIDATURA DE MANUEL ALEGRE
Estas reflexões não dizem respeito apenas aos militares do QP, mas a todos os portugueses que foram obrigados a participar nos perigos da Guerra do Ultramar. Muitos morreram devido à propaganda que tão mísero desertor fez na Rádio Argel.
Essas mortes de portugueses vindos, muitos deles, do interior do Portugal Profundo, poderiam ter sido evitadas ou reduzidas a números menores, se não fosse essa tal propaganda.
Teriam também sido muito menores os sofrimentos da descolonização se, em vez do incitamento à morte dos brancos, fosse facilitada uma negociação do futuro das colónias, de forma negociada, à semelhança de muitas das colónias britânicas e outras.
Por isso, não há condições de moral, de ética, de patriotismo que aconselhem a votar em tal desertor e traidor para vir a ser o Supremo Comandante das Forças Armadas, mesmo que se diga que a designação não passa de protocolar.
Cumprimentos - A. João Soares
De: José Luís Duarte Melo
Na política já não se estranham algumas ambiguidades, compadrios, cumplicidades, mas como honrar a memória dos que tombaram, vítimas da traição dos agora e de novo candidatos a Comandante Chefe?!...
Divulguem, contribuindo para o esclarecimento e acordar do torpor em que nos vêm embalando.
O abraço do D. Melo.
Ass: Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"
Considero uma indignidade e uma afronta não só aos militares, mas a todos os portugueses...
Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"

NÃO SEI A VOSSA COR POLITICA, MAS NEM TEM QUALQUER INTERESSE PARA O CASO.
SOMOS PORTUGUESES E ESTAMOS PRONTOS PARA DEFENDER O NOSSO PAÍS JUNTOS OU NÃO ???????
SE A RESPOSTA FOR NÃO, ENTÃO É PARTIR E ESQUECER QUE ALGUMA VEZ SE TEVE PAÍS , MAS ESQUECER MESMO !
SE FOR SIM ENTÃO CONTINUEM A LER.
SE OS NOSSOS PAIS, PRIMOS, IRMÃOS, AMIGOS FOREM MANDADOS PARA UMA GUERRA NÃO TEMOS NÓS O DEVER DE NOS JUNTARMOS A ELES ????
QUE RAIO DE GENTE SERÍAMOS NÓS SE OS TIVÉSSEMOS ABANDONADO QUANDO CHEGOU A HORA, ESCOLHENDO PARA NÓS « MELHOR SORTE» ??????
COMO PODE UM DESERTOR, QUE RENUNCIOU A ESTES PRINCÍPIOS BÁSICOS, PRETENDER SER PRESIDENTE DO NOSSO PAÍS.?
MAIS GRAVE: COMO PÔDE ALGUMA VEZ SER ADMITIDO COMO CANDIDATO?
ISTO ULTRAPASSA TUDO!
ESPERO SINCERAMENTE QUE A MINHA INDIGNAÇÃO SEJA TAMBÉM VOSSA PARA COMEÇARMOS A TOMAR CONSCIÊNCIA DE QUE ALGO TEM DE SER FEITO PELO NOSSO PAÍS.
REPASSA PELO TEU CÍRCULO. ISTO NÃO PODE FICAR ASSIM

Um DESERTOR seja qual for a cultura ou civilização É E SERÁ SEMPRE UM DESERTOR!
HOUVE TEMPOS EM QUE ATÉ ERAM FUZILADOS!
Conheci um HOMEM, EUGÉNIO ROSA (e de cuja cor politica até nem partilho), que esse sim, tem dignidade para se poder aceitar uma candidatura à Presidência da República, mas, dele, pouco ou nada se ouve para além de uns escritos sobre as suas lutas pela igualdade.
Este HOMEM era contra a guerra no ultramar mas não fugiu. Recusou sempre as suas mobilizações, mas cumpriu o serviço militar como todos os outros da sua geração. Penalizado, mas cumpriu, NÃO DESERTOU!
Este HOMEM que lutou "no terreno" em prol das suas convicções, esteve ao serviço de Portugal e cumpriu 7 anos na Trafaria e mais 2 destacado em Cabo Verde, onde com ele privei.
POR ISSO, UMA POTENCIAL CANDIDATURA DE MANUEL ALEGRE (UM DESERTOR) Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA, INDIGNA-ME!
IBz
Passo a reencaminhar um escrito de Fernando Paula Vicente que relevo de interesse:
"Muito obrigado pelo seu concordante comentário sobre a potencial candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.
Teria preferido, a bem da nossa Nação, que o seu comentário fosse no sentido de me provar que estou errado, o que, lamentavelmente eu não vou ouvir de ninguém.
Sabe, o que mais me incomoda é que, com 2 filhos e 6 netos, olho para o meu "prazo de validade" a chegar ao fim e sei que vou morrer com a angústia de lhes deixar um País, uma Nação, governados por aquilo que já o nosso saudoso Rei D. Pedro V - infelizmente morto na flor da idade - descrevia, na sua correspondência para o seu tio Alberto, marido da Rainha Vitória de Inglaterra, como uma "canalhocracia".
E inquieta-me profundamente que, desse último quartel do século XIX até aos nossos dias, não só nada tenha mudado para melhor, como a imunda República que nos governa, cujo primeiro centenário que este ano os socialistas irão celebrar e que custará aos contribuintes DEZ MILHÕES DE EUROS tenha, pela sua prática política legitimado que possamos dizer, hoje, que não é mais uma canalhocracia que nos governa, mas sim (e salvo raras e honrosas excepções) uma "quadrilhocracia".
Na minha qualidade de cidadão em uniforme que dedicou à nossa Pátria os melhores anos de toda a sua vida, a troco de um prato de lentilhas, já vi quase de tudo e, como anteriormente afirmei, só me falta ver Manuel Alegre - um DESERTOR - eleito PRESIDENTE DA REPÚBLICA e, nessa qualidade e por inerência do cargo, como Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas.
Espero que os portugueses acordem antes que tal possa acontecer. Cordialmente,
Fernando Paula Vicente - Maj-General da FAP (Ref.)"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pensar Angola... hoje!

ex-Avenida dos Combatentes hoje
Neste ano da graça de Deus de 2010, porque existe uma coisa chamada calendário que nos permite ir contabilizando os dias, meses e anos decorridos depois que saímos de África, não posso deixar de me benzer com a mão esquerda e fazer uma cara de espanto: QUANDO CHEGAR O PRÓXIMO 25 DE ABRIL, SERÃO PASSADOS 36 ANOS SOBRE A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS EM PORTUGAL... E A 11 DE NOVEMBRO PASSAM 35 ANOS SOBRE A INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA!
O tempo voa... mas as memórias continuam a ser muitas, mesmo que se confundam as boas com as más, dado ambas fazerem parte do nosso acervo histórico, seja aquilo que está escrito em documentos seja o que vivemos no terreno e registamos nas prateleiras da recordação.
Angola hoje, por aquilo que se vai sabendo, está algo diferente daquilo que foi nos tempos coloniais. Alguns aspectos terão sido benéficos outros nem tanto, não porque seja negativa a vida pujante de uma cidade como Luanda, com os seus 4 milhões de habitantes, mas porque sabemos não ter sido "programada" para um tal "boom" na densidade populacional, pois Luanda à data da Independência de Angola era uma cidade cujo parque habitacional permitia cerca de 900.000 habitantes... com um pouco de boa vontade.
A cidade de Luanda completou em Janeiro 434 anos, e é uma das mais belas cidades de África, mesmo reconhecendo que tem muitos problemas por resolver, que já estarão há muito identificados pelas autoridades actuais, como o estavam nos tempos coloniais, porque havia já então a consciência de que Luanda iria crescer e era preciso tomar as medidas necessárias para se reverterem as coisas numa cidade cujas infra-estruturas não estavam preparadas para o crescimento acontecido nos últimos anos.
Esta bela cidade, que nos tempos do colonialismo rivalizava até com a capital de Portugal, está num estado tal que torna premente fazer -se reverter a situação.
Há grandes projectos de investimento em Angola, sabe-se, fruto da enorme riqueza que são os seus recursos naturais (petróleo e diamantes), mas é facto é que alguns índices sócio-económicos colocam Angola na cauda do mundo.

Lixo nas ruas de Luanda
Há uma esperança média de vida de sómente 42,7 anos, até pelo facto de a mortalidade infantil ser bastante alta - 132 por cada 1000 nascimentos!... A alfabetização é de 67,4%!...
Após 13 anos de guerra colonial, e mais 28 de guerra civil, que terminou em 2002, o povo angolano espera e deseja que as suas condições de vida sejam realmente melhoradas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

HONRAI A PÁTRIA...

Já são passados mais de 90 anos sobre a data em que os Soldados e Sargentos que estavam nas trincheiras da Flandres, se puzeram a correr assim que deram pelos soldados do Exército Imperial Alemão ali no meio daquelas terras de ninguém. Aqueles Oficiais que ainda não tinham desertado a coberto de uma qualquer licença, já há muito haviam abandonado o conforto dos quartéis. No campo, entre mortos, feridos e prisioneiros, contavam-se 7 000 baixas. O desastre de La lys não constituía qualquer novidade, pois desde há muito estava anunciado, precisamente a partir do momento em que, em 1916, o governo de Afonso Costa, acossado por todos os lados, resolveu declarar guerra à Alemanha, numa tentativa de inventar um inimigo externo que desviasse as atenções dos problemas internos. Nesse dia que se traçou o destino de milhares de Portugueses: um exército depauperado, comandado por oficiais incompetentes, cuja promoção dependia das simpatias políticas, iniciou em Tancos a preparação para uma guerra inexistente, a que pomposamente se chamou “Milagre de Tancos”.

No ano em que a República comemora o seu centenário, o certo é haver faustosidade nos eventos comemorativos, com homenagens aos Militares mártires que pereceram em La Lys... em nome de uma República então a viver a sua infância. Haverá evocações bacocas dos Heróis da Grande Guerra - que o foram, efectivamente -, elogiando-se o sentido patriótico daqueles que deram a vida em holocausto da Pátria... mas desde já me parece um exercício cínico, especialmente porque o Governo da República não tem vocação para honrar os Combatentes de qualquer tempo, sejam eles da Grande Guerra, da Guerra do Ultramar ou das Guerras da Independência, da Restauração ou das Estrelas.
Não! O Governo Português teima em marginalizar aqueles que combateram no Ultramar, ostracisando por completo a memória dos que pereceram na defesa de pedaços de chão pátrio Portugues, porque sentiam que as terras de Nambuagongo, Pedra Verde, Úcua, Mucaba, Santa Eulália, Tentativa, Loge, Guileje, Guuidage, Cantanhez, Tite, Chai, Niassa, Cobué, Mueda, Tete, Cabo Delgado, Namgololo, Miteda, Omar, como Cabo Verde, Timor, Macau, São Tomé e Príncipe eram parte da herança que os antepassados lhes haviam deixado como legado para que continuassem Portugal do Minho a Timor.
Talvez o 09 de Abril possa um dia ser considerado DIA DO COMBATENTE PORTUGUÊS... mas até lá, seria pertinente que a Pátria tratasse os Combatentes vivos com a dignidade que eles merecem! Mal está o País que não reconhece os seus Heróis!