sábado, 13 de fevereiro de 2010

HONRAI A PÁTRIA, QUE ELA VOS COMTEMPLA!

Os anos vão passando... as memórias vão-se diluindo... as forças já vão faltando e muitos de nós já desapareceram na poeira das recordações, cumprida que foi a sua passagem pela terra! Sim! Muitos daqueles que connosco cumpriram missão de soberania na defesa de um ideal chamado Pátria Portuguesa de Além Mar, já não pertencem ao mundo dos vivos, sem que a Pátria houvesse reconhecido qual o papel que vieram a desempenhar no suster do holocausto que estava a ser perpetrado pelas forças que então combatiam os Portugueses e que pretendiam alcançar a sua independência, o que reputo como um direito inalienável... se excluídos os massacres contra seres indefesos como eram os velhos, as mulheres e as crianças, que foram chacinadas naqueles terríveis tempos de Março de 1961 e seguintes.
Depois das independências dos territórios onde flutuou a Bandeira de Portugal por mais de 5 séculos, julgo que deveria ter chegado o momento de ser reconhecido o esforço do Soldado Português de Terra, Ar e Mar, que por lá verteu sangue, suor e lágrimas - citando Winston Churchill - para que os outros vivessem!
É triste que em todo o mundo, na celebração do fim da I Guerra Mundial, os Combatentes sejam recordados no "Dia da Memória", que homenageia todos aqueles que pereceram nas várias guerras desencadeadas depois desse conflito.
A França e a Alemanha, que se digladiaram nesta guerra, uniram-se para honrar os seus mortos, como o fazem o Reino Unido, a Bélgica... os Estados Unidos, o Canadá ou a Rússia!
Mas Portugal... parece que apenas se lembrava de ter participado na 1ª. Guerra Mundial enquanto havia Combatentes vivos, porque agora até parece envergonhar-se de haver participado na guerra, retirando algum brilho às cerimónias, conforme se nota nos últimos tempos.
É uma pena... mas em Portugal parece que as autoridades pretendem votar ao ostracismo aqueles nossos Soldados que morreram no Ultramar... e o mesmo se pode constatar em relação aos que ainda hoje sofrem na carne as profundas cicatrizes adquiridas na sua estadia no teatro de operações em África.
Antigamente havia o culto dos heróis, que se realizava a 10 de Junho - Dia de Portugal, mas hoje não os recordamos, em termos oficiais, porque os políticos sentem que não são eles dignos de ser honrados! Faz-se o Dia de Portugal e de Camões, mas os Combatentes do Ultramar são ignorados! Apenas as Associações de Combatentes vão remando contra a maré e tentam que eles não sejam esquecidos, fazendo uma cerimónia junto ao Monumento que os perpetua!
No dizer da Jornalista Isabel Stilwell, em editorial do Jornal Destak, "EM PORTUGAL RECORDAMOS POUCO E TEMOS UMA DIFICULDADE ENORME EM FALAR DOS NOSSOS SOLDADOS MORTOS NO ULTRAMAR, OU QUE AINDA HOJE SOFREM SEQUELAS PROFUNDAS DAQUELES COMBATES. QUANDO NÃO RECORDAMOS, NÃO HOMENAGEAMOS AQUELES QUE DERAM A VIDA PELO SEU PAÍS, ROUBAMOS SENTIDO À DOR E TRAÍMO-LOS. OS COMBATENTES EM ÁFRICA, POR FORÇA DE UM VOLTE-FACE POLÍTICO, NÃO TIVERAM DIREITO A SER TRATADOS COMO HERÓIS! FOMOS INCAPAZES DE DISTINGUIR A JUSTEZA DA GUERRA (E HÁ ALGUMA QUE O SEJA?) COM A GENEROSIDADE DE QUEM CUMPRIU O SEU DEVER. E UM PAÍS QUE NÃO É CAPAZ DE RECORDAR É, PARADOXALMENTE, UM PAÍS SEM FUTURO."
Ninguém poderá deixar de estar de acordo, acredito!

1 comentário:

Carlos disse...

Post que merece aplausos pela oportunidade de poder haver mais uma reflexão sobre os ex-combatentes.
Foram cerca de 10.000 que por lá perderam a vida. As famílias deles alguma vez foram apoiadas? Como é que vivem ainda alguns dos seus progenitores vivos? Alguém sabe? Feridos, doentes e estropiados foram largas dezenas de milhar. Foi uma juventude sacrificada no seu auge que em contrapartida recebe uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Deram-nos uma esmola de +- 150€ por ano que só serve para lembrar a hipocrisia miserável como nos continuam a tratar. Até nas taxas moderadoras só podem ser isentos aqueles que sofram de incapacidade total e permanente. Ou outros, mesmo coxos ou aleijados, esses nem a isso têm direito. Ainda se pensou que poderiam ser dados alguns benefícios aos ex-combatentes como reduções nos bilhetes de comboio, a água e a luz mais barata, alguns benefícios em sede de IRS, acesso ao crédito com spreads ligeiramente bonificados, mas qual quê? Nada. E como diz o articulista nem deles, quer dizer dos nossos, se lembram mesmo no dia de Portugal. E amanhã, quando morrer o último resistente, quem é que nos garante que o Monumento edificado à beira do Tejo, não será destruído. Podem destruir tudo mas não destroem a história porque ela há-de continuar a falar da guerra e dos contendores dos dois lados nas várias frentes e não apagam a memória.