quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O EXTERMÍNIO DE UM POVO...

" Militares do Biafra "...

...foi aquilo que aconteceu faz amanhã, dia 15 de Janeiro, 40 anos. Foi nesse dia que o Biafra deixou oficialmente de existir, quando foi reintegrado na Nigéria, depois de uma curta existência que foi de fins de Maio de 1967 a 15 de Janeiro de 1970.
Crianças - as maiores vítimas!

Os oito milhões de Ibos que viviam na região oriental da Nigéria, eram governados pelo Governador Provincial Chukwuemeka Odumegwu Ojukuwu, Coronel do Exército Nigeriano que declarou a independência daquela região em Maio de 1967. De imediato se abateu sobre aquele povo a repressão das Forças Armadas nigerianas, que começaram uma matança sistemática de militares e civis biafrenses, que eram massacrados de forma indiscriminada.
Navios de guerra da Nigéria fizeram um bloqueio que visava impedir o acesso a alimentos, medicamentos e armamento, o que motivou uma grave crise humanitária, que matava cerca de cinco mil biafrenses por dia, por causa da fome e da doença.
Poderá considerar-se que, logo a seguir ao Holocausto do Povo Judeu, a guerra do Biafra foi o maior desastre da humanidade, porque aconteceu o genocídio étnico sem precedentes de três milhões de Ibos, que eram cristãos e uma élite do País.
Já em 1966 tinha havido um golpe de estado, que foi abortado, levado a efeito por oficiais superiores das Forças Armadas Nigerianas, que também eram da mesma etnia Ibo.
Na repressão a esta tentativa de golpe os militares islâmicos da Nigéria massacraram cerca de 30 mil Ibos.

Vítimas na vala comum

Recordo o que foi o auxílio ao Biafra, porque muitos dos aviões que transportavam bens para aquele povo, oriundos de várias partes do mundo, faziam muitas das vezes escala no Negage. A imprensa internacional foi voz dos milhares de refugiados, especialmente das crianças esqueléticas, a morrerem por falta de alimentos... pois o petróleo que passava nos pipelines que o levavam cerca de 20% do crude da Nigéria para a Grã-Bretanha levou a que este País optasse por sacrificar as crianças biafrensess aos seus interesses comerciais, juntamente com o Egipto e a União Soviética. 40 anos após haver terminado o holocausto do Povo Ibo, depois da secessão ter sido abortada, apenas nos resta recordar o Biafra, que acabou como país mas vive na memória de muitos que sofreram com o sofrimento de um Povo que apenas foi massacrado por ser cristão e estar imbuído de um desejo de independência que era a todos os títulos justa. Um dia a história nos dirá o que foi a efémera existência de um País, uma capital (Enugu), um Povo (os Ibos), que acabou destruído pela intolerância dos outros povos nigerianos.

O Biafra chegou a emnitir moeda

O Biafra foi reconhecido pelo Gabão, Haiti, Costa do Marfim, Tanzânia e Zâmbia, havendo outras nações que, não reconhecendo oficialmente a independência, prestaram assistência ao Biafra, como foi o caso de Portugal, Israel, França, Rodésia, África do Sul ou o Vaticano. O Biafra recebeu ainda ajuda de diversas organizações não governamentais como a Joint Church Aid, a Holy Ghost Fathers of Ireland, a Caritas Internacional, a MarkPress ou a U.S. Catholic Relief Services.

Avião de transporte de auxílio ao Biafra

2 comentários:

José Luiz disse...

Felizmente por um lado que pude viver a guerra do Biafra bastantae em cima dos acontecimentos porque ao contrario doque se diz no texto, o auxilio não passava pelo Negage mas simpor S.Tomé e Princípe, logcal donde partia todas as noite a ponte aérea constituída por aviões Super Constelation, DC-6, dc-4 C-47. Mais era para S.Tomé que iam as crianças afim de recuperarem tal o estado de inaniçaõ em que se encontravam. Por isso nem tudo o que aparece na net é completamente verdade. Não falo no extermínio porque esse foi verdadeiro e a marinha que fez o embargo foi a inglesa e não a nigeriana.

rotivsaile disse...

Caríssimo José Luiz:
Infelizmente para mim, porque ninguém gosta de estar longe dos seus e a vêr Amigos partir para sempre, eu estava em Angola nos momentos em que a Nigéria fazia o extermínio de um Povo. Se lêr bem, verá que ninguém retira a São Tome o troféu de paladino da ponte aérea, porque apenas e tão só afirmo que pelo Negage passavam muitos dos aviões que seguiam para S.Tomé e isto apenas acontecia por não haver conveniência de que eles fossem vistos em Luanda, porque não era de bom tom estar a ajudar os que aspiravam pela independência... que Portugal não concedia às suas Províncias.
A Inglaterra soube fazer as coisas e foi atribuída à Nigéria, pelas Nações Unidas, a autoria do bloqueio para o embargo.
Sabemos que nem tudo que se vê na Net é a verdade, mas temos obrigação de ajudar a que a história se faça... com verdade.
Um abraço do Victor Elias