quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A TODOS OS AMIGOS...

Sei que Angola estará a recuperar um lugar cimeiro no coração daqueles que sempre acreditaram nela como País Independente!
No entanto, muito há a fazer para que haja paz social a todos os níveis, para que não haja mais exploração do homem pelo homem, para que seja erradicado por uma vez o ódio, a mágoa que ficou por tantas coisas negativas do passado! É tempo de serem dadas as mãos e se caminhar sem receios do porvir!
Neste tempo dos festejos de Natal, procuremos que Jesus tenha nascido no coração dos governantes, dos promotores do trabalho, dos homens que promovem a justiça, a segurança... A PAZ!
Que o Novo Ano seja de felicidade para todos aqueles que amam Angola e nela promovem o bem estar dos povos!
No Natal cantou-se "GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS... E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DA PAZ". Agora, com a chegada do Novo Ano, teremos oportunidade de mostrar ao mundo, no Dia Mundial da Paz, que se comemora no primeiro dia do ano, que A PAZ É POSSÍVEL !
UM ANO PARA TODO O POVO ANGOLANO, ESPECIALMENTE PARA OS ANTIGOS E ACTUAIS RESIDENTES E AMIGOS DO NEGAGE!!!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

tempo de PAZ... tempo de NATAL!

É O MEU MAIS SINCERO DESEJO NESTA DATA DE ALEGRIA PELO NASCIMENTO DO SALVADOR!
BOAS FESTAS E QUE O MENINO DEUS NASÇA REALMENTE NO CORAÇÃO DOS HOMENS DE BOA VONTADE, PORQUE SÓ A PAZ QUE VEM DOS CÉUS PODERÁ ALEGRAR O GÉNERO HUMANO!
É TEMPO DE SE TER ESPERANÇA... TEMPO DE PARTILHAR... TEMPO PARA ACREDITAR... TEMPO DE VIVER... TEMPO PARA AMAR!
QUE O MENINO DEUS POSSA DAR AO MUNDO TUDO AQUILO QUE ELE MAIS NECESSITA NO NOVO ANO QUE IRÁ CHEGAR!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

FOGOS... QUEIMADAS.. INCÊNDIOS

Desde sempre senti um enorme fascínio pelo poder do fogo que nos aquece nos tempos frios, mas também nos destrói pelos detemperos do mau uso que façamos desse mesmo fogo que tanto cozinha os alimentos para o rico como para o pobre, tal como lhes destrói o lar sem contemplações.
Em África vi o quanto era importante a utilização do fogo nas queimadas, pois vinha em ajuda das populações no que respeitava à limpeza de terrenos para cultivo das machambas, ao mesmo tempo que livrava os mesmos das pragas diversas que não raro destruíam as culturas.
Este poderia apelidar-se como poder curativo do fogo e era um fogo ateado com consciência, que era controlado na sua progressão... mesmo que por vezes viesse a descontrolar-se, e lá vinham à liça as funestas consequências desse mesmo fogo.
Como força destruidora, o fogo pode considerar-se uma praga, uma doença, um crime... enfim: algo de bastante pernicioso, que tanto pode brotar do lançamento de bombas, sejam elas de napalm ou de fósforo, num qualquer acto de guerra, ou do isqueiro mal intencionado de um qualquer pirómano, que pretenderá prestar o seu culto ao Imperador Nero, o criminoso "deus" incendiário da Roma Imperial, seja por maldade, seja por vingança... ou simplesmente por doença.
Quando vamos a passar pelas estradas enegrecidas após terem sido lambidas pelas chamas de um incêndio, por certo pensamos no que ali terá acontecido; se houve ali mão criminosa ou tudo não passou de mero desastre natural; como seria recuperada aquela paisagem após a tragédia... e tantas outras perguntas nos podem enchera cabeça... sem que no entanto consigamos encontrar respostas para a maior parte delas.
Sabemos que desde a Antiguidade Clássica se conhecem os cultos aos Deuses a quem os nossos avoengos costumavam entregar os destinos de tudo, fosse a Vida ou a Morte, a Saúde, a Guerra, a Caça, as Artes, as Letras, as Águas, o Comércio... e o Fogo, como não poderia deixar de ser. E tantos eram os Deuses do Fogo que custa estar para aqui a enumerar um tal rol das divindades que estariam ligadas ao fogo, começando por um que não era rotulado como Deus do Fogo mas que sabemos que utiliza o Fogo de Deus na purificação das Almas que a Ele, Deus, se hajam convertido. Trata-se do Espírito Santo, cuja manifestação mais conhecida foi o ter descido sobre os Apóstolos e a Virgem Maria na forma de línguas de fogo.
Os Deuses do Fogo tinham nomes como o grego Vulcano, o hindú Agni, Ifrit, Hefesto, Zhu Rong, Zeg, Xangô, Loky e tantos outros, e entre as deusas poderão setr destacados nomes como Fénix, Vesta, Shiva, Brigid, Tata Manha ou Héstia, entre as mais ou menos conhecidas dos mortais como nós.
Uns dos mencionados deuses talvez fossem apenas fruto da imaginação de uns tantos "fazedores" de mitos e outros seriam personagens ficcionados da literatura fantástica... mas interessa saber que o fogo, o lume, a queimada, o incêndio, a fogueira, o braseiro e eu sei lá que mais designações se lhe possam colocar, são derivadas de uma mesma "chama" que "alumia e aquece", que "queima e destrói" conforme aquele que o usa possa ou não ser um pirómano destruidor ou um simplesmente um apreciador dos benefícios do lume no quotidiano da vida, que o utiliza apenas para aquecer uma boa caneca de café ou talvez para assar um pedaço de carne no espeto.
Servirá o bendito fogo para muito mais... mas por agora vamos ficar por aqui. Depois continuaremos... se entretanto não nos queimarmos numa qualquer "chama da vida", porque aqui lá teremos de chamar os Bombeiros.

domingo, 28 de novembro de 2010

UM DOCUMENTO...

Se há no mundo coisas que valem bem a pena fazer, o prazer da boa leitura é uma delas, porque nos vai cultivando o espírito e nos dá uma perspectiva das coisas mais consentânea com a realidade... especialmente se o autor fôr credível e nos fizer participantes da história que escreveu.
Tiago Rebelo apresenta um livro que é, antes do mais, um documento descritivo daquilo que foi a exemplar descolonização levada a cabo pelo Movimento das Forças Armadas em Angola, mais precisamente em Luanda.
O ÚLTIMO ANO EM LUANDA narra os derradeiros momentos em que fomos Império, fomos Pátria em pedaços repartida, fomos um império expraiando-se pelas sete partidas do globo, porque tivemos Navegadores que deram novos mundos ao mundo.
O capítulo 46 começa assim:
..." Naquele final do mês de Junho de 1975, realizou-se em Nakuru, no Quénia, uma cimeira de emergência patrocinada pelo presidente Jomo Kenyatta. O objectivo era debater a degradação total da situação em Angola e, ao contrário do que diziam específicamente as regras do Acordo de Alvor, a parte portuguesa não foi convocada. Em contrapartida, os três movimentos de libertação fizeram-se representar e, num rasgo de sinceridade que lhes era pouco habitual, concordaram que lhes pertencia a responsabilidade de o país estar a ser arrastado para a destruição . Com efeito, os três movimentos de libertação assumiram que andavam envolvidos numa guerra fratricida e a matar o seu próprio povo, apanhado sem piedade pelo fogo cruzado que trucidava civis a eito um pouco por todo o país. Os movimentos admitiram com uma desfaçatez desconcertante que tinham armado a população civil e apelado ao que havia de pior nas pessoas para as induzir à violência tribal, ao caos sem lei e às vinganças pessoais e mesquinhas que provocavam muitas mortes por motivos fúteis, por ódios racistas e por questões políticas."...
Dá para perceber alguma coisa do caos que aconteceu em Luanda após o "triunfo" do 25 de Abril em Lisboa. Os Movimentos chamados "de Libertação", que estavam na contingência de abandonar definitivamente a luta armada, receberam uma dose elevada de moral... FORNECIDA POR AQUELES QUE DEPUSERAM O GOVERNO E LEVARAM PORTUGAL PARA UMA PSEUDO DEMOCRACIA, pois apenas se importou em cumprir o desiderato da concessão das independências dos antigos territórios Ultramarinos, não importando tampouco se estavam ou não a ir contra os ventos da história, se os territórios tinham ou não estruturas capazes para seguirem o seu caminho separados da antiga Pátria Mãe.
Foi assim que aconteceram descompensações em Cabo Verde, em Timor, em São Tomé... para não falar em Moçambique e... ANGOLA!
Até Macau, que não havia sido ocupado por direitos de descobrimento ou de conquista, antes se tratando de um reconhecimento do Imperador da China, pelos serviços prestados por Portugal, se viu devolvido aos chineses... que nunca o haviam solicitado, ao contrário daquilo que fizeram com Hon-Kong.
Aconselho vivamente uma leitura deste livro, para ficarem a conhecer muito do que foi a acção dos "nobres descolonizadores portugueses"!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA

Amanhã é dia de São Martinho... e cumulativamente é comemorado o Dia da Independência de Angola, ao mesmo tempo que algumas pessoas, recordando o que foi a alvorada desse dia 11 de Novembro e toda a história de anos passados para que o Povo Angolano almejasse sentir-se de corpo e alma um cidadão realmente livre, sem guerras, sem fome, com liberdade, igualdade e fraternidade, como ouviam contar ter acontecido na Revolução Francesa.
Dizia-se, nos tempos coloniais, que Portugal se impunha pelas
"Touradas e Procissões,
Fátima, Fados e Bola,,,
são estas as diversões,
de um Povo a pedir esmola!"
... e julgo que os Angolanos bem entenderam esta quadra, porque as suas Autoridades parecem ter recuperado a máxima do "PÃO E CIRCO", dos Imperadores de Roma, para comemorar esta data, e toca a chamar ao seu coliseu,,, não os cristãos para lançar aos leões, mas as Águias de Lisboa para alienar esse mesmo Povo, que corre atrás dos seus heróis da bola para esquecer como é difícil viver-se numa sociedade onde o significado da palavra "direitos do homem", "liberdade" e "igualdade" têm sido letra morta.
Homenageia-se o Pedro Mantorras, figura grande do futebol Angolano e do Benfica de alguns anos atrás, ao mesmo tempo que se paga um "cachet" avultado à equipa de Lisboa, talvez porque esta sabe como nenhuma outra tirar partido dos momentos fortes vividos em Angola com esta data comemorativa. A coroa de flores no monumento ao Dr. Agostinho Neto é um momento de grande marketing por parte do Benfica, pois contabilizou apoios imediatos para estar presente no próximo evento desportivo em que dispute a Taça Independência... desde que o MPLA continue a ser o Partido do Governo, o que bem poderá acontecer nos próximos 100 anos, a fazer fé na Constituição que Dos Santos conseguiu fosse votada no País.
Já agora... o Benfica até venceu o troféu Independência e ganhou mais uns milhões à pala do petróleo de Cabinda e dos diamantes da Lunda. Digam agora que o Luis Filipe Vieira não sabe como tirar as chupetas aos bébés angolanos! Aquele bigode sabe muito! Ele vendia pneus, mas não andava a encher pneus!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

UM HOMEM GRANDE...GRANDE HOMEM

Sei que estou em dívida para com aqueles que me lêem, dado haver prometido ir publicando as histórias de pessoas que foram grandes em qualquer dimensão, física oude carácter, isto no tocante a alguém que dispensará apresentações, pois estou a referir-me a João Ferreira, pessoa de quem um veremos reconhecido todo o papel que lhe coube no desenvolvimento de Angola, especialmente do Uíge e de uma forma ainda mais especial... o Negage que tanto amava.
Em tempos falei nas histórias que se contavam, umas verídicas outras nem tanto, porque João Ferreira grangeou uma fama tal que se tornou objecto dessas histórias em que foi feito principal personagem, algumas vezes como um homem de bem, mas outras nem tanto.
Um dia, conversando com um dos filhos, este enalteceu a figura do pai e descreveu-o como alguém que se ama ou se odeia, dando azo a muitas histórias capazes de o elevar mas também a outras em que é rebaixado. Isto é, de acordo com o grau de amizade de quem conta, João Ferreira seria Deus ou o Demónio.
A dada momento contou que, certo dia, o encarregado geral chamou a atenção do patrão para o facto de estar o parque de camiões a necessitar de renovação, pois muitos deles já não aguentariam as viagens regulares que tinham de fazer... e o maior motivo de apreensão residia no facto de estarem à porta os mercados do café e a frota estar bastante degradada.
O João Ferreira tomou então a decisão de ir a Luanda fazer uma consulta sobre os preços de veículos pesados à venda na capital. Se bem o pensou melhor o fez.
Em Luanda foi aos concessionários da Scânia e da Volvo, procurando encontrar aquilo que lhe interessaria em termos de viatura ideal para ter ao seu serviço. O vendedor, quando vê um fulano tão mal vestido, ficou em pulgas e desejou vê-lo pelas costas, mas lá foi respondendo às perguntas do João Ferreira, nomeadamente nos aspectos respeitantes a preço, assistência, fiabilidade, capacidade... enfim: aquelas tão sacramentais perguntas feitas por alguém que deseja apenas não ter de comer gato por lebre.
Porque eram as perguntas feitas por alguém que parecia conhecer bem aquele mercado, o vendedor deu um pouco mais de atenção ao possível cliente, que não conhecia de todo. Assim, quando lhe falou no preço, informou que haveria uma atenção no tocante ao mesmo e que o desconto se situaria nos 10% sobre o preço indicado.
João Ferreira disse-lhe que estava interessado em 6 camiões... levando o vendedor a abrir a boca de espanto, pois o homem até poderia ser um bom cliente, afinal, mas mantinha um pé atrás, com a desconfiança gerada pelo modo como o "cliente" estava vestido. Mesmo assim, lá informou que o desconto para 6 viaturas seria de 30%.
O vendedor não acreditava que o João Ferreira ia comprar fosse o que fosse e quando o "cliente" saíu, dizendo que ia buscar dinheiro, por certo lhe terá passado pela cabeça ter sido aquela conversa uma perda de tempo. Nunca mais iria vêr aquele tipo com ar de pedinte, apesar de ele pedir para preparar os camiões e a documentação.
O João Ferreira foi ao Banco e aí logo um funcionário zeloso tratou de correr com ele, pois o Banco não dava esmola a pedintes, blá...blá...blá.
Bem tentou o nosso homem chamar a atenção para o facto de se chamar João Ferreira e ser do Negage, mas o zeloso funcionário nem o ouvia. É então que um dos sub-gerentes, ouvindo o nome "João Ferreira", veio em socorro do bom nome do Banco, desfazendo-se em mil e uma desculpas pelo modo como havia sido recebido. João Ferreira estava magoado e disse-lhe que aquele procedimento seria motivo mais que suficiente para o funcionário ser demitido, pois não se trata ninguém pela aparência e o funcionário tinha por obrigação o atender convenientemente fosse quem fosse.
Sanado que foi o conflito, João Ferreira levantou o dinheiro e dirigiu-se ao stand para pagar os camiões, o que deixou o vendedor de boca aberta e bastante envergonhado, pois jamais acreditara que aquela figura, ostentando um ar de vagabundo, pudesse ser o melhor cliente que alguma vez tivera o previlégio de encontrar... e este, ainda por cima, pagava seis camiões ... a pronto!
Isto que o Carlos Ferreira me contou sobre o pai foi apenas um desabafo sobre o modo como o progenitor se apresentava perante os outros, pois sempre tinha sido um homem que não ligava às aparências, antes media os homens pela competência e capacidade de trabalho.
Era assim o João Ferreira: Grande de corpo e enorme de alma, mas não isento de reticências naquilo que à tolerância respeitava. Se alguém se excedia, via então um João Ferreira intolerante e muitas vezes "azedo"... mas sem ser violento.

sábado, 30 de outubro de 2010

NESTE HALLOWEEN 2010...

...QUE TODOS OS VOSSOS DESEJOS SE CONCRETIZEM... QUE OS AMIGOS VOS NÃO FALTEM COM A AMIZADE... QUE TENHAM TRABALHO, SAÚDE, DINHEIRO PARA O QUOTIDIANO... QUE O AMOR SEJA UMA PRESENÇA CONSTANTE NA VOSSA VIDA...
Espero que estes "bruxedos" se concretizem em ti e nos teus, e para o ano possas voltar a ter o prazer de lêr novamente estas "profecias", se é que te dá mesmo prazer fazê-lo!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

TODOS OS SANTOS... ESTAMOS NESSA!

Não tardará muito e Angola estará a comemorar mais um ano da sua independência... e isso não poderá passar sem uma reflexão, considerando estar a Igreja a comemorar TODOS OS SANTOS E SANTAS DE DEUS, a que se seguirá TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS.
É precisamente porque o dia 2 de Novembro recorda aqueles que morreram e foram para junto de Deus, depois que no dia 01 lembrou os que mereceram as honras de estarem inscritos no rol dos bem aventurados, sejam eles mártires, confessores, doutores da Igreja ou simples homens e mulheres que sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados, porque Santos são aqueles de qualquer estadio ou ordem que foram chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade, porque todos somos chamados à santidade: "SEDE PERFEITOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É PERFEITO" -. Mt 5,48
Em Portugal o Dia de Todos os Santos é o dia em que as crianças, bem cedo, saem à rua em pequenos grupos e vão pedir o "PÃO POR DEUS".
Em alguns locais diz-se que é o DIA DOS BOLINHOS. Logo depois do almoço, vai-se até aos cemitérios enfeitar as campas dos nossos familiares e amigos falecidos, porque no dia 2 é Dia de Finados ou de Fiéis Defuntos.
Quando estava em Angola, concretamente no Negage, também estes dias eram vividos segundo a tradição da Metrópole, com os "Bolinhos" ou "Pão por Deus" e tudo o que isso comporta.
Hoje julgo que os únicos Santos que se comemoram na República de Angola serão a família Presidencial, ou Dos Santos, porque para eles o Povo não deve contar muito, a fazer fé na miséria que se encontra disseminada por todo o País. Estou a vêr as crianças, tolhidas pela fome, a irem à porta de casa da presidencial figura de Eduardo dos Santos ou das suas ricas filhinhas - e digo ricas no verdadeiro sentido do termo - pedirem "Pão por Deus" e serem corridos porque lhes foram soltos os cães.
Só que em Portugal, quando lhes não dão resposta positiva, os miúdos usam dizer "ESTA CASA CHEIRA A UNTO, POIS ESTÁ AQUI ALGUÉM DEFUNTO!", quando não coisas piores.
Seria bom que não houvesse nada a dizer quanto à festa da independência de Angola, a não ser que o Povo passou a ser tratado como merece e não como algo que se tolera, porque o mundo está atento e não gostaria de saber que apenas alguns beneficiam das prerrogativas que a riqueza do País dá para prover o efectivo bem estar de todos aqueles que são, quer queiram os Governantes ou não, os verdadeiros Santos e Santas de Deus... mesmo que não sejam conhecidos por ostentar esse nome, como alguns que se conhecem. Porque os Mártires, aqueles que sofrem fome e sede e padecem por amor de Cristo, são os que futuramente serão recordados nos 10 dias antecedentes à independência.

sábado, 9 de outubro de 2010

ANGOLA...

Há duas situações que acontecem na independente República de Angola em que apenas poderei apontar Portugal como único culpado: - o não ter acautelado os direitos dos Portugueses ali nascidos, quando entregou o território ao MPLA, e bem assim não se ter lembrado que iriam ser as populações locais, em primeira instância, as maiores vítimas de todos os males que assolaram aquele País após a independência unilateral que veio a ser proclamada, não deixando de colocar em primeiro lugar a fome que as crianças indefesas vão passando, em detrimento dos senhores do Partido governamental que se têm tornado em donos todos poderosos das riquezas que Angola produz.
Tive ensejo de trocar ideias com pessoas que lá conheci, que mostravam preocupação com a confusão instalada no meio dos Militares Portugueses, queixando-se eles que já não sabiam a quem deveriam obedecer, porque as ordens estavam constantemente a ser objecto de controvérsia, além de que haviam alguns que parecia terem a incumbência de proceder a uma lavagem ao cérebro com as tentativas de lhes incutir ideologias marxistas. Eram esses os mesmos que procediam a continuados boicotes à ajuda que as populações pediam à Tropa.
Doía a alma ouvir os nossos superiores dizerem que tudo iriam fazer para os ajudar... mas era apenas para os calar, pois aos seus comandados não transmitiam qualquer ordem para ajuda às populações... não acontecendo qualquer auxílio, na maioria das vezes.
Quando se ouvem vozes de Portugueses responsáveis pelos massacres de populações, pois eram mentores da entrega do território a qualquer preço, dizerem agora que jamais pensaram num regresso tão maciço de residentes, que vieram apanhar Portugal desprevenido e sem condições para absorver toda a mole humana que demandou o País, para fugir dos horrores da guerra civil angolana, apetece apenas vomitar!
Curiosamente, há militares que dizem que muitos brancos desmotivaram e resolveram baixar os braços, mas esquecem o facto de terem sido eles os primeiros a fazê-lo. O 25 de Abril veio a trazer para o futuro do Ultramar Português as mais funestas consequências, porque as constantes manifestações nunca foram a favor da justiça social mas sim das conveniências sócio-económicas de uns tantos... e hoje, 36 anos depois da revolução, vê-se que em Portugal uns tantos encontraram a "árvore das patacas" e encheram os bolsos à conta dos mais humildes... acreditando que as lições de Angola foram assimiladas... e para não serem apenas as crianças angolanas a penar com fome, chegou a hora de as da antiga Metrópole se solidarizarem com elas.
Triste sina de quem tem de aturar governos com tal carácter!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

RECORDANDO...

No já longínquo ano de 1975, no dia 15 de Janeiro, assinava-se no Alvor, em pleno Hotel da Penina, o acordo que os Movimentos angolanos mais almejavam, pois foi colocado no papel algo que lhes era muito caro: ANGOLA IA FINALMENTE ASCENDER À INDEPENDÊNCIA!
Não se sabia muito bem como iria ser feita essa mudança, porque cada um dos partidos subscritores do Acordo tinha intenções muito diferentes daquilo que haviam acordado, dado que prentendiam exercer o Poder sem dar cavaco uns aos outros, o que se veio a revelar-se trágico.
"As negociações, que se arrastaram meses a fio, foram bastante cuidadas e preparadas com a ajuda da OUA, que foi fundamental para o reconhecimento dos direitos de cada um dos Movimentos, mas o facto de serem três a disputar o território deu tremendas dores de cabeça. Angola seria declarada, no seu todo indivisível, incluíndo o enclave de Cabinda, como País independente, ficando decidido que seria nomeado um Governo de Transição, com 12 ministros, sendo 3 portugueses e 9 saídos da coligação partidária, sendo Portugal representado ainda por um Alto-Comissário, às ordens do Presidente da Répública Portuguesa. Haveria um Conselho Presidencial constituído por um representante de cada Movimento, que teria a presidência do Governo, de forma rotativa, até à data da independência, que seria declarada no dia 11 de Novembro.
O Governo deveria tomar posse até fins de Janeiro, sendo marcadas eleições num prazo de nove meses. Ficou ainda assente a constituição de mumas Forças Armadas Unificadas com 48.000 homens, assim distribuídos: 24 mil Portugueses e 8.000 de cada um dos Movimentos. O excedente das Forças Armadas Portuguesas deveria retirar-se de Angola até ao mês de Fevereiro de 1976.
Todos os bens dos Portugueses residentes seriam respeitados e assegurados, comprometendo-se os Movimentos de Angola a considerar cidadãos Angolanos todos os nascidos naquele território ou aqueles que se declarassem angolanos por opção. Todos os não nascidos em Angola ficariam sujeitos ao que a futura Constituição da República Angolana estabelecesse."
Este Acordo foi firmado pelo Ministro sem pasta Melo Antunes, por Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Almeida Santos, Ministro da Coordenação Inter-Territorial e pelos líderes dos Movimentos MPLA, FNLA e UNITA.
Estou convencido que jamais algum dos Movimentos sobrescritores dos Acordos do Alvor teve, em momento algum, a intenção de fazer qualquer esforço que levasse a conseguir-se, de alguma maneira, um consenso que viesse a permitir haver em Angola uma governação tripartida. Eles quizeram foi legitimar qualquer tomada de posição pela força, pois estavam legitimados para acusar os outros de não quererem cooperar... e sabe-se bem aquilo que aconteceu, com a ajuda de alguns militares Portugueses... mas isso fica para depois..

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ÚCUA - Terra de guerra...

A Úcua de hoje não deve ser nada parecida com a Úcua que conheci, nos tempos em que até era costume mandarem-se os Soldados mais indisciplinados fazer uns meses de "recuperação" para lá, invocando-se o facto de, porque havia sempre que prestar assistência às aeronaves que ali tinham de aterrar por motivos óbvios, haver necessidade de lá manter alguém que fizesse o abastecimento dos aviões e hélis... e resolvia-se o problema disciplinar sem que o "castigado" tivesse um averbamento de punição na respectiva caderneta.
Já agora... Úcua fica localizada a Norte de Caxito, sensivelmente a 69 quilómetros e pertence à circunscrição (província) do Bembe, sendo um importante nó de ligação entre Luanda, o Uíge, Bula Atumba e Pango Aluquém, no interior da circunscrição do Bengo.
No passado recente de Úcua está presente a guerra - quer "colonial" quer civil - que deixou um pouco por todo o lado um rasto de destruição, ainda hoje visível nos sinais deixados na avenida principal pelos obuses dos morteiros de grande calibre lançados sobre o que resta das paredes de um conjunto de lojas, da velha padaria ou do que foi o restaurante que haviam sido erguidos no já longínquo ano de 1955.
Foi em Úcua, hoje esquecida no tempo, que "se forjaram as primeiras acções militares contra as Tropas Coloniais Portuguesas" - no dizer de um ex-guerrilheiro do MPLA. Dali saíram muitas dezenas de guerrilheiros, que formaram a I Região Político-Militar do MPLA, disse o mesmo antigo combatente, que confessou ter entrado no Partido em Abril de 1961, com apenas 11 anos, sendo a sua primeira missão o controle do movimento das Tropas Portuguesas, uma vez que sabia ler e escrever, facilitando assim o envio de relatórios escritos para os mais velhos, quando fosse caso disso, onde constassem o número de viaturas e homens que compunham as colunas.
Por tudo aquilo que representou no contexto da chamada guerra de libertação contra o colonialismo Português, Úcua é sinónimo de "SANGUE - SUOR - LÁGRIMAS", porque ali foi vertido muito sangue inocente, houve suor na labuta que foi a luta que foi necessário travar para que parasse o sangue dos combates e lágrimas pelo que tombaram, de ambos os lados, mercê das convicções de cada uma das partes.

sábado, 7 de agosto de 2010

COMO "DESCOBRI" ANGOLA


Narração da chegada a Luanda no já distante ano de 1964, onde transcrevo as minhas primeiras impressões de um capítulo da minha vida que poderia bem chamar-se
" A CHEGADA - Memórias da Terra Angolana - ou "COMO DESCOBRI ANGOLA".
Após sete dias embarcado no celebrado paquete "VERA CRUZ", irmão daquele que o Galvão assaltou e que se chamava SANTA MARIA, mas que o Pirata assaltante rebatizou como SANTA LIBERDADE, eis que chegou à baía de Luanda, onde não cheguei nos passeios dos aviões dos TAM (Transportes Aéreos Militares) porque não arranjei disponibilidade de um lugarzinho, dado haver muita gente que gostava de dar estes passeios LISBOA-LUANDA,... e eu era apenas um cabito do Serviço Geral da Força Aérea... portanto uma tipo muito baixinho para estar com exigências no tratamento a ter na deslocação para Angola.
O que é verdade é ter chegado a Luanda e estar a ter o primeiro contacto com aquelas terras onde um dia chegou o Diogo Cão, que pretendeu mostrar serviço e zás: CHEGOU À FOZ DO RIO ZAIRE e foi logo fazer queixinhas ao seu Senhor e Rei: - "DESCOBRI ANGOLA!!! BEM FEITO!!!". Só não sei se ele disse que o ar era quente, como o comprovava a lufada de ar quente que me bateu nas ventas..., supondo que o termómetro existente no Porto de Luanda estava certo: 39% - humidade superior a 66% - ar sofucante... enfim ESTAVA EM ÁFRICA!
Uma emissão de rádio que se ouvia na barbearia da 2ª. Classe do Paquete, dizia: "EMISSORA OFICIAL DE ANGOLA A TRANSMITIR DOS SEUS ESTÚDIOS DE LUANDA - ÁFRICA OCIDENTAL PORTUGUESA! BOM DIA".
Ao contrário dos outros Militares passageiros daquela nau não catrineta, eu viajava só... mesmo que acompanhado por duzentos Pára-quedistas, 70 Especialistas e 150 Políci8as, Clarins, Condutores e outros homens do Serviço Geral da Força Aérea, pois o General CEMFA não gostava que o pessoal andasse sózinho lá pelas Áfricas. As "CUCAS" e as "NOCAIS" precisavam de quem as tratasse bem e dois sempre são melhor companhia que um.
Apesar de viajar só, não me dava o previlégio de ter alguém destacado para me esperar... até porque me destinava ao Negage, concretamente ao AB3, situado numa zona que me dizi9am ser de traulitada de criar bicho, mas eu tinha muitas reservas sobre esta informação, pois na Formação de Adidos, onde trabalhei, conheci muita gente que veio de lá e dizia maravilhas... mas também sei que em Luanda era mais o barulho feito pela "Tropa" que pelos "Turras", nunca se sabendo o dia de amanhã! Quando lá chegar eu digo!
Uma carrinha TP 21 da FAP estava destinada a transportar os Oficiais e Sargentos que vinham no barco até às Messes respectivas, que ficavam na cidade. As Praças tinham dois autocarros às ordens e havia ainda uma Wolksvagen Combi, que levava a maralha para a Base Aérea 9. Os "Páras" esperariam por viaturas que os levariam para o BCP 21, em Belas.
A Base Aérea nº. 9 era um enorme complexo militar construído nos terrenos do Aeroporto Craveiro Lopes, numa das "pontas do Bairro Salazar", mesmo na periferia da cidade de Luanda.
Mal cheguei à BA9, logo veio malta amiga e conhecida ao meu encontro, alguns que eu tinha embarcado para ali, outros que conheci em Tancos ou em Monsanto. Queriam saber notícias do "Puto"... ou saber se havia algum petisco trazido da terra, porque tudio servia para matar saudades... diziam eles.
Tratei foi de arranjar uma "visita guiada" à cidade, porque precisava de esticar as pernas, depois daqueles dias de "VERA CRUZ"! Até embarcar pera o Negage, o que iria acontecer daí a uma semana, tratei de conhecer a maravilhosa e admirável capital de Angola.
CONTINUA...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Repensando Angola...

Muitas vezes me interrogo sobre o que foi a presença Portuguesa em terras de Angola, que se prolongou por muitos anos - alguns dirão anos demasiados - e deram azo ao nascimento de uma nova Pátria... talvez não multicultural, multi racial ou tudo aquilo que queiram dizar quanto a uma presença de 500 anos feita pelos Portugueses, muito a contra gosto de alguns que acham ter sido uma perda de tempo para as populações, porque não pudemos ou não soubemos ser um Povo capaz de dar um pouco da civilização ocidental àqueles a quem "colonizámos", "explorámos", "roubámos" ou "massacrámos" em nome de um rei ou de um presidente que ousámos impôr pela força não sei bem de quê.
É que nunca percebi como fizemos tantas coisas más de que nos acusam, quando a verdade é que foram os Portugueses, vindos do "Puto" distante, uma insignificância territorial quando comparado com o colosso chamado Angola, quem construíu os alicerces daquilo que é hoje um dos maiores países da África Ocidental, quando olhamos para alguns dos chamados "impérios" africanos que são apenas uma miragem do progresso que se vê por todo o território outrora administrado pelo N'Gola, a Rainha Ginga e todo um cotejo de sumidades que fizeram a história de Angola... juntamente com os Portugueses.
Portugal "deixou" para trás a senda do progresso metropolitano para "construír" a Angola que é hoje um orgulho para toda a África. Quantos sacrifícios foram feitos para que ali se pudesse "fazer aquele bocadinho de terra" capaz de dar o pão para as famílias... porque a terra Angolana é uma terra fértil, generosa para com quem a trabalha, logo capaz de dar resposta aos anseios daqueles que deixaram tudo para fazer nas terras que escolheram para receber o seu trabalho, o seu suor, o seu amor total e desinteressado, que o foi de tal modo que até o seu sangue acabaram por lhe dar, em muitos casos.
A inveja de alguns levou ao aliciamento de muitos outros... a intolerância fez a sua parte... e o terrorismo surgiu! Muitos pagaram com a vida o desejo de uma vida melhor, a doação a uma terra generosa... mas muito injusta na forma como tratou aqueles que a quizeram progressiva. Talvez não fosse bem a terra a ser injusta, mas sim os ódios de uns tantos que pretenderam caminhos de ódio, de terror, de vinganças contra quem teve como única culpa o ter aprendido a amar aquela terra abençoada que dá pelo nome de Angola.
Ainda há muito para fazer, porque Angola ainda não é o País da Liberdade, da Justiça, da Paz, das Oportunidades... mas esse dia virá! O sangue vertido em holocausto assim o exige... e as dívidas de sangue pagam-se, mais tarde ou mais cedo.

sábado, 10 de julho de 2010

RECONHECIMENTO...

A PA no A.B.3 - Negage
.
No fim de qualquer acontecimento, importante ou não, vivido em qualquer parte do mundo, há sempre quem tenha a intenção de reportar aquilo que se passou... mesmo que não tenha vivido "in loco" a situação. A uns chamará alguém "repórter", a outros "jornalista", a outros ainda "cronista", "historiador", "narrador", "cronista", mas talvez o que o informador venha a receber é o epíteto de "mentiroso", "aldrabão" ou aquilo que se lembre o receptor da "mensagem" de inventar na ânsia de refutar as verdades que possam estar vertidas em artigo informativo ou as mentiras ignominiosas que por vezes estão bem patentes no corpo da "notícia".
Foi assim com tantos "correspondentes de guerra" que actuaram no teatro de operações de Angola, especialmente nos negros anos em que o Norte se viu assolado por um vendaval de terror perpetrado por próceres assassinos às ordens de ideologias que preconizavam primeiro a morte e desmoralização dos colonizadores brancos e depois de todos aqueles que com estes conviviam. Porque a UPA não passava de uma horda de assassinos sanguinários a soldo de um fiel seguidor das ordens recebidas de uma sinistra força sectária que dava pelo nome de Conselho Mundial das Igrejas, de profundo enraizamento evangélico baptista. Esse montro, falecido há pouco, dava pelo nome de Holden Roberto e tinha ajuda em bens materiais e monetários recebidos através das missões das Igrejas Evangélicas Baptistas Americana e Sueca.
No desenrolar dos anos da guerra, não faltavam ataques a alguns organismos que prestavam apoio aos Militares combatentes ou às famílias destes. Um dos alvos preferenciais de alguma imprensa escrita ou falada era a Igreja Católica, mas outras houve que sofreram na carne o espírito de solidariedade que mostraram para com os Militares, pugnando pelo seu bem estar moral e não só.
Estou a recordar, por exemplo, o Movimento Nacional Feminino e a sua presidente, Cecília Supico Pinto, que chegou a ter um efectivo de aproximadamente 82.000 mulheres, espalhadas por Portugal e África, que prestavam assistência aos Militares em combate e às famílias, além de terem implementado um serviço de informações bastante importante. Foi o MNF que "inventou" o aerograma - o celebrado "bate-estradas" - e criou as Madrinhas de Guerra, além de ser iniciativa sua a criação do subsídio de isolamento para os combatentes da Guiné. Foi o MNF um importante apoio para os Soldados nas frentes de combate, mas teve sempre de combater a inveja de alguns outros organismos... que não tinha a Cilinha Supico Pinto a pugnar por elas.
A Secção Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa, dirigida por Amélia Pitta e Cunha, presta importante apoio aos Militares feridos ou estropiados, trabalho que exerciam de forma exemplar e com sucesso impar, bastando que se recorde o que foi o seu trabalho nas recuperações no Hospital da Parede ou no Alcoitão. Também tiveram importanten papel na revisão das opensões, vencimentos e subsídios de campanha, além do apoio às famílias dos Combatentes tombados em defesa da Pátria e do apoio aos Militares estudantes.
Sabe quem "andou lá", a "matar os coitados dos pretos", no dizer de algumas vozes de burro - não chegam ao céu, diz-se - que teimam em denegrir tudo o que foi "obra de Soldados", pois talvez tais detractores desconheçam que o incremento da guerra veio proporcionar um maior desenvolvimento dos territórios, segundo todas as análises que possam ser feitas. E muitos dos que falam nunca lá colocaram os pés, pois os mosquitos podiam comê-los vivos, segundo o pensamento de alguns.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

EXÓRDIO...

Terroristas de Angola

Alguém se perguntará sobre o termo "exórdio" para falar dos tempos da guerra, da construção de uma nova Pátria, do esforço dos homens que deram o melhor de si mesmos para que outros pudessem viver, mas não terá muito que se preocupar com o palavrão, que apenas significa "começo" de uma narrativa, de uma história... quiçá...
A primeira memória que me ficou da brutalidade da guerra que se viveu em Angola, foi mais visual que escrita, mas mesmo assim brutal, porque as fotografias que se publicavam nos órgãos de Comunicação Social - naquele tempo chamada apenas de Imprensa - vindas da "aventura" dos repórteres de imagem que andavam pelas matas angolanas, nos primórdios dos anos 60, eram de molde a criar um sentimento de terror, dada a crueza do método empregue pelo inimigo, que utilizava catanas e canhangulos para degolar, mutilar, esventrar, decepar, estropiar todos aqueles que tivessem a pele branca ou tendo a pele negra vivessem em comunidade com aqueles.
Não lhes importava, aos inimigos, que fossem velhos, mulheres ou crianças: Eram brancos, tinham de morrer! Aqueles que liam os relatos da carnificina, primeiro nos jornais e depois nos livros que iam sendo publicados, quantas vezes terão sido levados a considerar exagerados tais relatos, até pelo facto de haver quem tudo fizesse para que o Povo não tivesse certezas, lançando constantes dúvidas nos seus espíritos.
É certo que muita gente vivia em constante sobressalto, reforçadas que eram as suas dúvidas pelas vozes traiçoeioras de alguns "portugueses" vendidos a interesses escusos, que aproveitavam as rádios instaladas em alguns Países "inimigos" da política portuguesa, como eram os casos da "Rádio Moscovo", "Voz de Argel", "Rádio Portugal Livre" e outras congéneres, que estavam ao serviços de potências ou organizações anti-portuguesas.
A guerra invadia todas as conversas, e à medida que havia mais gente implicada nela, cresciam também as dúvidas sobre o porquê da presença das Tropas Portuguesas em África, reservas quanto ao esforço de guerra, etc, etc. Havia jornais clandestinos a fazer eco das violências praticadas pelas nossas Tropas nas Colónias, milicianos que passavam à disponibilidade desabafavam, logo após a chegada, mostrando toda a amargura que tinham passado nas terras da guerra, as mobilizações sem sentido, as associações de estudantes que punham em causa tudo em geral e a guerra em particular!
É nestes momentos que a deserção impera e se dão as fugas de jovens para o estrangeiro, que vão "a salto" para não terem de sofrer os horrores da guerra, como alguns movimentos vão descrevendo a situação e promovendo a solução.
Os feitos dos Homens que estiveram no Negage, em Nambuagongo, em Mucaba ou na Pedra Verde, a glória de Homens como Maçanita, Duque, Robles, Lobato Faria, Mota da Costa, Catarino Tavares e tantos outros que serviram Portugal em África e lutaram em terra, ar e mar, não podem ser olvidados apenas porque este País ostracisa oa seus Maiores em detrimento das doutrinas partidárias de alguns.
Exórdio significa "começar", mas a dignidade daqueles que deram o melhor de si em defesa da Pátria não poderá ter como remate o abandono puro e simples, até porque o sangue dos que pereceram clama das tumbas!
Façamos por os merecer!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

UM GUERRILHEIRO APANHADO "Á UNHA"

"(Uma homenagem ao Piloto Rui Jofre, pelo Piloto Rui Prista)
Enquadramento:

História verídica contada por um dos protagonistas.
Estas Histórias são muito importantes pois, por um lado servem para registar memórias que ajudam a perceber uma fase importante da nossa História como País e Nação, mas por outro, despertam as nossas próprias memórias e reflectindo, ajudam-nos a perceber o nosso passado, lembrando-nos de camaradas de armas que marcaram a nossa formação como pilotos e como Homens.
Localização:
No Leste de Angola, pelos anos 70 do século passado, nós os pilotos milicianos, na sua maioria, dividíamo-nos pelos aviões, T6 e DO 27, e Helicópteros, Aluette III. A Base dos Aviões ficava em Henrique Carvalho e a dos Helis situava-se no Luso.
Protagonistas:
Eu próprio, que represento o papel do Piloto de Aviões e uma figura mítica do Leste de Angola da altura, o Jofre, que era Piloto de Helicópteros. Algumas noções para se perceber a História de Guerra que ficou registada na minha memória: Nós, os Pilotos de Aviões, tínhamos missões que de certa forma nos afastava das operações mais ligadas ao solo, como eram os RVIS (Reconhecimentos Visuais), TGER (Transportes Gerais), TIR(?) (Bombardeamentos, Metralhadoras ao solo e Foguetes ao solo), Reabastecimentos (aos militares destacados) e Evacuações Sanitárias (de doentes e feridos). Isto fazia com que os nossos contactos com o solo fossem essencialmente e preferencialmente com as pistas.
Houve quem tivesse outras experiências longe das pistas mas, certamente, involuntárias. Os Pilotos dos Helis, no meu tempo, eram mais guerreiros e tinham um contacto mais físico com a Guerra, andavam no meio dela quando transportavam as tropas especiais, paras, comandos e fusos (pára-quedistas, comandos do exército e fuzileiros). Faziam evacuações em pleno teatro de guerra, o Heli-Canhão era uma arma muito eficiente e imprescindível em certas situações mais quentes.
A História:
Numa das missões (a memória já foi apagada) que julgo ter sido uma evacuação de um doente entre o Cazombo e o Luso, em DO 27, detectei actividade IN (Inimigo) através da visualização de um acampamento com várias lavras (campo cultivado) que seria um campo de apoio a zonas de infiltração de guerrilheiros do MPLA. Registei no relatório de voo como era das NEPS (Normas de Execução Permanente). Semanas depois fui chamado pelo meu Comandante, Capitão Neto Portugal, que me disse, “Prista vais com o Jofre fazer um reconhecimento à zona daquele acampamento que registaste há 3 semanas quando vinhas do Cazombo”. Já tinha tido a grata experiência de haver feito um destacamento no Cazombo com o Jofre. Sessões de acrobacia em T6, Stall turns em Aluette III, lançamento de pára-quedistas (O Jofre) em DO 27 foram as actividades desenvolvidas nesse destacamento, entre outras.
- “Prista - diz o Jofre -, trás a carta onde marcaste o acampamento, vai buscar a G3 e vai ter comigo à placa, que eu vou pondo o Heli em marcha”. Fiquei surpreendido! Íamos de Heli? Eu pensava que íamos de DO 27... vai buscar a G3? Para quê? Enfim, pode ser que não seja nada mas, com este maluco, é de esperar tudo!!! Cheguei à placa e o Allouette III já estava com a turbina a assobiar. O Jofre aos comandos com a G3 ao lado e o Mecânico atrás com a sua G3 nos joelhos.
- “Prista senta-te aqui ao lado e dá-me o rumo para o acampamento! Vamos dar cabo deles”.
- “Ó Jofre... aquilo é muito grande e podem lá estar muitos e bem armados”.
- “Não há problema! Eles quando ouvirem o Heli até se cagam, só tens que fazer o que eu te disser! Vamos a eles!!!”.
Descolamos e pusemo-nos a caminho “Luso, Força Aérea 9123 em Ops Mil, até breve”.
Será até breve pensei eu !!! Identificamos o acampamento (aquelas cartas fotográficas sul africanas eram um espectáculo) felizmente, diz o Jofre “para eles” digo eu “para nós” já desactivado.
- “Porra” - diz o Jofre - “é sempre assim! Devíamos ter vindo logo no dia seguinte a tu tê-los visto... agora é tarde mas olha, já agora, vamos fazer uma pistagem, para tu veres como é de perto, lá de cima nunca vês nada”! - e começou a viagem de volta ao Luso a seguir pistas no capim a rapar com o Heli.
Estávamos no fim da época das chuvas e sobrevoava-mos vários charcos com alguma dimensão. A paisagem era normal, mas muito mais perto do chão do que eu estava habituado, cheirava-se o capim húmido.
De repente o Jofre dá um grito “olha o filho da p…” e vejo do lado direito do heli, a uns 100 m, um guerrilheiro armado com uma espingarda, vejo-o largar a espingarda e correr desenfreadamente para o charco mais próximo. O Jofre fez uma volta apertada à direita puxou o manche e parou o heli no ar e aterrando de imediato gritou: “vamos a ele”! Agarrou na G3 e saiu a correr em direcção ao charco. O mecânico ficou impávido, sentado atrás, e eu tirei o cinto, peguei na G3 e saí atrás do Jofre em correria.
- “Prista, eu vou pela esquerda e tu pela direita! Vamos apanhar o gajo à unha”!
Assim fiz e comecei a ouvir a G3 do Jofre a disparar, a adrenalina a subir a níveis impensáveis, rodeei o charco pela direita, com a G3 apontada e à espera de ver o guerrilheiro aparecer, o que felizmente, diz o Jofre “para ele” digo eu “para mim”, não aconteceu, apesar de eu também ter gasto as 20 balas do carregador.
- “O gajo deve ter-se afogado” - diz o Jofre - “vamos buscar a espingarda que ele largou e voltamos para o Luso”.
No voo de volta o Jofre disse-me que tinha gostado da minha atitude e ía propor-me para me passarem para os Helis, que era muito melhor do que andar lá por cima.
E foi assim que dois pilotos, no meio da chana africana, deixaram um Héli com o motor ligado e gastaram dois carregadores de G3, para tentarem apanhar um guerrilheiro “à unha”.
Mas trouxeram um troféu, uma espingarda automática de fabrico russo de que não me lembro o nome. (Kalashnikov ?)
Fica aqui uma homenagem ao Rui Jofre, um Piloto destemido que me ensinou muito.
O Rui Jofre Soares Dias Ferreira, excepcional Piloto de Helicópteros, infelizmente deixou-nos num estúpido acidente de Heli há poucos anos."

terça-feira, 25 de maio de 2010

1º. GRANDE ENCONTRO PA-NORTE


*Click para ampliar*
Estivestes na Força Aérea e usastes a Boina Azul da P.A.? Então estás em condições de participar no 1º. GRANDE ENCONTRO de Polícia Aérea do Norte, que se realiza no próximo dia 26 de Junho! Ficamos a aguardar a tua inscrição! Não percas a oprtunidade de rever Amigos que um dia tiveram a honra de usar a nossa Boina Azul!
INCREVE-TE! NÃO FALTES!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Monangamba

Naquela roça grande não tem chuva
é o suor do meu rosto que rega as plantações:
Naquela roça grande tem café maduro
e aquele vermelho-cereja
são gotas do meu sangue feitas seiva.
O café vai ser torrado
pisado, torturado,
vai ficar negro, negro da cor do contratado.
Negro da cor do contratado!
Perguntem às aves que cantam,
aos regatos de alegre serpentear
e ao vento forte do sertão:
Quem se levanta cedo? quem vai à tonga?
Quem traz pela estrada longa
a tipóia ou o cacho de dendém?
Quem capina e em paga recebe desdém
fuba podre, peixe podre,
panos ruins, cinqüenta angolares
"porrada se refilares"?
- Quem?
Quem faz o milho crescer
e os laranjais florescer
- Quem?
Quem dá dinheiro para o patrão comprar
maquinas, carros, senhoras
e cabeças de pretos para os motores?
Quem faz o branco prosperar,
ter barriga grande - ter dinheiro?
- Quem?
E as aves que cantam,
os regatos de alegre serpentear
e o vento forte do sertão
responderão:
- "Monangambééé..."


António Jacinto
Poeta angolano
condenado a doze anos de prisão no Tarrafal

domingo, 2 de maio de 2010

AINDA O "REI DO TÔTO" - CID ADÃO GONÇALVES

Li um comentário que é feito ao meu escrito sobre este tema, onde falei de um Homem que ajudou a construír Angola, de tal forma que ainda hoje a Fazenda do Cid Adão é referida nos roteiros turísticos , conforme pude constatar na Net.
Nesse comentário, um neto do velho pioneiro e importante industrial agrícola que se chamou Cid Adão Gonçalves, falecido em meados dos anos 60, afirma que o epíteto "Rei do Tôto" que consta do artigo, não seria referente ao Avô Cid Adão Gonçalves mas sim ao tio, que o sucedeu, Cid Adão Lasbarreres Gonçalves.
Efectivamente há que considerar a existência de dois cidadãos com o nome Cid Adão: Um deles consta ter iniciado a sua actividade em Angola ao serviço do Alto Comissário General Norton de Matos, de quem foi motorista. Quando o Alto Comissário cessou as suas funções e regressou à então chamada Metrópole, esse Cid Adão dedicou-se à mecânica auto, montando uma oficina que detinha com um seu irmão junto à Estação dos Caminhos de Ferro, mas acabou por abandonar esta oficina para se estabelecer no Tôto, onde deu vida à "Fazenda do Cid Adão Gonçalves", com exploração agro-pecuária, serviço de transportes auto, oficina e hotelaria.
Eram afamados os animais reprodutores que ali criava, até por haver sido ali construído o primeiro centro para desinfestação e desparasitação dos animais, com a construção inovadora de tanques-banheiro . Foi o introdutor da energia eléctrica no Norte de Angola e bem assim o homem a quem se deve a abertura da estrada Toto-Ambriz, aliado aos comerciantes desta terra.
O Governo atribuiu-lhe o grau de Grande Comendador da Ordem do Império.
Foi dos primeiros fazendeiros brevetados como piloto civil e teve, no distrito do Uíge, a primeira pista de aviação. Era um homem de muita cultura e viajado.
Quanto ao Cid Adão Lasbarreres Gonçalves, talvez a imponência da sua figura, motivasse algumas histórias, umas mais reais que outras... mas é sempre assim. Algumas seriam simples lendas... mas outras seriam histórias vividas.
Reza uma das lendas que, "certo dia, agarrado ao volante duma velha carripana, ia o Cid Adão a pensar na arca de Noé, quando esbarrou num obstáculo. Passado um momento de perplexidade, percebeu que tinha chocado contra um automóvel imponente, negro e luzidio. Encharcado até aos ossos, o motorista acercou-se, para lhe fazer ver que estava a obstruir a passagem ao novo governador.
- Quem? Eu?! Ele é que se atravessou no meu caminho! Esta estrada foi aberta pelo Cid Adão Gonçalves e pertence-lhe! - barafustou Cid Adão.
- Era o que faltava! contrapôs o Governador do Distrito, antes de espirrar. Onde é que já se viu um anónimo cidadão Gonçalves cortar o passo ao governador?
- Anónimo é o senhor! Na picada do Cid Adão Gonçalves, ninguém circula sem autorização prévia! Nem o governador!
- Recue imediatamente! - ordenou o governador.
- O aselha do seu motorista que se desvie ou faça marcha atrás!
- Isso é que era bom! Onde é que já se viu um governante percorrer itinerários de caranguejo, às arrecuas? Ainda por cima, o senhor pretende que eu dê a primazia a um cidadão anónimo. Nunca!
- Isto é uma violação do sagrado direito à propriedade privada. E sabe o que digo, nestes casos? - perguntou Cid Adão Gonçalves.
Aqui, é o autor obrigado a suspender a narrativa, pois a trovoada não lhe permitiu entender completamente o edificante diálogo que se seguiu, entre as individualidades em litígio. Notou, todavia, pelos semblantes carregados, e um ou outro gesto incontido, que o longo equívoco foi penoso, para as partes envolvidas.Importa é salientar que o desagradável mal-entendido acabou por sanar-se a contento.
O Governador fez questão em que Cid Adão tomasse lugar, a seu lado, na viatura oficial, ao que este aquiesceu prazenteiramente.Recolheram ambos ao Toto, em amena cavaqueira. O Governador perorou sobre o desenvolvimento das teorias psico-sociais e explanou o seu ponto de vista.
- Pauto a minha acção pelo respeito aos princípios de justiça social, consignados no Código Indígena. Através de uma correcta acção psico-social, criarei um verdadeiro homo “afroluso”. De pele negra mas alma branca. É dele que a nossa pátria pluricontinental e multirracial precisa, para derrotar a subversão comunista. Um primo da madrinha de minha mulher, que é chefe de gabinete do secretário do senhor Ministro do Ultramar, disse-me que Sua Excelência aprova inteiramente as minhas ideias.
- Auguro a vossa excelência uma governação repleta de êxito - disse, inclinando cortesmente a cabeça, Cid Adão.
Chegados ao Toto, o Governador desejou conhecer a “sua prole de trabalhadores” e Cid Adão viu-se em trabalhos para o distrair, enquanto um diligente capataz se afadigava, no armazém, distribuindo calções e camisas de ganga a trezentos contratados maltrapilhos.Após visitar as plantações de arroz, “que nem na China há iguais”, e os pombais, onde ensaiou alguns gorjeios que espantaram as pombas, o governador falou aos contratados:
- Tendes a felicidade de viver numa terra portentosa, que o engenho lusíada tornou exuberante. Trabalhai-a disciplinadamente, para serdes merecedores do sacrifício do vosso patrão, o meu ilustre amigo Cid Adão Gonçalves. Quis Deus, com a sua omnisciência, dar-vos uma pele negra. Aceitai-a, sursum-corda, pois Deus, na sua infinita misericórdia, ainda vos fez criaturas humanas.Para merecerdes esta condição, tereis, porém, de vos portar como homens honestos e trabalhadores, que ganham a vida e cumprem o seu dever, pagando os impostos ao senhor administrador.Não vos importeis com o negrume da pele, porque, para vos lavar a alma e a tornar pura e branca, como a dos governantes que o providencial doutor Salazar vos enviou, cá estou eu. Serei, para vós, um pai severo, mas bondoso. Saberei escutar as vossas reclamações, desde que não abusem, é claro. Não me peçam o Céu, pois não vo-lo poderei dar. Dar-vos-ei, todavia, um conselho: sede mansos e diligentes para o merecerdes, para, após a morte, vos libertardes do fardo negro desta vida.
“Boi-cavalo”, um capataz assim alcunhado pela frequência com que mimoseava os contratados com cabeçadas e pontapés, traduziu a intervenção do Governador, dizendo:
- Este branco grande é nosso pai e amigo do patrão. Vocês são pretos, porque Deus é porreiro. Senão seriam macacos. Os macacos não trabalham nem pagam impostos, mas têm rabo. Vocês não têm rabo e, por isso, para agradecer a Deus, têm de trabalhar muito. O dinheiro que o patrão vos dá não é para gastar na farra. É para pagar imposto ao senhor administrador, caso contrário, dou-vos porrada. Quem paga imposto fica lavado. Fica com a alma da cor destes brancos. E vai para o céu, quando morrer. O branco grande disse que vocês podem falar.
Um murmúrio inintelegível cresceu no grupo de contratados, antes de um ancião, de carapinha toda branca, tomar a palavra, no seu português peculiar:
- A gente aprendeu que a alma não tem cor. O branco grande não precisa de ficar preocupado. O imposto, a gente paga sempre. Aqueles que fica doente e não pode trabalhar fica mais anos no contrato, para ganhar o dinheiro do imposto. O branco grande é amigo do patrão. Deve dizer nele que a gente está farto de borracho com arroz. A gente não gosta de borracho com arroz. A gente tem borracho com arroz todos os dias.
O Governador afirmou ter registado tudo com agrado e deu por encerrado o encontro.Ao jantar, sua excelência elogiou a magnanimidade do patrão que “diariamente serve borracho com arroz aos seus empregados. É manjar de reis. É apaparicá-los!”
- Têm o que merecem, excelência - contrapôs o anfitrião.
Passados tantos anos, permanece o narrador na dúvida. Será que o Governador não percebeu que o “borracho com arroz” era uma câmara de ar, de borracha, cheia de arroz e atada nos extremos, como chouriço?
Cid Adão mandava aplicá-la nos rins dos indolentes. Substituía vantajosamente o tradicional chicote de cavalo-marinho. Os golpes não deixavam marcas." História de Álvaro Fernandes in “Berços de renda, enxergas de trapos"

terça-feira, 20 de abril de 2010

Onde há fumo...

De vez em quando, lá lemos mais um "testemunho" tomado num qualquer e-mail de alguém mais atento a estas coisas... e quando há fumo, certamente há fogo, ainda que de algum modo abafado. Sobre o candidato à Presidência Manuel Alegre, recebemos este "testemunho", que damos à estampa:
" Manuel Alegre - desertor ou colaborador com o IN? Os dados disponíveis sobre esta questão…
Seria de muito interesse conhecer o conteúdo das emissões da dita Rádio da Liberdade. O conhecimento genérico é que deu apoio (durante dez anos) aos movimentos guerrilheiros, que nos faziam a guerra, o que ele não desmente. Assim, nesse longo período de tempo, (toda a guerra da Guiné e de Moçambique) Manuel Alegre esteve do lado dos que combatiam contra nós…
VERSÃO DE MANUEL ALEGRE, EM MARÇO 2010 (in DN -27-3-2010)
“Eu não sou desertor, nem nunca fui. Eu estive na guerra; estive em Mafra, nos Açores e Angola. Sou até dos candidatos presidenciais o único que entrou em combate. Depois estive envolvido numa conspiração em Angola, pela qual fui preso e passado á disponibilidade (1). Fui-me embora para não ser preso pela PIDE, por razões políticas.
“Eu não tenho juízo moral nenhum sobre aqueles que desertaram, até porque, naquela altura, muita (2) gente achava legítimo fazê-lo. Mas eu não desertei e não quis desertar; quis viver a experiência da guerra e vivi a situação de combate no pior momento da guerra em Angola, que foi em 1962-63, com as minas a rebentar em Nambuangongo e Quipedro, que era a capital da guerra. E não me arrependo dessa experiência (…)”.

Notas:
(1) Nesta peça jornalística não foi apresentado qualquer documento sobre a sua passagem à disponibilidade, mas apenas um, onde o Comandante da Região Militar de Angola dava a opinião de que devia ser passado à disponibilidade. A regra militar de quem estava a aguardar julgamento em Tribunal Militar era manter-se na situação de estar á disposição deste tribunal, antes de passar à disponibilidade.
(2) Nestes primeiros anos de guerra os desertores eram praticamente inexistentes.

VERSÃO DE MANUEL ALEGRE, EM 1995 (in “Guerra de África (…)” de José Freire Antunes (Extractos).
“ (…) De facto (o comandante militar de Angola) mandou-me, sob prisão militar, de regresso a Lisboa, onde estive com residência fixa. Cheguei a Lisboa em Dezembro de 1963. Mais tarde, em Maio de 1964, fui informado de que iria ser preso e enviado para Angola, para ser julgado em tribunal militar. (…) passei á clandestinidade.”
“(…) Fui convidado para trabalhar na Rádio Argel e acabei por lá ficar. Quem dirigiu primeiro a rádio foi o Tito de Morais e depois passei a ser eu, durante dez anos, de 1964 a 1974. Entrevistei muita gente, e praticamente todos os líderes dos movimentos de libertação.”
“(…) A Argélia teve um grande papel no que respeita às ex-colónias portuguesas, porque a maior parte dos seus dirigentes, os primeiros quadros foi ali que receberam instrução militar, nomeadamente o Samora Machel.
“(…) Tínhamos de fazer três emissões por dia e muitas vezes praticamente sem informação directa de Portugal. Nós estamos a falar de factos que se passaram há cerca de trinta anos e que, nessa altura, eram vistos à luz dos nossos sentimentos, das paixões e até dos valores dominantes. Hoje temos outra perspectiva histórica e cultural (…)”.
CIDADÃOS REFLECTEM SOBRE A CANDIDATURA DE MANUEL ALEGRE
Estas reflexões não dizem respeito apenas aos militares do QP, mas a todos os portugueses que foram obrigados a participar nos perigos da Guerra do Ultramar. Muitos morreram devido à propaganda que tão mísero desertor fez na Rádio Argel.
Essas mortes de portugueses vindos, muitos deles, do interior do Portugal Profundo, poderiam ter sido evitadas ou reduzidas a números menores, se não fosse essa tal propaganda.
Teriam também sido muito menores os sofrimentos da descolonização se, em vez do incitamento à morte dos brancos, fosse facilitada uma negociação do futuro das colónias, de forma negociada, à semelhança de muitas das colónias britânicas e outras.
Por isso, não há condições de moral, de ética, de patriotismo que aconselhem a votar em tal desertor e traidor para vir a ser o Supremo Comandante das Forças Armadas, mesmo que se diga que a designação não passa de protocolar.
Cumprimentos - A. João Soares
De: José Luís Duarte Melo
Na política já não se estranham algumas ambiguidades, compadrios, cumplicidades, mas como honrar a memória dos que tombaram, vítimas da traição dos agora e de novo candidatos a Comandante Chefe?!...
Divulguem, contribuindo para o esclarecimento e acordar do torpor em que nos vêm embalando.
O abraço do D. Melo.
Ass: Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"
Considero uma indignidade e uma afronta não só aos militares, mas a todos os portugueses...
Comparando Militares do QP a Manuel Alegre "O DESERTOR"

NÃO SEI A VOSSA COR POLITICA, MAS NEM TEM QUALQUER INTERESSE PARA O CASO.
SOMOS PORTUGUESES E ESTAMOS PRONTOS PARA DEFENDER O NOSSO PAÍS JUNTOS OU NÃO ???????
SE A RESPOSTA FOR NÃO, ENTÃO É PARTIR E ESQUECER QUE ALGUMA VEZ SE TEVE PAÍS , MAS ESQUECER MESMO !
SE FOR SIM ENTÃO CONTINUEM A LER.
SE OS NOSSOS PAIS, PRIMOS, IRMÃOS, AMIGOS FOREM MANDADOS PARA UMA GUERRA NÃO TEMOS NÓS O DEVER DE NOS JUNTARMOS A ELES ????
QUE RAIO DE GENTE SERÍAMOS NÓS SE OS TIVÉSSEMOS ABANDONADO QUANDO CHEGOU A HORA, ESCOLHENDO PARA NÓS « MELHOR SORTE» ??????
COMO PODE UM DESERTOR, QUE RENUNCIOU A ESTES PRINCÍPIOS BÁSICOS, PRETENDER SER PRESIDENTE DO NOSSO PAÍS.?
MAIS GRAVE: COMO PÔDE ALGUMA VEZ SER ADMITIDO COMO CANDIDATO?
ISTO ULTRAPASSA TUDO!
ESPERO SINCERAMENTE QUE A MINHA INDIGNAÇÃO SEJA TAMBÉM VOSSA PARA COMEÇARMOS A TOMAR CONSCIÊNCIA DE QUE ALGO TEM DE SER FEITO PELO NOSSO PAÍS.
REPASSA PELO TEU CÍRCULO. ISTO NÃO PODE FICAR ASSIM

Um DESERTOR seja qual for a cultura ou civilização É E SERÁ SEMPRE UM DESERTOR!
HOUVE TEMPOS EM QUE ATÉ ERAM FUZILADOS!
Conheci um HOMEM, EUGÉNIO ROSA (e de cuja cor politica até nem partilho), que esse sim, tem dignidade para se poder aceitar uma candidatura à Presidência da República, mas, dele, pouco ou nada se ouve para além de uns escritos sobre as suas lutas pela igualdade.
Este HOMEM era contra a guerra no ultramar mas não fugiu. Recusou sempre as suas mobilizações, mas cumpriu o serviço militar como todos os outros da sua geração. Penalizado, mas cumpriu, NÃO DESERTOU!
Este HOMEM que lutou "no terreno" em prol das suas convicções, esteve ao serviço de Portugal e cumpriu 7 anos na Trafaria e mais 2 destacado em Cabo Verde, onde com ele privei.
POR ISSO, UMA POTENCIAL CANDIDATURA DE MANUEL ALEGRE (UM DESERTOR) Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA, INDIGNA-ME!
IBz
Passo a reencaminhar um escrito de Fernando Paula Vicente que relevo de interesse:
"Muito obrigado pelo seu concordante comentário sobre a potencial candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.
Teria preferido, a bem da nossa Nação, que o seu comentário fosse no sentido de me provar que estou errado, o que, lamentavelmente eu não vou ouvir de ninguém.
Sabe, o que mais me incomoda é que, com 2 filhos e 6 netos, olho para o meu "prazo de validade" a chegar ao fim e sei que vou morrer com a angústia de lhes deixar um País, uma Nação, governados por aquilo que já o nosso saudoso Rei D. Pedro V - infelizmente morto na flor da idade - descrevia, na sua correspondência para o seu tio Alberto, marido da Rainha Vitória de Inglaterra, como uma "canalhocracia".
E inquieta-me profundamente que, desse último quartel do século XIX até aos nossos dias, não só nada tenha mudado para melhor, como a imunda República que nos governa, cujo primeiro centenário que este ano os socialistas irão celebrar e que custará aos contribuintes DEZ MILHÕES DE EUROS tenha, pela sua prática política legitimado que possamos dizer, hoje, que não é mais uma canalhocracia que nos governa, mas sim (e salvo raras e honrosas excepções) uma "quadrilhocracia".
Na minha qualidade de cidadão em uniforme que dedicou à nossa Pátria os melhores anos de toda a sua vida, a troco de um prato de lentilhas, já vi quase de tudo e, como anteriormente afirmei, só me falta ver Manuel Alegre - um DESERTOR - eleito PRESIDENTE DA REPÚBLICA e, nessa qualidade e por inerência do cargo, como Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas.
Espero que os portugueses acordem antes que tal possa acontecer. Cordialmente,
Fernando Paula Vicente - Maj-General da FAP (Ref.)"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pensar Angola... hoje!

ex-Avenida dos Combatentes hoje
Neste ano da graça de Deus de 2010, porque existe uma coisa chamada calendário que nos permite ir contabilizando os dias, meses e anos decorridos depois que saímos de África, não posso deixar de me benzer com a mão esquerda e fazer uma cara de espanto: QUANDO CHEGAR O PRÓXIMO 25 DE ABRIL, SERÃO PASSADOS 36 ANOS SOBRE A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS EM PORTUGAL... E A 11 DE NOVEMBRO PASSAM 35 ANOS SOBRE A INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA!
O tempo voa... mas as memórias continuam a ser muitas, mesmo que se confundam as boas com as más, dado ambas fazerem parte do nosso acervo histórico, seja aquilo que está escrito em documentos seja o que vivemos no terreno e registamos nas prateleiras da recordação.
Angola hoje, por aquilo que se vai sabendo, está algo diferente daquilo que foi nos tempos coloniais. Alguns aspectos terão sido benéficos outros nem tanto, não porque seja negativa a vida pujante de uma cidade como Luanda, com os seus 4 milhões de habitantes, mas porque sabemos não ter sido "programada" para um tal "boom" na densidade populacional, pois Luanda à data da Independência de Angola era uma cidade cujo parque habitacional permitia cerca de 900.000 habitantes... com um pouco de boa vontade.
A cidade de Luanda completou em Janeiro 434 anos, e é uma das mais belas cidades de África, mesmo reconhecendo que tem muitos problemas por resolver, que já estarão há muito identificados pelas autoridades actuais, como o estavam nos tempos coloniais, porque havia já então a consciência de que Luanda iria crescer e era preciso tomar as medidas necessárias para se reverterem as coisas numa cidade cujas infra-estruturas não estavam preparadas para o crescimento acontecido nos últimos anos.
Esta bela cidade, que nos tempos do colonialismo rivalizava até com a capital de Portugal, está num estado tal que torna premente fazer -se reverter a situação.
Há grandes projectos de investimento em Angola, sabe-se, fruto da enorme riqueza que são os seus recursos naturais (petróleo e diamantes), mas é facto é que alguns índices sócio-económicos colocam Angola na cauda do mundo.

Lixo nas ruas de Luanda
Há uma esperança média de vida de sómente 42,7 anos, até pelo facto de a mortalidade infantil ser bastante alta - 132 por cada 1000 nascimentos!... A alfabetização é de 67,4%!...
Após 13 anos de guerra colonial, e mais 28 de guerra civil, que terminou em 2002, o povo angolano espera e deseja que as suas condições de vida sejam realmente melhoradas.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

HONRAI A PÁTRIA...

Já são passados mais de 90 anos sobre a data em que os Soldados e Sargentos que estavam nas trincheiras da Flandres, se puzeram a correr assim que deram pelos soldados do Exército Imperial Alemão ali no meio daquelas terras de ninguém. Aqueles Oficiais que ainda não tinham desertado a coberto de uma qualquer licença, já há muito haviam abandonado o conforto dos quartéis. No campo, entre mortos, feridos e prisioneiros, contavam-se 7 000 baixas. O desastre de La lys não constituía qualquer novidade, pois desde há muito estava anunciado, precisamente a partir do momento em que, em 1916, o governo de Afonso Costa, acossado por todos os lados, resolveu declarar guerra à Alemanha, numa tentativa de inventar um inimigo externo que desviasse as atenções dos problemas internos. Nesse dia que se traçou o destino de milhares de Portugueses: um exército depauperado, comandado por oficiais incompetentes, cuja promoção dependia das simpatias políticas, iniciou em Tancos a preparação para uma guerra inexistente, a que pomposamente se chamou “Milagre de Tancos”.

No ano em que a República comemora o seu centenário, o certo é haver faustosidade nos eventos comemorativos, com homenagens aos Militares mártires que pereceram em La Lys... em nome de uma República então a viver a sua infância. Haverá evocações bacocas dos Heróis da Grande Guerra - que o foram, efectivamente -, elogiando-se o sentido patriótico daqueles que deram a vida em holocausto da Pátria... mas desde já me parece um exercício cínico, especialmente porque o Governo da República não tem vocação para honrar os Combatentes de qualquer tempo, sejam eles da Grande Guerra, da Guerra do Ultramar ou das Guerras da Independência, da Restauração ou das Estrelas.
Não! O Governo Português teima em marginalizar aqueles que combateram no Ultramar, ostracisando por completo a memória dos que pereceram na defesa de pedaços de chão pátrio Portugues, porque sentiam que as terras de Nambuagongo, Pedra Verde, Úcua, Mucaba, Santa Eulália, Tentativa, Loge, Guileje, Guuidage, Cantanhez, Tite, Chai, Niassa, Cobué, Mueda, Tete, Cabo Delgado, Namgololo, Miteda, Omar, como Cabo Verde, Timor, Macau, São Tomé e Príncipe eram parte da herança que os antepassados lhes haviam deixado como legado para que continuassem Portugal do Minho a Timor.
Talvez o 09 de Abril possa um dia ser considerado DIA DO COMBATENTE PORTUGUÊS... mas até lá, seria pertinente que a Pátria tratasse os Combatentes vivos com a dignidade que eles merecem! Mal está o País que não reconhece os seus Heróis!