sábado, 14 de novembro de 2009

POR VEZES... A SAUDADE DÓI

Se há coisas quase impossíveis de esquecer, uma delas deverá ser aquela sensação sentida quando alguém sente que chegou a um sítio onde jamais pensou chegar... a não ser que seja um sonhador que houvesse encontrado forma de "construír" cenários para os seus sonhos.
Não se pense que estas palavras terão alguma razão de ser se não forem devidamente explicadas...e para isso aqui estou a escrever este "post", que pretende dar a conhecer o que foi a minha primeira impressão quando pela primeira vez pisei terras do Negage.
Encontrei uma paisaigem bastante diversificada, onde o solo é vermelho, não pelo sangue que possa ter sido vertido nela mas porque a terra tinha realmente uma cor a lembrar os mártires que tombaram na região na sanha terrorista empreendida pela UPA naqueles dias tristes de Março de 1961.
No que à minha nova Unidade respeitava, não foi de todo decepcionante o panorama que desfrutei, pois tratava-se de um Aeródromo Base simpático, bastante florido, estruturalmente bem concebido, com um bom enquadramento das estruturas, que eram básicamente concebidas em módulos pré fabricados de regular qualidade, exceptuando-se a cantina da Unidade e o Clube de Oficiais, que eram edificações construídas em betão, blocos de cimento e tijolo, ou a Secção de Transportes e Carga Aérea, que estava a funcionar sob a carcassa de um avião "Skymaster" que se havia acidentado ao aterrar na pista do Aeródromo.
A vila também me não deu para arregalar os olhos, porque era uma povoação tipo daquelas que imaginava quando ainda estava na Metrópole: - uma ampla e comprida avenida, na qual funcionavam os principais serviços administrativos da urbe e se podiam vêr duas unidades do Exército - 3ª. Companhia de Caçadores e Companhia de Artilharia -, a Messe e o Clube de Oficiais da Força Aérea, a Igreja de São José Operário, o Hotel Avenida, o cinema do Desportivo, alguns restaurantes e cafés, uma papelaria, alguns estabelecimentos comerciais, um fotógrafo, etc.; uma avenida perpendicular à anterior, com mais unidades militares - PAD, Intendência, etc - um posto de abastecimento de combustíveis da Shell, uma fábrica de descasque de café, uma relojoaria, mais uma lojas de comércio geral...
Depois havia a avenida do Colégio do Negage, que era mais uma montra a mostrar que o Negage caminhava para a passos largos para a obtenção do estatuto de cidade.
Não sei como seria o dia-a-dia das gentes do Negage antes das Unidades Militares ali se estacionarem, mas creio sinceramente que terá sido decisiva a instalação dessas Unidades para o incremento daquele aglomerado populacional, pelo menos no que concerne ao desenvolvimento do parque habitacional, do comércio local e serviços ou dos equipamentos destinados ao lazer.
Pelo que me apercebi, a sociedade civil do Negage já tinha uma vida mais ou menos bem delineada quando o terrorismo a veio perturbar e mudar o seu estilo de vida, que passou a ter de contar com as suas capacidades de sobreviver até que a "tropa" veio ajudar a seguir em frente e fazer que pudesse voltar a ter confiança no porvir.
Quando se deu a independência, foi a guerra civil que destruíu muito do que havia sido conseguido, infelizmente! Tirou-se ao Negage a possibilidade de ser um orgulho para Angola, quanto àquilo que construíu! Aos construtores do Negage e seus descendentes resta a consciência tranquila por tudo o que fizeram em prol da terra, pois honraram o seu brasão!

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