quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A GUERRA COLONIAL EM ANGOLA

Quando leio alguns "escribas" dos novos tempos, daqueles que tudo sabem, tudo viram mas tudo calaram, para que o "tacho" se não esturre e possam meter a mão na "gamela" e tirar o sustento da sua cobardia, sinto uma tremenda vontade de vomitar, porque me dá asco tanta desfaçatez... especialmente quando esses "escribas" se escudam numa Academia Portuguesa de História para haver alguma credibilidade naquilo que escrevem.
Isto para dizer que li o volume 22 sobre as Batalhas da História de Portugal - GUERRA DE ÁFRICA ANGOLA - 1961-1974, cujo texto escrito, da autoria de Rui de Azevedo Teixeira, é apenas e tão só um libelo acusatório ao autoritarismo de "um Salazar que exacerba valores e heróis nacionais" e um repositório de maldicências, insinuações e aleivosias que "tocam" no ego do Povo e desvirtuam os sentimentos que possam ser nutridos por aqueles que foram chamados a pegar em armas em defesa daquilo que sempre tiveram por Solo Pátrio de Além Mar e das suas gentes.
Apresenta como exemplos Nuno Álvares, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que não passariam de uma encenação ditatorial de Oliveira Salazar, que fazia gala na "mostra" do extraordinário mapa em que as colónias portuguesas estão sobrepostas à Europa, mas trata de esconder um país infectado de características essênciais negativas, como é exemplo a elevada taxa de analfabetismo, pois que se alega que "basta que saibam lêr, escrever e contar".
Com o sistema colonial de Salazar, no dizer de Azevedo Teixeira, os negros são considerados sub-homens, susceptíveis de práticas negreiras. A contestação frontal verificada na madrugada de 04 de Fevereiro de 1961, levada a efeito por um grupo de nacionalistas angolanos, que atacam duas cadeias e o quartel da Polícia Móvel de Luanda, segundo o mesmo autor, tem como objectivo libertar os camaradas presos.
Quando leio este termo "CAMARADAS" fico logo de pé atrás, pois o termo poderá querer dizer muita coisa, em termos políticos e não só, como a afirmação de que seriam membros de um Partido Comunista qualquer - o que até era verdade, ou elementos das Forças Armadas... ou qualquer coisa parecida.
Em 15 de Março, como continuação das "festas" a que o MPLA dera início, a UPA/FNLA lança um festival de sangue e morte, de destruição e lágrimas, com especial impacto nas terras do Norte de Angola! Escusado será dizer-se que o autor não gostou que Salazar só em Abril pronunciasse a célebre frase "Para Angola, rápidamente e em força!".
"Ninguém sai da guerra inocente. Nem do colonialismo!" - diz Rui Teixeira Claro que não, digo eu! E digo-o ciente de que aqueles que estiveram a lutar em África não o fizeram por gostarem da guerra nem tampouco para encher os bolsos com os chorudos vencimentos que o autor afirma serem recebidos pelos Militares combatentes!
O Soldado Português pode ser pouco marcial, como diz o senhor Teixeira no seu livrinho, pode ter sido treinado à pressa, ser mal tudo aquilo que ele queira e até negligenciado pela hierarquia... mas não é cobarde, mesmo que sinta o tal medo do ataque inesperado em que a bala espreita ou a mina espera, como disse o desertor Manuel Alegre. Aquilo que pode minar a moral do Soldado é a traição, mesmo que esta seja apenas de palavras, porque há palavras que matam mais que as balas... e o senhor Rui Teixeira sabe que os Soldados Portugueses, em Angola, em Moçambique ou na Guiné fizeram coisas realmente fantásticas, maravilhosas! Foram dignos daquilo que um dia juraram, perante a Bandeira de Portugal:
"JURO!!! DEFENDER A MINHA PÁTRIA, E POR ELA DAR A VIDA, SE NECESSÁRIO!"
Parece que os fazedores de opinião, que escreveram para a coleção das Batalhas da História de Portugal, apenas pretenderam arranjar uma ocasião para poderem denegrir o nome de Portugal de então.
Como disse Salazar..."SÓ DEVEMOS CHORAR OS MORTOS SE OS VIVOS OS NÃO MERECEREM!". Tantos anos após esta "sentença", gostaria bem não ter de chorar aqueles que tombaram em holocausto da Pátria, para que os outros vivam! Quando chorar será de tristeza por todos aqueles que não mereceram o sacrifício de tantos que amaram e serviram a Pátria para além do dever, doando-lhe a sua vida! Honra aos Heróis!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O "REI" SOLDADO

Já vai distante o tempo em que vi chegar ao Aeródromo Base nº. 3, na então Vila do Negage, um jovem Alferes Miliciano Piloto que dava pelo nome vulgar de Nuno Bragança. Magro, louro, de bigode bem desenhado sobre uma boca que parecia apenas saber pedir desculpa e esboçar aqueles sorrisos que distribuía para um lado e para o outro... porque eram gratuitos, dizia eu cá para os meus botões.
Aquele militar não era uma pessoa qualquer, mesmo que o ti António o houvesse mandado para Angola como mais um e não como alguém que mereceria outras honras se estivesse inserido num outro sistema governativo que não uma República, pois era apenas e tão só o HERDEIRO DA COROA PORTUGUESA!
Sei que a Causa Monárquica não estava aqui em "causa", mas o que é verdade é que aquele jovem Oficial Piloto era nem mais nem menos que D. Duarte Pio de Bragança, o Princípe da Beira e Duque de Bragança, que havia levado o seu portuguesismo ao ponto de se oferecer para servir em África, no combate ao terrorismo que havia deflagrado em Angola, Guiné e Moçambique.
Talvez a contragosto, Salazar acabou por autorizar que ele viesse para Angola... mas com expressas ordens para não ser exposto às agruras do combate e ao perigo de captura por parte do inimigo, para que não houvesse exploração do facto por parte das facções partidárias da Monarquia, como se compreenderá.
No dia da sua chegada foi um espectáculo a subserviência patente no comportamento de alguns Oficiais do AB3, que em grandes reverências, quase tocando o nariz no chão, o tratavam por "Sua Alteza", "Majestade", "Senhor D. Duarte" e outras coisas do mesmo jaez, até que o Comandante Gião colocou um ponto final no caso! O jovem piloto era o Alferes Bragança e mais nada!
Como por magia, o herdeiro da Casa de Bragança simpatizou comigo, talvez por saber que também eu tinha alguma simpatia pela Causa, passando a ser o seu confidente, o seu amigo, o seu conselheiro e tudo o que se possa dizer numa situação em que alguém confia na nossa maior experiência das coisas do Negage e nos pede que lhe sirvamos de cicerone, o que fiz com toda a boa vontade.
Pela minha mão conheceu a Vila do Negage, algumas das pessoas mais antigas da terra, como o velho Ginja, o Fernando Santos, o João Ferreira, os Padres Prosdócimo de Pádua e Fortunato da Costa, o Manuel Manso, o Professor Carvalhosa... enfim: as pessoas que havia feito o Negage, que lhe deram um estatuto, uma história capaz de não envergonhar aquele que bem podia ter sido o seu Rei.
Chamo a D. Duarte Pio o Rei Soldado sem ironia, pois Rei deveria ele ser, pela graça de Deus, e soldado era-o na realidade, porque foi nessa condição que o vimos um dia chegar às terras mártires de Angola.
Ainda hoje me pergunto se alguma vez Portugal se poderá perdoar por não ter aproveitado a circunstância de ter no seu seio um homem bom que nasceu para ser Rei... mas a quem a tacanhez de espírito dos homens resolveu recusar o lugar que a história, por direito inalienável, lhe outorgou, que é o de REI DE PORTUGAL!