quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Memórias da guerra...

Quem procurar saber o que foi a acção "gloriosa" dos chamados Movimentos de Libertação de Angola, deve procurar não tomar tudo o que se disse ter sido acontecimento como uma verdade histórica insufismável, pois muito do que se escreveu foi ditado pela tensão do momento, não foi documentado como prova histórica... por várias razões que fácilmente se entenderão.
Estou certo que alguns relatos foram vividos por outros que não os relatores, correspondendo a uma certa visão dos acontecimentos do 04 de Fevereiro ou do 15 de Março, como depois veio a acontecer com o 27 de Setembro e outras daquelas datas que foram emblemáticas do descalabro que aconteceu em Angola a partir da eclosão do terrorismo, mas talvez haja lugar a um meio termo naquilo que a "vox populorum" foi escarrapachando nos jornais e revistas mais sensacionalistas da época, que viram nos acontecimentos trágicos do Norte de Angola uma maneira fácil de arranjar mais uns milhares de Escudos à custa do sofrimento alheio.
Que lhes importava a eles, jornalistas, que as pessoas fossem ou não massacradas lá nas terras dos pretos? Alguém os mandou ir para lá? Então não sabiam que em Angola havia sempre pancadaria desde há muitos e muitos anos, havendo até quem afirmasse que desde que os Portugueses chegaram a Angola nunca mais houve sossego e talvez as populações nem vinte anos tivessem vivido em paz completa! Sabemos que isto são as más línguas do mundo... mas talvez até haja uma certa verdade em muitas das coisas que se dizem, por muito que doa admitir este facto.
Quem estiver atento ao que foi a vida em Angola nos tempos dos sertanejos Serpa Pinto, Hermenegildo Capelo, Caldas Xavier e tantos outros, não duvidará que a revolta do Bailundo aconteceu, as lutas com o Rei do Congo, com a Rainha N'djinga e com sobas, chefes tribais ou aproveitadores de circunstâncias para se aboletarem com as imensas riquezas que brotam dos solos desta imensidão que é Angola, verá que sempre houve uma certa tendência para que acontecessem todas as espécies de patifarias naquele território.
As lutas pela independência aconteceram por muitas razões, umas inexplicáveis outras não, mas aquilo que as pessoas relataram, debaixo da angustía, do terror, da dôr, talvez seja muito mais terrível do que alguns fazedores de notícias na altura relataram! Talvez Ferreira da Costa tenha dito algumas verdades nas suas "crónicas de Angola", mas apenas e tão só aquelas que não pudessem dar azo à aquisição de sentimentos de terror ou ódio pelos ouvintes da Emissora Nacional. Outros jornalistas, que seguiram as nossas tropas na reconquista de territórios como Mucaba, Nambuagongo, Quipedro, Quimaria ou Pedra Verde, também deram ao mundo a noção de que em Angola havia uma guerra de terror em que se matavam mulheres, crianças ou velhos, brancos ou pretos... desde que estes servissem os brancos ou não "alinhassem" com os assassinos armados pela cobiça de alguns países, que não se coibiam de mandar até "comissários" para o meio dos Movimentos.
E o Negage bem sentiu na pela os malefícios de uma guerra que não desejou! Até hoje!

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