terça-feira, 4 de agosto de 2009

OUTRAS GUERRAS...

*Sequelas da guerra *
*
...parecem ser necessárias para que alguns incrédulos possam julgar por si mesmos aquilo que poderá fazer - ou desfazer, tanto importa - o carácter de uma pessoa, quando submetida à pressão que é não saber se acorda no dia seguinte, por mercê da acção inimiga que teima em lhe coartar qualquer possibilidade de viver a sonhar com um amanhã... que poderá nunca acontecer.
Perguntarão, aqueles que me conhecem, o porquê de estar para aqui a gastar os neurónios com coisas tão estranhas de se pensar, quanto mais de dizer, até porque dei um pouco da minha vida em terras onde se nasceu e cresceu sobre o signo de uma Bandeira que representava uma Pátria grandiosa em passado, gloriosa em gestas e ridente no porvir que se construía paulatinamente do Minho ao Algarve, daí até às Ilhas atlânticas, a Cabo Verde e São Tomé, à Guiné, a Angola, a Moçambique, à Índia, a Macau, a Timor... onde se lutou de forma insana contra aqueles que haviam aparecido com ideias novas para aqueles territórios, porque nos haviam ensinado ser ali um pedaço de Portugal... e morreu-se por essa convicção de que Portugal era, na realidade, uma imensa Pátria em pedaços repartida!
Foi assim que vi muitos Camaradas de Armas, não importa agora se da Terra, do Mar ou do Ar, verterem o seu sangue por essa convicção, tal como foi o sangue de milhares de Portugueses, sem distinguir qualquer raça ou religião, extracto social ou categoria profissional, que veio a regar generosamente com o seu sague aquelas terras que haviam sido demandadas pelos nossos antepassados nos tempos de antanho.
Muitas vezes recordo o que foram as epopeias de Mucaba, de Nambuagongo, do Quitexe, da Pedra Verde, dos Dembos, logo no dealbar dos anos 60! Tenho presente o ataque de 4 de Fevereiro feito às cadeias em Luanda e ao quartel da Polícia Móvel, mas muito profundo é o que está gravado no cérebro quanto os massacres levados a cabo no Norte de Angola a 15 de Março de 1961!
Podem continuar a dizer que foi para vingar os acontecimentos da Baixa do Cassange, em Janeiro de 1961, porque isso não basta para me convencer que os apaniguados do Cónego da Sé de Luanda, os sequazes do Padre Mário Pinto de Andrade e do irmão, do Viriato da Cruz e do Agostinho Neto, convictos comunistas, não sabiam que a UPA ia atacar no Norte... porque ninguém se bom censo acredita nisso.l Estavam concertados para fazer massacres e com eles "correr com os brancos para o mar", como muitas vezes diziam durante oa ataques. O MPLA e a sua Frente Unida, que pretendia fazer a guerrilha contra os portugueses, conforme o manifesto de 1956, dizia que não era tribalista... mas era sectário e aproveitava-se do trabalho dos outros.
Quem fizer exercícios de memória recordará o que foi a luta de velhos colonos que "fizeram o Negage", como o Fernando Santos e família, o João Ferreira, filhos e demais familiares, a família Baganha, o Jesuíno Dias e família, os Carvalhosa, o Horácio da Papelaria e o irmão, a Família Fernandes, o velho Ginja, o Manuel Ribeiro Manso e família, os Costas, as Famílias Pires, Valadares ou Pedrosas, o Manel da Ana... e tantos... tantos outros cidadãos anónimos que lutaram abnegadamente para darem uma razão de ser às suas vidas, pugnando até à exaustão pela sua dignidade e a dos seus!
Falta referir muita gente? É verdade que sim, mas não pretendia estar para aqui a fazer uma lista "daqueles em quem poder não teve a morte", mas tão só dizer que o Negage foi obra de Homens e Mulheres que, "onde necessário e quando necessário" também souberam dizer "PRESENTE"!
De todos os que se apenas a razão da força ousou vencer, deveremos apenas dizer: "HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE"!

Sem comentários: