terça-feira, 28 de julho de 2009

4 de Fevereiro - Princípio da guerra em Angola?

Grupo terrorista da UPA
Mal raiou a madrugada do dia 4 de Fevereiro, realizaram-se alguns assaltos a diversos departamentos e serviços públicos de Luanda, nomeadamente às cadeias civis, à Casa de Reclusão Militar e ao Quartel da Brigada Móvel da PSP de Luanda. No dia seguinte, que era domingo, quando larga maioria da população da capital angolana acompanhava à sua última morada os mártires agentes da ordem que haviam mortos no dia anterior, alguns agitadores entretiveram-se a disparar tiros em várias direcções, numa clara demonstração de provocação às populações.
A Polícia e o Exército intervieram logo, como lhes competia, travando-se então uma luta destes com os provocadores, que acabaram por conseguir ter entre eles mortos e muitos outros que acabaram por ser presos.
Noutros pontos da cidade também houve motins, que deixaram feridos alguns polícias . No dia 8, quarta‑feira, foi a vez dos assaltantes atacarem a cadeia de S. Paulo, tendo nesta acção morrido 17 assaltantes e muitos outros ficaram feridos, efectuando‑se ainda bastantes prisões, como havia acontecido no sábado, dia 4.
A grande maioria dos assaltantes, que eram nativos, encontrava-se fortemente drogada com “marijuana” e estavam armados com armas brancas - catanas - e algumas armas de fogo de origem checa. Entre os assaltantes mortos ou aqueles que foram presos, encontravam-se alguns europeus, com o corpo pintado de preto.
A PSP e o Exército vão efectuando “rusgas” pelos muceques e têm prendido numerosos indígenas que são suspeitos de haverem tomado parte nos assaltos. Perto do cemitério, no Bairro de São Paulo, foram encontrados muitos pretos feridos, que eram tratados por duas feiticeiras, num improvisado hospital, tendo sido todos presos .
Os polícias da Brigada Móvel trataram de terraplanar os terrenos que circundam o quartel, instalando alguns projectores nos diversos edifícios do aquartelamento e cercando tudo de arame farpado, pronto para ser electrificado caso possa haver um novo assalto.
Também na cadeia de S. Paulo viu serem instalados projectores e a guarda reforçada, sendo igualmente reforçada a guarda ao Comando Geral da PSP de Angola, que passou a dispôr de um Guarda da PSP e 6 Cipaios munidos de metralhadora e com a baioneta calada dispostos de 20 em 20 metros.
Fora estas medidas e o facto de se efectuarem aturadas “rusgas” aos muceques, tudo parece estar normal, como se nada de extraordinário houvesse acontecido.
Pode-se dizer que toda a população branca da cidade terá ido aos funerais. Estavam as pessoas dentro do cemitério da Estrada de Catete quando alguém começou a gritar: - " Eles vêm aí! " começando desde logo a ouvir‑se o matraquear das metralhadoras disparando em rajada. A partir desse momento o pânico e o caos generalizam-se , vendo-se pessoas a correr de forma desordenada, com gritos de terror, tentando fugir uns para aqui e outros para ali, em busca do portão principal do cemitério, que se mostrava pequeno para tanta gente em fuga.
Dentro do cemitério, viam-se sapatos pelo chão, com algumas pessoas a correr de pé descalço e outras procurando partir árvores ou estacas de sustentação das campas para conseguirem armas improvisadas . Fora dos muros do cemitério, aqueles que conseguiam saír corriam em direcção às viaturas que ali haviam deixado estacionadas.
De repente ouvem‑se mais rajadas de metralhadora, levando a que algumas pessoas procurassem encontrar uma cova que as pudesse proteger. O regresso é feito a passo de caracol e talvez muito mais brancos tivessem sido chacinados se os tiros fossem mesmo de um ataque. Alguns amigos disseram-me que a última imagem que terá ficado na retina de muitas daquelas pessoas, no meio daquela retirada geral sem qualquer segurança, foi a imagem de um negro desolado, parado à beira da estrada, todo esfarrapado e ensanguentado. É que nessa noite e nas que se seguiram terão sido de represálias indiscriminadas sobre os negros dos musseques, que tiveram a mão de alguns civis brancos armados, segundo alguns pró-turras.
Não estou na defesa nem no ataque seja de que facção seja, mas na minha terra natal diz-se que "cá se fazem... cá se pagam!" ou "quem vai à guerra.. dá... e leva!" ou ainda "quem semeia ventos... colhe tempestades!"
Não tardaria muito para se vêr até que ponto a matança estaria presente na história de Angola. Os massacres terroristas da UPA foram a verdadeira matança dos inocentes! Em nome de quê?

1 comentário:

-pirata-vermelho- disse...

Em nome da intençãode expulsãodosportugueses para permitir que a inesgotável riqueza de Angola pudesse mudar de mãos. Como hoje se pode ver claramente...