quarta-feira, 10 de junho de 2009

QUEIMADAS...

Com a chegada do cacimbo, era frequente verem-se linhas imensas de fogo, subindo montes e vales conforme o vento que soprava, fazendo aquele "restolhar" tão característico que é provocado pelo fogo a consumir o capim... e não só. Pareciam estalinhos dos fogos chinezes, se bem que apenas nos miríades de estalidos que estalejavam no ar.
Era por essa altura que mais apetecia ir à caça, porque as gazelas, as palancas, os javalis, os sofos ou as pacaças procuravam fugir do fogo,,, e era apenas necessário estar atento aos seus movimentos... mas também as surucucus, os leopardos, as hienas ou qualquer outro bicharoco poderia rondar, o que não seria nada bom prenúncio para o caçador.
Sabe-se que as queimadas são um problema ambiental bastante melindroso para o equilíbrio do eco-sistema angolano, mas está bastante arreigado nos costumes dos povos que se dedicam à agricultura, pois é ponto assente nos seus espíritos que a queimada lhes vem beneficiar as terras, fertilizando-as.
Quem consegue convencer aquela boa gente que apenas estão a causar prejuízos à fauna e flora, tirando-lhes importantes meios de subsistência no que à caça respeita, além de estarem a destruír pelo fogo a maior parte das sementes, quem não germinarão... e verificar-se-á a breve prazo o desaparecimento de muitos espécimes florais raros e únicos, para além dos recursos cinegéticos, que não são eternos e têm necessidade de protecção imediata.
Mas julga-se estar a ser preparada legislação proibitiva das queimadas, que apenas se espera não venha a ser mais um motivo de ressabiamento contra as autoridades governamentais, como infelizmente se verificava nos tempos em que por lá andei em missão, quando servi a Força Aérea no Aeródromo Base nº. 3!
Nesse tempo ficava horas a fio a vêr o serpentear do fogo, iluminando os locais onde passava e lançando núvens de fumo que se desfaziam no ar! Era um espectáculo lindo... mesmo sabendo que aquela queimada estava a contribuír de algum modo para a destruição do eco-sistema do território.

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