quarta-feira, 17 de junho de 2009

UM DIA A HISTÓRIA DIRÁ...

Quando por cá, no pequeno rectângulo que é Portugal, se comemora o 25 de Abril, há alguns que sentem motivos para se congratular, pela badalada entrada na democracia... ainda que se saiba não ter o 25 de Abril tido ressonância apenas no Portugal Continental e Insular, uma vez que também eram Portugal os territórios de África, Ásia e Oceânia, e aí as coisas não acabaram nada bem, mercê das altamente gravosas consequências trazidas para os Povos desses territórios.
A Revolução dos Capitães veio afectar um País pluricontinental, onde se incluía este pedaço de terra chamado Portugal, com os cerca de 8 milhões de habitantes, e todos os Estados do então denominado Ul­tramar, onde viviam aproximadamente 500 mil portugueses que tinham ascendência europeia, além de aproximadamente 16 milhões de cidadãos naturais... que também eram portugueses "de jure".
Haverá alguns que vêm dizer que aqueles apenas seriam portugueses desde 1961 e nem sequer falavam português, mas quem conheça a realidade que eram os Povos de Angola e Moçambique, por exemplo, acabará por dar a mão à palmatória para a realidade que estava bem patente numa cidade como Luanda, antes dos massacres terroristas de 1961, tal como acontecia com Benguela, o Lobito, Nova Lisboa, Sá da Bandeira, Moçamedes, etc...etc...etc, onde a dimensão da evolução urbanística e infraestrutural estava bem documentada... sendo a prova absoluta de que não seriam o tal povo abandonado, como alguns pretendem fazer-nos acreditar. Havia bastante evolução nas construções de enorme qualidade que se erguiam um pouco por todo o lado, onde se podiam encontrar cidades e vilas bem projectadas urbanísticamente; nos mercados e bazares, havia um abastecimento rico em todos os sentidos, onde nada faltava quanto a bens de 1ª. necessidade... e não só.
Afirmam também os arautos da desgraça que o Ultramar passava pela tutela que era feita pelos "portu­gueses" sobre os "indígenas", a quem os "brancos" se pro­punham "civilizar", mas as Nações Unidas acabam por "obrigar" Salazar a promover a eliminação das desigualdades, mas ele pretendeu manter a sobe­rania a partir de Lisboa.
Convenhamos que alguns portugueses, que por certo leram as obras completas de Miguel de Vasconcelos - o ínsigne autor dos "Manuais da Traição à Pátria" ou do vademecum das traições "Como vender um País" -, terão com ele aprendido algumas artes que transmitiram aos Movimentos de Guerrilha entretanto criados para fazer massacres entre os "brancos" colonialistas... que estavam ali a enriquecer nas suas terras, que até então eram mato. Mas também os negros foram passados pela catana e pelo canhangulo, pela "Kalachi" ou pela mina, porque ajudavam o branco... logo eram réus de morte.
Mas... infelizmente para os territórios, as guerrilhas não mostraram ser a melhor solução, porque os terroristas queriam fazer coinci­dir as independências com uma limpeza étnica (matando os euro­peus) e uma revolução política, cultural, social e económica dirigida por um partido único.
Os líderes terroristas, que na sua maioria haviam estudado na Europa, sentiam, na generalidade, o mesmo des­prezo que os colonizadores sentiriam pelas culturas locais, razão porque vieram a encontrar uma enorme resistência, não apenas por parte dos europeus, mas também dos africanos.
A guerra "colonial" tornou-se assim e desde muito cedo, numa guerra civil entre os povos das etnias locais.
Foi o ano de 1974 que mostrou algumas pseudo elites militares portuguesas, ressentirem-se pela intervenção que estavam a ter nessa guerra, pelo que resolveram ser chegada a hora para se dar um murro na mesa, lançando-se na aventura em que "ousaram" prometer a liberdade e a democracia para todos, tanto na Metrópole como no Ultramar. Mas depressa se aperceberam os Revolucionários que, para poderem honrar a promessa feita, seria necessário que no Ultramar se continuasse a intervenção militar, porque os guerrilheiros recusavam eleições e o plura­lismo político. Também a actividade política na Metrópole teria de ser conduzida com muita paciência, pois os Partidos da esquerda em Portugal contestavam a intervenção e apoiavam as guer­rilhas.
A democratização da Metrópole pa­recia ser incompatível com a do Ultramar, logo não haveria um "25 de Abril" para todos. É aqui que o MFA acaba por tomar a opção de se desligar de quaisquer responsabilidades para com os não europeus, a quem, por decreto-lei de 24 de Junho de 1975, foi retirada a nacionalidade portuguesa, para que não pudessem reclamar o direito de serem acolhidos por Portugal,
A "descolonização exemplar" consistiu apenas e tão só numa evacuação dos soldados e civis europeus, seguida do trespasse da administração dos territórios para um dos Movimentos separatistas, no caso de Angola o MPLA, em Moçambique a FRELIMO, na Guiné o PAIGC. Foi desde modo que, tal como estava previsto vir a acontecer, as brutais experiências ideológicas de um re­gime de partido único acabaram por proporcionar aos habitantes dos novos países assim surgidos, brutais condições de despotismo e miséria.
Naqueles momentos em que comemore a pseudo "sorte grande" dos oito milhões de Portugueses da Europa, será de se fazer um minuto de recolhimento em memória da má sorte que calhou aos outros 16 milhões de "mártires".
Talvez um dia a História nos dê conta da verdade que foi a traição perpetrada por alguns portugueses, que não tiveram pejo em conduzir para a morte e a miséria tantos milhões de pessoas, Portugueses como nós. É que o julgamento do Tribunal da História dirá um dia quão grave foi o crime daqueles que não cuidaram pugnar pelos direitos e pela dignidade dos Povos outrora Portugueses.

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