quarta-feira, 15 de abril de 2009

CRAVOS DE ABRIL...

...jazem arrastados pelo chão! Na bota de qualquer militar pode estar o esmagamento de uma flôr que, sem se saber bem porquê, 35 anos após a revolução, alguns teimam em regar, na esperança de que não venha a murchar.
Sim! Há 35 anos, depois de uma experiência falhada acontecida com alguns militares do Regimento de Infantaria nº. 5, das Caldas da Rainha, cerca de um mês antes, um grupo de militares, engajados num intitulado Movimento das Forças Armadas ou Movimento dos Capitães, tomou de assalto os pontos chave do Governo de então, que se refugiou no Quartel do Carmo, sob protecção da Guarda Nacional Repúblicana.
A revolução estava na rua e, após a rendição de Marcelo Caetano ao General António de Spínola, foi , pelos revoltosos, entregue o poder a uma Junta de Salvação Nacional. Nas ruas via-se a população abraçar-se, dar vivas à democracia, exigir que "NEM MAIS UM SOLDADO PARA ÁFRICA!"... enquanto os revoltosos procediam a saneamentos de figuras gradas da Nação, após terem enviado para o exílio o Presidente da República e o Presidente do Conselho.
Enquanto isso, as populações daquela até então muito Portuguesa Angola, interrogavam-se sobre o futuro, que não se afigurava brilhante, porque depois do enorme sofrimento, do muito sangue que foi derramado e regou parte desta terra, como aconteceu em Mucaba, Nambuagongo, Pedra Verde e tantos outros altares de holocausto da Pátria, as quais parecem gritar uma enorme angústia pelo futuro deste território onde flutuou a Bandeira Nacional durante mais de 500 anos.
Os Movimentos aproveitam-se de algum abrandamento na vigilância, e tratam de cometer actos que levam os residentes a deixar para trás todo o fruto do seu trabalho de décadas, porque a vida é-lhes por demais preciosa.
35 anos após Abril... o que podemos considerar como "conquista de Abril"? A paz... apenas e só depois de mais duas décadas de guerra civil, entre os Movimentos chamados de libertação? O progresso, que apenas se registou entre uma classe dominante, como é a dos políticos ou dos militares do MPLA? Eles são os donos e senhores de Angola, detendo em suas mãos a economia e os meios de produção, a todos os níveis, abandonando mesmo os povos à sua mais profunda expressão de miséria, à doença, à fome, à falta de liberdade de expressão... e a democracia de um País onde não se fazem eleições há mais de 30 anos, não merece ser chamada democracia, convenhamos!
Os cravos arrastam-se pelo chão... e ninguém está tentado a apanhar os mesmos, para que não venham a ser calcados pelas botas dos militares desse Abril já longínquo.
O Negage é uma expressão do que foi esse 25 de Abril, tal como Henrique de Carvalho, Luanda... e todo o resto de Angola, começando pelo actuual Kuito ou pelo Huambo.
Os cravos foram a flôr da esperança de um povo... que ainda hoje espera que ela dê frutos de paz e felicidade! E o Povo Angolano bem a merece! Assim o queiram os homens de boa vontade.

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