sábado, 25 de abril de 2009

25 DE ABRIL... 35 ANOS!

Os "putos" vêem passar os "militares de Abril"
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Com a revolução "dos Cravos", acontecida no dia 25 de Abril, faz hoje 35 anos, começou a reescrever-se a história de um País que foi grande, espalhado pela imensidão do mundo, e a principal notícia tem a ver com a realidade da guerra que se travou no Ultramar e levou às independências dos territórios que eram parte indelével de Portugal há mais de 500 anos.
Não acredito que Portugal alguma vez pudesse mudar os caminhos da História dos Povos, que se cruzam com o inalienável direito à sua independência ou autonomia, mas acredito firmemente que a melhor maneira de "descolonizar", um dos 3 "D" constantes do programa do Movimento das Forças Armadas, não foi a seguida pelas novas autoridades saídas da revolução.
É que mais parecia estarem essas autoridades interessadas em cumprir alguma promessa que possam ter feito aos que contra nós se levantaram em armas. Talvez fosse a continuação daquele apoio que alguns líderes partidários e seus "kamaradas" foram dando aos MPLA's, FRELIMO's ou PAIGC's, dando até apoio às deserções que alguns "heróis" do 25 de Abril vieram a protagonizar.
Depois... um território dado a Portugal, como reconhecimento da ajuda prestada na luta contra a pirataria, foi devolvido ao país ofertante... que aproveitou para exigir contrapartidas para receber esse território, que por acaso se chamava Cidade do Santo Nome de Deus de MACAU. Outro território, que nem era habitado quando os Portugueses há 500 anos atrás o demandaram, foi também entregue à sanha da independência... abandonou-se o povo de Timor à sua sorte, tendo-se emendado a mão apenas depois do massacre de Santa Cruz...
Mas o 25 de Abril foi uma porta aberta para a fomentação de novas riquezas, em paridade com as misérias a que foram votados muitos dos que ousaram combater nas guerras do Ultramar! Hoje enviam-se "tropas" para ganharem rios de dinheiro como mercenários voluntários para estarem ao serviço de quem lhes pagar melhor, enquanto ontem se dizia "nem mais um Soldado para Angola".
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Não é que agora se tenta incentivar os Portugueses a irem trabalhar para Angola, não apenas a pedido do governo deste país, outrora português, como do governo de Portugal?
"Malhas que o Império tece", dizia-se. Hoje apenas julgo pertinente dizer: Coisas que a Revolução dos Cravos nos deu! Coisas que a Revolução nos tirou!

sábado, 18 de abril de 2009

O REI DO TÔTO...


O Toto poderia ser apenas uma fazenda que ficava próxima do Bembe e do Colonato do Vale do Loge, mas, nunca se saberá como, era pertença de um fazendeiro natural da região de Leiria, de sua graça Cid Adão Gonçalves, pois lhe havia sido distribuída pela administração da colónia A METRO (!!!), isto é... a administração havia-lhe atribuído a propriedade de um território com um raio de 20 Km, cujo ponto central seria a lagoa do Toto.
Ficou com direitos sobre as populações nativas ali existentes, que perderam a sua terra e passaram a ser criados desse "CidAdão", sem direito à utilização de um simples palmo de terra daquele rincão que havia sido a sua antiga terra de subsistência. Além do mais, ficou o branco com a obrigação de os empregar... mas sem quaisquer salário estabelecido.
Em 1961 foi esta uma zona bastante atingida pelos levantamentos das populações nativas contra os fazendeiros brancos, razão porque, por essa altura, Cid Adão Gonçalves resolveu abandonar Angola. A mim disse ter estado de licença (?), que era de seis meses por cada dois anos, como acontecia a todos os funcionários administrativos no território. Só que não consigo entender qual a qualidade em que ele geria o Toto: - era o dono ou era funcionário do Estado?
Foram para ali, na antiga fazenda, acantonadas diversas Unidades Militares. A cerca de 200 metros e numa pequena casa construída depois que a tropa lá chegou, residia o feitor do Cid Adão Gonçalves, que explorava um pequeno estabelecimento onde se vendia de tudo um pouco e que servia igualmente como posto de correio e hotel local.
A pouco mais ou menos de 500 metros do estabelecimento, existia uma pequena sanzala onde os nativos, que seriam entre 100 e 200 pessoas naturais da agora fazenda do Cid, iam subsistindo entalados entre dois medos: - o dos terroristas e o da "tropa! De uns porque os acusavam de colaborar com os brancos, dos outros por não se destinguirem dos turras.
No alto de um pequeno monte sobranceiro à aldeia e ao quartel, erguia-se uma pequena ermida que foi construída pelos missionários da Missão do Bembe.
Ao redor do quartel havia uma plantação de palmeiras, que dava um ar agradável àquele aglomerado que se estendia por cerca de 2 Km até à lagoa do Toto, que tinha aproximadamente 800 metros de diâmetro e constituia um local agradávelmente bonito. Dessa lagoa, durante alguns tempos, se retirava a água para o uso diário, por ser de boa qualidade.
Mas... não foi preciso muito para que a água deixasse de oferecer confiança, quer pela sua utilização para os militares se banharem, quer ainda porque os "turras" trataram logo de a inquinar, como é lógico. Num instante passou a ser frequente encontrarem-se animais mortos nas suas águas, que chegaram a matar alguns militares pertencentes ao Aeródromo de Manobra nº. 32, onde vim a permanecer durante um ano, mais coisa menos coisa.
O Cid Adão Gonçalves, talvez pelo facto de haver várias Unidades Militares aquarteladas no Toto, das quais poderei citar a Companhia de Intendência, o Comando Militar do Sector, a Companhia de Artilharia, o Pelotão de Apoio Directo ou o Aeródromo de Manobra, sentiu-se à vontade para voltar ao seu império... o que não tardou muito a acontecer, dando azo às várias histórias que tenho para contar, pouco a pouco, porque quero deixar um pouco de suspense no ar, apenas para vos abrir o apetite para as seguintes, acreditem.
Depois vão vêr que valeu a pena esperar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

CRAVOS DE ABRIL...

...jazem arrastados pelo chão! Na bota de qualquer militar pode estar o esmagamento de uma flôr que, sem se saber bem porquê, 35 anos após a revolução, alguns teimam em regar, na esperança de que não venha a murchar.
Sim! Há 35 anos, depois de uma experiência falhada acontecida com alguns militares do Regimento de Infantaria nº. 5, das Caldas da Rainha, cerca de um mês antes, um grupo de militares, engajados num intitulado Movimento das Forças Armadas ou Movimento dos Capitães, tomou de assalto os pontos chave do Governo de então, que se refugiou no Quartel do Carmo, sob protecção da Guarda Nacional Repúblicana.
A revolução estava na rua e, após a rendição de Marcelo Caetano ao General António de Spínola, foi , pelos revoltosos, entregue o poder a uma Junta de Salvação Nacional. Nas ruas via-se a população abraçar-se, dar vivas à democracia, exigir que "NEM MAIS UM SOLDADO PARA ÁFRICA!"... enquanto os revoltosos procediam a saneamentos de figuras gradas da Nação, após terem enviado para o exílio o Presidente da República e o Presidente do Conselho.
Enquanto isso, as populações daquela até então muito Portuguesa Angola, interrogavam-se sobre o futuro, que não se afigurava brilhante, porque depois do enorme sofrimento, do muito sangue que foi derramado e regou parte desta terra, como aconteceu em Mucaba, Nambuagongo, Pedra Verde e tantos outros altares de holocausto da Pátria, as quais parecem gritar uma enorme angústia pelo futuro deste território onde flutuou a Bandeira Nacional durante mais de 500 anos.
Os Movimentos aproveitam-se de algum abrandamento na vigilância, e tratam de cometer actos que levam os residentes a deixar para trás todo o fruto do seu trabalho de décadas, porque a vida é-lhes por demais preciosa.
35 anos após Abril... o que podemos considerar como "conquista de Abril"? A paz... apenas e só depois de mais duas décadas de guerra civil, entre os Movimentos chamados de libertação? O progresso, que apenas se registou entre uma classe dominante, como é a dos políticos ou dos militares do MPLA? Eles são os donos e senhores de Angola, detendo em suas mãos a economia e os meios de produção, a todos os níveis, abandonando mesmo os povos à sua mais profunda expressão de miséria, à doença, à fome, à falta de liberdade de expressão... e a democracia de um País onde não se fazem eleições há mais de 30 anos, não merece ser chamada democracia, convenhamos!
Os cravos arrastam-se pelo chão... e ninguém está tentado a apanhar os mesmos, para que não venham a ser calcados pelas botas dos militares desse Abril já longínquo.
O Negage é uma expressão do que foi esse 25 de Abril, tal como Henrique de Carvalho, Luanda... e todo o resto de Angola, começando pelo actuual Kuito ou pelo Huambo.
Os cravos foram a flôr da esperança de um povo... que ainda hoje espera que ela dê frutos de paz e felicidade! E o Povo Angolano bem a merece! Assim o queiram os homens de boa vontade.

domingo, 12 de abril de 2009

RESSURREIÇÃO...

Neste Domingo da Ressurreição, quero recordar todos aqueles que tiveram a sua paixão e morte durante os tempos da guerra em Angola! Sei que também eles ressuscitarão para Cristo, no dia do Juízo Final, pois Ele os justificou pela Sua Paixão, Morte e Ressurreição! Que os nossos amigos que partiram sejam participantes desta
RESSURREIÇÃO
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Tempo de Páscoa,
tempo de Cristo reviver.
De fazer o ressurgimento
de Cristo florescer
E em nossas vidas, vitorioso,
Ele reaparecer
Uma nova vida aos cristãos veio oferecer.
E eis que Cristo ressurgiu para a Glória
Após a sua missão na terra, ressuscitou.
O Pai deu-lhe o Poder,
sua vida na terra é transitória.
Dando a conhecer a todos os homens
a sua história História,
que não era só Sua, mas da humanidade.
No momento máximo da história da cristandade
Cristo ressurreto, túmulo vazio...
Vitória!
A Sua vida corpórea já não era só transitória.
Veio para os seus...
e estes não o aceitaram
A um rei, riqueza e poder terreno atribuíram.
Ensinou-nos que ao homem
é dado morrer uma só vez
Seus seguidores,
quando o Evangelho anunciar nos fez.
Que tristeza!
Naquele dia o mundo estremeceu.
À Sua humildade um ladrão, ao Seu lado se rendeu.
E o Paraíso àquele homem Jesus prometeu
Ao Seu encontro ele foi,
quando o céu se rompeu.
Façamos de cada dia das nossas vidas o renascimento
Com Cristo em nossos corações,
em todo momento
Ao irmão a nossa mão
e a compreensão estendendo
Só assim a paz no mundo estamos promovendo.
+++
Poema de:
Mercedes Pordeus