sábado, 28 de março de 2009

O NEGAGE E A GUERRA... DO BIAFRA

Numa Base da FAP, um avião ao serviço do
Conselho Mundial das Igrejas,
no transporte de ajuda para o BIAFRA
*
* Para quem julgue que os Militares são "apenas e tão só máquinas de matar", gostaria de recordar algo que se passou já há mais de 40 anos, decorriam as guerras no Ultramar então Português. Não tinham os Militares para estas guerras destacados os meios de subsistência capazes de proporcionar a cedência de parte dos mesmos a outros com iguais ou maiores carências, mas aquilo que acontecia no Biafra, com a morte de milhares de inocentes e a destruição total dos bens necessários à sobrevivência de outros inocentes, levou a que fossem disponibilizados todos os excedentes capazes de mitigar a fome e dar agasalho aos mártires do Biafra em guerra.
* Um dos eventos mais dramáticos e comoventes acontecidos em África foi a Guerra de Biafra, que chocou o mundo com suas imagens marcantes e comoventes de adultos e crianças em estado de extrema subnutrição, ou simplesmente mortas.
* O agente causador da guerra foi o choque entre dois grupos étnicos da Nigéria.
* Biafra foi o nome que tomou a Região Sudeste da Nigéria ao proclamar a sua independência em 30 de Maio de 1967 .
* A Nigéria havia-se tornado independente em 1960, foi formada pela reunião do povo Ibo com o povo Hausa. Os Ibos eram provenientes da província de Biafra, a leste do país, e formavam a elite da Nigéria. De uma forma geral eram eles que tinham os melhores empregos e os melhores salários. Num golpe de Estado, em 1966, um grupo de oficiais do exército da etnia Ibo tomou o poder. No entanto, num contragolpe, o novo governo foi derrubado e os Ibos passaram a ser objecto de caça, sendo massacrados no país inteiro. Aqueles que conseguiram escapar fugiram para a sua província de origem e aí declararam a sua independencia.
* A província de Biafra era muito rica em petróleo. Por tal motivo, o governo não aceitou a sua separação, certamente porque ests era a região mais rica do país... e eles não a queriam perder, pudera.
* Este facto veio a resultar na guerra civil que teve início em 1967, e terminou em 1970, morrerendo então, aproximadamente, um milhão de pessoas, na sua maioria da etnia dos Ibos. O Biafra rendeu-se... e foi novamente anexado ao território da Nigéria. Desde o fim da guerra civil, o país tem sido governado pelos militares, com uma administração pública que se encontra completamente dominada pela corrupção.
Os Militares Portugueses , no momento em que tantos se viram sem esperança de vida, esqueceram os seus próprios problemas e disseram SIM .

Por ocasião da Guerra do Biafra foram editadas notas como esta que nunca chegaram a circular.

quinta-feira, 19 de março de 2009

SÃO JOSÉ...

...também era Padroeiro do Negage, mas a sua festa não era celebrada no dia de hoje, Dia do Pai, mas sim no próximo 01 de Maio, o Dia do Trabalhador e... DIA DE SÃO JOSÉ OPERÁRIO, que se venera na Igreja matriz da cidade, que lhe está dedicada.
É engraçado que esteja a relacionar São José, o protector e Pai putativo de Jesus, que foi exemplo maior de um chefe de família autêntico, colocando o Filho adoptivo acima de todas as coisas, amando Maria mesmo sabendo que ela estava para dar à luz uma criança de que não era o progenitor, fazendo sempre a vontade de Deus, que o ia avisando, pelo seu anjo, dos passos que deveria dar para que pudessem cumprir-se as Escrituras e o Filho Unigénito de Deus pudesse dar testemunho do Pai através dos ensinamentos, da Sua Paixão, Morte e Ressurreição!
Logo... São José é protagonista na Redenção prometida por Deus aos nossos primeiros pais, Adão e Eva. É co-redentor juntamente com Maria Santíssima e o Filho muito amado de Deus, Jesus Cristo!
Perguntarão: Que tem isto a vêr com o teor deste blog? Muito e nada! Muito porque foi entregue à protecção paternal de São José que o Negage nasceu e cresceu! Foi a primeira imagem que foi objecto de devoção naquela cripta daquela Igreja, ainda nos princípios da edificação desta! Quando o bondoso e saudoso Padre Fortunato Agnoleto da Costa estava a pintar os vitrais da menina dos seus olhos, que era a futura Igreja Paroquial, que alegria se via estampada nos seus olhos, porque S. José saíu logo como ele pretendia: o rosto do Padroeiro irradiava toda a confiança que deverá ver-se no rosto de um Pai amantíssimo da sua família!
Não! No Negage não havia só guerra, comércio ou indústria! Também havia tempo para dar graças a Deus por todos os dons que nos ia dando no quotidiano, fortalecendo-nos a fé de fiéis seguidores da doutrina de Jesus Cristo.
No Dia de São José, dedicado aos pais, julgo pertinente recordar todas aqueles pais que andaram por aquelas terras mártires do Negage, alguns doando a própria vida para que outros pudessem viver! Para todos os pais peço que São José os proteja de todos os males e os possa ensinar a seguirem os seus exemplos.

quinta-feira, 5 de março de 2009

ANGOLA OS DIAS DO DESESPERO

Vítimas do terrorismo - 1961
d
Quem alguma vez pretenda documentar-se sobre os trágicos acontecimentos que vieram a empapar de sangue inocente a mártir terra de Angola, forçoso será dizer-se que terá de lêr a obra de Horácio Caio "ANGOLA: OS DIAS DO DESESPERO".
Ao acaso, abri o livro numa página onde consta este relato:
“Os primeiros refugiados vêm do Toto e Negage. Outros chegam de Quitexe, Quibaxe, Cuimba, Mavoio, Camabatela, Nambuangongo e Nova Caipemba. Vou tomando nota dos nomes: Celestino Guerra Pereira, outro velho por cujos queixos corre uma barbicha rala e grandes lágrimas e que me fala, soluçando, nos companheiros que lá deixou: Guilhermino Pereira, António da Rocha e mulher e filhos; Maria Rosa Soares, que descreve os pormenores da chacina do Quitexe e me fala da acção do Dr. Almeida Santos - não tem qualquer relação com o tipo com o mesmo nome, que entregou ao inimigo as nossas queridas terras de África - que, de arma na mão, persegue os facínoras nas ruas da povoação; uma mulher ferida na mão direita à catanada, quando lutou com um negro que pretendia matá-la, e que chora agora, convulsivamente, ao lembrar que contou 26 mortos no Quitexe e que junto de si foi morta uma criançaa de 8 anos...
... Ele, 80 anos; ela 75; quarenta e cinco vividos no Quitexe. Cabelos brancos sob o chapéu e o lenço negro a cobri-los. O homem solene, a mulher com um grande braçado de flores que ia levar aos santos da igreja. Mortos assim, às 8 e 30 de ontem no Quitexe.
Não consegui saber-lhes os nomes. Mas registo a serena silhueta dos velhos, sobraçando flores que levaram ao próprio enterro.”...
Por muito que se pretenda tentar esquecer os horrores do que foi a carnificina perpetrada pela UPA, há sempre acontecimentos que levam ao avivar de recordações sobre esses tempos conturbados, seja pelo esquecimento a que os antigos Combatentes têm sido votados pelo Governo Português, ostracismo que é agravado pelo facto de os mais elementares direitos consignados aos Militares, e até o direito à sua dignidade, lhes estarem a ser sonegados regulamentarmente.
Chego a temer que, tal como acontece com as indemnizações devidas aos ex-residentes, pela perda total dos seus bens resultantes de uma vida dedicada às terras de África, o Governo pretenda vencer pelo desaparecimento dos credores, Civis ou Militares, porque com a morte considerará extinto o débito enorme que tem para com aqueles que foram os obreiros das agora independentes pátrias Angolana, Moçambicana ou Guineense, para além de outras.
É triste constatar-se que, trinta e tal anos depois que alguns Militares terem mudado o "modus vivendi" de Portugal, com a introdução da "democracia", seja necessário dar razão a Samora Machel, quando diz:
«Enfrentámos generais portugueses corajosos como Caeiro Carrasco e Kaúlza de Arriaga, que nos teriam derrotado. Mas não queremos ver em Moçambique, depois da independência, esses oficiais e soldados que se renderam cobardemente, sem sequer defenderem aquilo por que morreram tantos dos seus.»
Samora Machel
In Fatos e Fotos, n.º 724, 07.07.1975.