quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

UMA GRANDE REGIÃO AÉREA

Não se pode ter tudo... mas o Comando da 2ª. Região Aérea bem se pode orgulhar das missões que foram cumpridas pelas Unidades que a constituíam, naquele tempo em que era necessária toda a fidelidade e grandeza que a arte e o engenho pudessem conseguir.
E isto não é dedicado ao Aeródromo Base nº. 3, que estava sediado no Negage, ao Aeródromo Base nº. 4, construído algures em terras de Saurimo - Henrique de Carvalho -, mas especialmente ao grandioso empenho da Base Aérea nº. 9, sediada em Luanda, ao espírito de missão dos Aeródromos de Manobra, que se encontravam espalhados por tudo quanto "cheirava" a guerra, nomeadamente em Santa Eulália, no Toto, em Maquela do Zombo, no Kuito Canavale, no Cazombo, no Luso ou em qualquer outra parte onde necessária se tornasse a presença da Força Aérea que nos orgulhamos de servir.
Já anteriormente, quando do "Exercício Himba", foi sentido que a Aviação Militar estaria em vias de voltar a Angola, coisa mais que notória até pela forma positiva como a juventude angolana soube mostrar o seu interesse pelas coisas do ar.
Em 1960 foram enviados seis aviões "NORATLAS" e oito PV-2, que foram destinados a Luanda, e oito "AUSTER" para equipar o A.B.3 - Negage.
A 2ª. Região Aérea foi criada em 1961, sendo-lhe adstritas as pistas de Luanda, Negage e Toto. Com o eclodir do conflito Angolano, a Força Aérea adquiriu quatro aviões Harward T-6 a um dos países vizinhos, sendo com estes meios que a FAP iniciou a sua intervenção, em 1961, no combate às forças que haviam lançado a guerra subversiva em Angola. Entre 1960 e 61, a Força Aérea Portuguesa equipou-se com DC-6 e P2V-5, visando o transporte de pessoal e a luta anti-submarina. Também se adquiriram novos Noratlas para África, ao mesmo tempo que as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico - sediadas em Alverca - construíram, sob licença, aviões de instrução Chipmunk e aviões ligeiros Auster D5..
Para Angola seguiam os velhos T-6, os caças a jacto F-84G e alguns PV-2, para reforçar o material que ali havia sido colocado do antecedente.
As Unidades de apoio aéreo iam surgindo como se fossem cogumelos, talvez porque o papel da Força Aérea está a ser por demais um êxito no contexto da luta que se vai travando contra um inimigo que, mercê da enorme ajuda que os governos comunistas não têm regateado aos Movimentos terroristas, que se afirmam independentistas... mas agem segundo a cartilha de Trotsky ou de Mao, que bem sabem qual o valor "daquelas terras viciosas, que vão o Império dilatando!".
Dentro de muito pouco tempo, o Aeródromo Base Nº. 3 faz anos... e seria bom que todos aqueles que sentem no peito a certeza de que "MUITO PODE QUEM QUER!", pudessem estar presentes para homenagear a Base que fomos, mas também os Militares que soubemos ser, naqueles momentos em que nos era pedido, como nos tempos de Sir W. Churchill, "SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS!". E sei que esse grande estadista também diria de nós, no Teatro de Operações vivido no eclodir do terrorismo: "NA HISTÓRIA DOS CONFLITOS HUMANOS, NUNCA TANTOS DEVERAM TANTO A TÃO POUCOS!"
E entre esses poucos... lá estará a drapejar, num dos seus mastros da Cidade Alta, o estandarte enobrecido e coberto de glória do Comando da Segunda Região Aérea. FIDELIDADE E GRANDEZA... sempre!

2 comentários:

Jorge Madeira disse...

Também eu, com nove anos, por força de um pai sargento da FAP, andei pelo Negage e pelo AB3, decorria o ano de 1961. Lembro-me da sua construção e da sua inauguração. Neste último caso, como se fosse hoje. Julgo que no baú das recordações fotográficas ainda existem fotografias desse evento, nomeadamente da chegada das indivudualidades para a cerimónia, num DC 6, se a memória não me falha. Para mim, foram marcantes esses anos. Por força da guerra, ainda menino, fui "obrigado" a aprender a defender-me, utilizando a Walter ou a FBP distribuidas ao meu pai.

mila disse...

Nessa altura tinha 6 anos e recordo com tristeza os momentos de aflição que houve entre os adultos por causa da guerra.Todas as famílias foram levadas para o Grande Hotel do Negage e fomos protegidos pela nossa tropa Portuguesa. Dói-me pensar que nunca mais vou ver a minha bela Terra...tenho tantas saudades...