domingo, 11 de janeiro de 2009

TEMPO DE PENSAR... OU DE MORRER!


Os tempos de hoje convidam à reflexão sobre o valor da vida, o porquê das coisas, porque se morre em Portugal... seja acidentalmente, por "engano", por "encomenda" ou aquilo que leve alguém até ao Criador por causa de uma coisa qualquer que o leve a fechar os olhos para sempre.
Não é "conversa" que se tenha num princípio de ano, mas as contigências levam a que estejamos atentos ao que se vai passando ao nosso lado... e desta vez deu-me para pensar porque é que há tantas vidas a ser "ceifadas por engano", por parte das nossas autoridades policiais, como foi agora o caso do "puto" de 14 anos que morreu com um tiro na cabeça... mas que, na lógica de quem manda, teve o fim que merecia, porque "era um perigoso bandido", um terror para o país, que não viu nele a criança inimputável por ser menor de 14 anos, mas sim o assaltante, o meliante e o mais que se pretenda dizer dele, até porque está morto, não incomoda mais.
Porque razão são sempre culpados da sua morte aqueles que a PSP mata, acidentalmente, propositadamente, por ricochete, efeitos colaterais ou por outra razão qualquer ? E já alguém se perguntou se aquela arma, que tão provindencialmente foi encontrada pela Judiciária no local, não terá sido ali colocada, como uma prova incriminatória para salvar a pele ao guarda da Polícia que disparou?
Não afirmo que alguma vez os Polícias o tenham feito, mas as pessoas podem muito bem interrogar-se, até pelo que lhes é mostrado nos filmes de polícias e ladrões que vão passando nas nossas televisões. Tal como pode acontecer com provas forjadas com drogas ou outras coisas mais.
Como curiosidade, quando estava a prestar serviço no Aeródromo Base nº. 3, aconteceu que um Soldado da Polícia Aérea, que se encontrava de ronda, aproveitou para ir à Aldeia da Missão Católica do Negage buscar a roupa que lá tinha para lavar. Quando a lavadeira veio à porta trazer a roupa àquele cliente e receber o preço que haviam combinado pelo trabalho efectuado, eis que surgiu do nada um homem de côr, supostamente o marido da lavadeira, vocíferando e empunhando uma catana, que ia brandindo no ar ao mesmo tempo que ameaçava matar o Soldado.
A pobre mulher de imediato se colocou na frente do tresloucado homem da catana... precisamente no momento em que um dos Soldados da ronda, ao vêr o colega em perigo, disparou a pistola-metralhadora FBP, que trazia a tiracolo. Sabendo-se como era aquela arma, ao disparar, claro que foram três ou quatro os tiros, o que foi fatal para a pobre coitada, que morreu de imediato. O PA regressou à Unidade, foi colocado sobre detenção e sujeitou-se a um Processo de Averiguações pelo homicídio da mulher.
Julgado no Tribunal Militar de Luanda, foi condenado a 11 anos de prisão... mas o canalha que causou a tragédia, quando ameaçou matar o Soldado com a catana... nem pronunciado foi, porque havia uma prática de acção psicológica que inibia a retaliação do que quer que fosse.
O que interessa aqui é saber se há alguma disposição legal que permita a um agente da autoridade retirar a vida de outrém... ou apenas tem havido azar para os que têm sido vítimas dos disparos feitos em nome da lei.
Talvez a "Tropa" de então esteja hoje a pagar as custas por haverem tido a "lata" de andar lá por fora, pelas terras do Ultramar, a matar aqueles pretinhos inocentes, que apenas lutavam por ser independentes e não pretenderam jamais cortar cabeças à catanada, violar, esventrar, estropiar, praticar mil sevícias e espalhar o terror entre as comunidades onde muitos lhes haviam dado o estatuto de pessoas... mas depois vieram a demonstrar que, afinal, eram detentores de instintos parecidos com os animais selvagens, que matam apenas pelo prazer de matar.

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