quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ÁFRICA, HOJE...



ONTEM, um Continente mal conhecido,
"Terra incógnita" dos geógrafos,
"Ponto de interrogação" cravado no flanco
da orgulhosa Europa,
a ÁFRICA sai HOJE do seu torpor
e do seu mistério...
*
ONTEM, terra de desertos sem fim
e de savanas queimadas,
a ÁFRICA HOJE arranca
para tomar parte na corrida
técnica e industrial.
O Terceiro Continente, será,
como alguém já escreveu,
o "Continente do Século XXI"
ou talvez já o do fim do Século XX.
*
Apesar da confusão e desordem
que parecem reinar,
a "ÁFRICA NEGRA",
(afirma-o um escritor Senegalês),
terra da simplicidade e da cordialidade,
poderá vir a tornar-se, um dia,
o Continente da reconciliação geral!"
*
Terá já soado a HORA DE ÁFRICA,
no relógio da História?
*
Poema de L.P.Aujoulat
no livro "AUJOURD'HUI L'AFRIQUE"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

PARA QUANDO A VERDADE?

Diana Andringa em Bissau
K
Em 2007 fomos "premiados" pela RTP1 com a série "A GUERRA", da autoria do famoso, "consagradíssimo e isento" jornalista Joaquim Furtado, que deste modo pretendeu mostrar os seus vastos dotes de pesquisador histórico... apesar de nos deixar um pouco perplexo por precisar de quase tantos anos como aqueles que durou o conflito, para no fim mostrar apenas algumas imagens de arquivo da RTP e outras que bem poderiam ter sido obtidas no Jardim Botânico de Lisboa ou até na Estufa Fria teriam sido possíveis. A recolha das entrevistas também poderiam ter sido feitas por cá, mais baratinhas, bastando para tanto que se convidassem alguns dos naturais das ex-Colónias para vir passear até Portugal, ao "Puto" ou como queiram chamar-lhe...
Um jornalista que ouve apenas a parte dos beligerantes chamados de topo, os tais que combatiam no ar condicionado, e não procura documentar-se junto da "raia miúda", para usar a expressão feliz de Fernão Lopes, jamais poderá dizer que fez um bom trabalho.
O Director de Programas da RTP afirma ser um trabalho que merece ser mostrado, especialmente à juventude, para que saibam aquilo que os seus pais, tios, avós ou irmãos sofreram... para que outros vivessem!
Depois de tudo, ganhou Joaquim Furtado um bom pecúlio, mas a árvore das patacas ainda não secou, de modo que agora chegou a vez de Diana Andringa se deslocar até às "terras da guerra", lá para a Guiné-Bissau, pretendendo mostrar-nos uma outra...mesma face da guerra do Ultramar.
Porque comunga de ideias um pouco para lá da esquerda, se bem que goste de viver segundo a maneira de viver dos de direita, não será difícil desconfiar de que vamos ter uma segunda edição das histórias contadas por um só lado, de uma só visão das coisas, até pela amostra que nos é dada na "propaganda" ao programa, onde um fazedor de ilusões chamado ilustre Cabo de Guerra que dá pelo nome de Vasco Lourenço, lá bem do alto da sua enorme sapiência das coisas militares, bastas vezes demonstrada nas estratégias que montou para derrotar o inimigo quando em missão de soberania, no teatro de operações, se dá ao luxo de dizer:

"Vivemos num país em que até somos obrigados a ir para a guerra".,

esquecendo-se que ninguém o mandou ir para a "Tropa", pois entrou para a Academia Militar voluntáriamente, segundo sabemos. Porque não se lembrou de desertar para um paraíso qualquer, como fizeram alguns dos seus amigos? Até o seu grande amigo, o ex-Ministro José Inácio da Costa Martins, que desertou para Angola no 25 de Novembro, quando veio de lá... foi promovido a Coronel... com as devidas indemnizações.--------------- Mas o que interessa agora é verificar-se qual será a isenção colocada pela excelsa profissional das letras, a Dianinha Andringa, nas histórietas que irá contar cá à malta! É que os antigos Combatentes do Ultramar estão a sofrer na carne o ostracismo a que este Governo os tem votado, pois apenas desejará que os nossos dias cheguem ao fim, porque aos mortos não terá de pagar aquilo que lhes deve, por justiça...nem que seja apenas tratá-los com a mesma dignidade com deram o melhor de si próprios na defesa daqueles que estavam a ser massacrados pela sanha assassina daqueles que, com o eclodir do terrorismo - porque foi isso que aconteceu - não trataram de olhar se as vítimas eram homens, mulheres, velhos, crianças, brancos, pretos ou amarelos! Eram portugueses ou colabovam com eles... tinham de morrer! Só que agora, sendo industriados ou não por aqueles que fizeram a recolha das imagens, vêm dizer, seráficamente, que apenas estavam a combater os Militares e jamais o fizeram contra o Povo Português... que não faziam diferenças na côr, por muito que lhes custe aceitar e a alguns dos muitos oportunistas que pululam à sua volta.

domingo, 11 de janeiro de 2009

TEMPO DE PENSAR... OU DE MORRER!


Os tempos de hoje convidam à reflexão sobre o valor da vida, o porquê das coisas, porque se morre em Portugal... seja acidentalmente, por "engano", por "encomenda" ou aquilo que leve alguém até ao Criador por causa de uma coisa qualquer que o leve a fechar os olhos para sempre.
Não é "conversa" que se tenha num princípio de ano, mas as contigências levam a que estejamos atentos ao que se vai passando ao nosso lado... e desta vez deu-me para pensar porque é que há tantas vidas a ser "ceifadas por engano", por parte das nossas autoridades policiais, como foi agora o caso do "puto" de 14 anos que morreu com um tiro na cabeça... mas que, na lógica de quem manda, teve o fim que merecia, porque "era um perigoso bandido", um terror para o país, que não viu nele a criança inimputável por ser menor de 14 anos, mas sim o assaltante, o meliante e o mais que se pretenda dizer dele, até porque está morto, não incomoda mais.
Porque razão são sempre culpados da sua morte aqueles que a PSP mata, acidentalmente, propositadamente, por ricochete, efeitos colaterais ou por outra razão qualquer ? E já alguém se perguntou se aquela arma, que tão provindencialmente foi encontrada pela Judiciária no local, não terá sido ali colocada, como uma prova incriminatória para salvar a pele ao guarda da Polícia que disparou?
Não afirmo que alguma vez os Polícias o tenham feito, mas as pessoas podem muito bem interrogar-se, até pelo que lhes é mostrado nos filmes de polícias e ladrões que vão passando nas nossas televisões. Tal como pode acontecer com provas forjadas com drogas ou outras coisas mais.
Como curiosidade, quando estava a prestar serviço no Aeródromo Base nº. 3, aconteceu que um Soldado da Polícia Aérea, que se encontrava de ronda, aproveitou para ir à Aldeia da Missão Católica do Negage buscar a roupa que lá tinha para lavar. Quando a lavadeira veio à porta trazer a roupa àquele cliente e receber o preço que haviam combinado pelo trabalho efectuado, eis que surgiu do nada um homem de côr, supostamente o marido da lavadeira, vocíferando e empunhando uma catana, que ia brandindo no ar ao mesmo tempo que ameaçava matar o Soldado.
A pobre mulher de imediato se colocou na frente do tresloucado homem da catana... precisamente no momento em que um dos Soldados da ronda, ao vêr o colega em perigo, disparou a pistola-metralhadora FBP, que trazia a tiracolo. Sabendo-se como era aquela arma, ao disparar, claro que foram três ou quatro os tiros, o que foi fatal para a pobre coitada, que morreu de imediato. O PA regressou à Unidade, foi colocado sobre detenção e sujeitou-se a um Processo de Averiguações pelo homicídio da mulher.
Julgado no Tribunal Militar de Luanda, foi condenado a 11 anos de prisão... mas o canalha que causou a tragédia, quando ameaçou matar o Soldado com a catana... nem pronunciado foi, porque havia uma prática de acção psicológica que inibia a retaliação do que quer que fosse.
O que interessa aqui é saber se há alguma disposição legal que permita a um agente da autoridade retirar a vida de outrém... ou apenas tem havido azar para os que têm sido vítimas dos disparos feitos em nome da lei.
Talvez a "Tropa" de então esteja hoje a pagar as custas por haverem tido a "lata" de andar lá por fora, pelas terras do Ultramar, a matar aqueles pretinhos inocentes, que apenas lutavam por ser independentes e não pretenderam jamais cortar cabeças à catanada, violar, esventrar, estropiar, praticar mil sevícias e espalhar o terror entre as comunidades onde muitos lhes haviam dado o estatuto de pessoas... mas depois vieram a demonstrar que, afinal, eram detentores de instintos parecidos com os animais selvagens, que matam apenas pelo prazer de matar.