sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

NOVO ANO 2009


Não sei se o Ano Novo das gentes do Negage será, hoje, mais feliz do que naqueles tempos em que Portugal foi potência administrativa dos territórios que são hoje uma parte da República Popular de Angola, mas não será isso a reflectir alguma importância, porque o Negage está agora inserido num todo em que não haverá lugar para opiniões "colonialistas", como dirão alguns desses "notáveis" que apenas sabem o que é liberdade por aquilo que outros lhes contaram, já que nem eles nem os novos senhores de Angola foram alguma vez livres, no verdadeiro significado etimológico do termo. Porque ser-se livre não é chamar-se seu àquilo que outros construíram e tiveram de abandonar por força da guerra, como será o caso de algum património edificado, dos bens de consumo produzidos pela generosidade da terra-mãe, a diversidade de maquinarias e equipamentos de toda a espécie... além dos sociais e outros que eu nem saberei mencionar .
É que a liberdade é algo que não se vende nas superfícies comerciais de grande dimensão, nem tampouco se poderá adquirir em resultado de uma guerra fraticida, porque as guerras podem ser um caminho para se chegar a essa mesma liberdade, mas terá de haver verdade e justiça nos pressupostos que conduziram ao conflito. E todos sabemos que o MPLA jamais dialogou para obter a paz, nem sequer se dignou respeitar os acordos que firmou em Bicesse, pelo que a liberdade existente apenas foi possível pelo querer de uns tantos que ousaram desbravar os caminhos conducentes a alguma forma de entendimento.
A UNITA, foi uma protagonista da luta pela liberdade contra o MPLA, mas também ela pretendeu impôr a sua liberdade, o que o partido do Governo de Angola não permitiu, porque pretendia assegurar o poder total, sem interferâncias de outras forças que pudessem ser impecilho aos enormes desejos de dominação que alimentavam os sonhos dos seguidores de Agostinho Neto, numa forma embrionária, e de forma total quando Eduardo dos Santos assumiu o poder de Estado.
Só deste modo foi possível a filha mais velha de Eduardo dos Santos tornar-se numa das maiores fortunas de África... enquanto o Povo vai morrendo de inanição, sofrendo no corpo e na alma os caprichos do novoriquismo de alguns aliados de todas as horas do "heróico" Eduardo dos Santos, que "matou" as ideias nacionalistas de Jonas Savimbi quando o conseguiu encurralar e derrubar pela força das balas, porque jamais iria deixar que este líder lhe pudesse fazer frente, a ele, poderoso senhor do Futungo de Belas e aos milhentos e lazarentos homens sem rosto que fazem parte da corte do nababo que se afirma Presidente de alguns Angolanos, que serão os que comem do mesmo prato... digo... comungam dos mesmos ideais do Dos Santos, Barão do Petróleo, rei dos diamantes e senhor absoluto de tudo quanto é rentável por aquelas bandas.
Mas... eu deveria estar aqui a falar da esperança, de dealbar de um Novo Ano com paz e prosperidade... mas pergunto-me onde ficará situada a felicidade dos Angolanos ou como será essa coisa da esperança para o Novo Ano, porque sabemos que 86% da população vive no limiar da miséria, enquanto a rica Luanda Sul vai dando ao mundo uma imagem da pompa e circunstância das noites de reveillon... que parecem durar uma parte importante do ano.
Mas o Povo Angolano é bastante sereno e tem esperança! Sabe que terá ainda de sofrer muito para que o dia da Justiça seja uma abertura de Angola à Liberdade plena e à felicidade total.
Até que esse dia chegue, sejamos realistas e vamos apenas desejar
UM NOVO ANO CHEIO DE PAZ, SAÚDE, PROSPERIDADE, TRABALHO.

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