sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A MEMÓRIA DAS COISAS...

Socorro às populações num ataque da UPA
... deveria contribuír para que muitas dessas coisas começassem a ser mudadas, evitando-se assim que as feridas da guerra pudessem voltar a ser abertas por questões completamente estranhas a Angola e às suas gentes, que já sofreram no corpo o bastante para arrepiarem caminho e fomentarem a PAZ, que será o único caminho capaz de conduzir o País à reconciliação entre todas as etnias, entre todos os Angolanos filhos de uma guerra que não desejaram, herdeiros de ódios que não fomentaram, construtores de uma Pátria que tarda em lhes dar as oportunidades para serem parte efectiva de um País que tem orgulho na sua Bandeira, na liberdade conquistada com sangue suor e lágrimas...
Poder-se-ia dizer que já foi encontrada uma boa solução para que Angola possa ser uma terra de progresso, se esse progresso significasse uma oportunidade para todos e não apenas para uns em detrimento dos outros! Oportunidade essa que fosse consubstânciada no labor daqueles que sonharam uma Angola "de Cabinda ao Cunene", onde se mostrassem respeitados os direitos de todos sem ambiguidades, onde não se encontrem escondidos desejos "étnicos" ou "rácicos" de vinganças parolas que apenas conseguem contribuir para se manter um estado gerador de desconfianças, que vão prolongar o sofrimentos das populações até que se extingam as actuais gerações.
Torna-se necessário perguntar-se a cada um dos Angolanos sobre qual foi o papel que viram ser-lhes atribuído na contrução daquela Angola independente, livre e progressiva com que sempre sonharam. E então terão as respostas sobre aquilo que possibilitou darem-se enormes divisões entre os Povos Bacongos, Ambundos ou Ovibundos, que não viam com bons olhos os Bailundos, os Quiocos, os Ganguelas ou os Ovambos.
Sabe-se que a tragédia do tráfico de escravos foi uma das razões que os veio a separar como Povos de um mesmo território, pela aptência das gentes do Norte, desde os tempos da Rainha N'jinga, para aproveitarem as gentes do Sul como mão de obra "barata"- tornavam-se escravos dos próprios irmãos de raça - e as benesses que podiam tirar pela procura de "peças" humanas jovens, no abastecimento dos mercados holandeses e ingleses, apesar da resistência dos portugueses, que se encontravam completamente ultrapassados neste tipo de comércio humano, que não dominavam.
Talvez tenha já chegado o tempo em que todos devam dar as mãos e caminhar de rosto levantado, bem sereno, a transpirar confiança no porvir, pois Angola é o País das novas oportunidades, porque tem potencialidades para vir a ser um dos grandes países de África. Desde que haja um destribuição equitativa daquilo que o solo generoso dá, desde que não fique tudo hipotecado pela falta de visão daqueles que teimam em sacrificar a Pátria e o Povo Angolano únicamente aos seus interesses mais mesquinhos. É tempo de arrepiar caminho... e criar condições para o bem estar de um Povo que já fez jús à sua felicidade.

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