segunda-feira, 8 de setembro de 2008

HISTÓRIAS E HISTORIETAS


º - Passados todos estes anos - a independência de Angola foi há 33 anos - ainda haverá muitas histórias para contar, sobre grandezas e misérias, alegrias e tristezas, coragem e cobardia, sorte e azar... enfim: aquelas histórias que fizeram o dia-a-dia de tantos de nós, ou a luta quotidiana que foi preciso travar-se para se sobreviver numa terra que se tornou hostil, pela mercê de toda a espécie de propaganda que foi levada a cabo por alguns que se diriam Portugueses, mas que mostravam à evidência estarem apenas e tão só a soldo de interesses não coincidentes com os interesses pátrios, como a história, um dia, o provará .
ª - Não vou estar aqui a dissertar sobre aquilo que foi a presença Portuguesa em Angola ou nos outros territórios havidos da gloriosa gesta dos Descobrimentos, porquanto já muito foi dito,,, pelo que julgo ser mais proveitoso virar as atenções para outro lado, pois ainda restam algumas histórias curiosas vividas no Negage.
+ - Na 3ª. Companhia, comandada pelo excelente Homem que dava pelo nome de Capitão Xavier, larga maioria do pessoal era do recrutamento da Província, especialmente naquilo que às Praças respeitava, uma vez que a Oficialidade era quase toda constituída por militares oriundos da Metrópole - do Puto, como os locais gostavam de chamar - e os Sargentos também eram maioritáriamente metropolitanos... exceptuando-se os Milicianos, dos quadros de Oficiais e Sargentos, que eram formados na EAMA, em Nova Lisboa.
^ - Um certo dia, quando o pessoal se preparava para o "Render da Parada", dois soldados de côr, que iam entrar de serviço, travaram-se de razões de forma acalorada . Dizia um, bastante agitado:
-- " Xi, pá! Então tu é o Nesto, os preto que roubou os meu mulher? Como pode, pá?
~- Ofendido, o visado replica-lhe: "Tá maluco dos cabeça, Tomaso! Eu fui no Sr. Padre, ele deu uns papel a eu p'ra assinar e depois disse que o coisa que Deus uniu os home não pode separar mesmo!"
_ - "Mas eu deu um bois nos pai dela... deu os milho e os mandioca... fez alambamento e tu diz que os meu Elvira és teu? Tá mesmo maluco, tem de ir nos Quinta! Lá trata maluco mesmo..."
* - O Capitão Xavier, que estava no gabinete a aguardar que o chamassem para lhe apresentar a Parada, resolveu ir acabar com a discussão. E se bem o pensou, melhor o fez: "Meus senhores! Não quero mais berreiro aqui! Está a minha cabeça a doer de tanta barulheira! Vão para a formatura e amanhã, quando sairem do serviço, vão ao meu gabinete para resolver a maka! Percebido?"
» - O Soldado Nesto, ciente de que o haver formalizado o casamento de forma legal lhe dava razão, limitou-se a dizer ao Comandante: - " Meus Comandante: Quando eu foi de férias no Cuito, casou com o meu esposa, com papel passado e tudo! Este Soldado Tomaso diz que deu uns boi no pai dela... mas eu não tem culpa! Os meu mulher é meu e pronto!"
> - "Senhor Tomaso: ouviu o que eu disse? Amanhã tratamos do assunto!"
? - "Não és preciso, nosso Comandante! Eu não fala mais com ele!".
= - Cerca da meia noite, de uma das torres de vigía gritava-se:"Sentinela alerta... sentinela alerta...", mas ninguém respondia. Volta-se a ouvir uma segunda, terceira, quarta vez, até que o Oficial de Dia se dirige à torre silenciosa e pergunta: "Ouve lá, rapaz! Estás a dormir ou quê? Não ouves o teu colega? Porque não respondes?"
! - Resposta pronta da sentinela: - "Então o senhor Tenente não sabes que eu não fala com ele?"

1 comentário:

lili laranjo disse...

o capitão Xavier(jaime Xavier de Carvalho) foi comandante do meu marido na altura alferes e era um grande amigo nosso morreu `ha uns anos mas encontravamo-nos quase sempre no hospital militar do porto.pois vivia na póvoa do varzim...
todos os anos nos encontramos para um almoço do batalhão...

um beijo...