sexta-feira, 22 de agosto de 2008

RECORDANDO...outros tempos

* Falar de Angola, do Uíge, das matas de sequóias altaneiras, a tocar o céu, do café que cresce nas fazendas, para gáudio do produtor, que espera uma grande safra, falar do MPLA ou da FNLA... e não falar dos nossos amigos de quatro patas, que connosco partilham os matos frondosos, as savanas, os montes ou os desertos Angolanos, seria um crime de lesa majestade, porque eles são, indubitávelmente, os "senhores" da terra.
* Habituado a vêr tais seres no remanso de um qualquer jardim zoológico ou nos circos da minha infância e juventude, sempre senti um arrepio ao pensar como seria o meu encontro com um animal selvagem no seu território! Seria de pânico, pensava!
* No entanto, começando a conhecer um pouco melhor a fauna em questão, depressa me apercebi que o "tratamento" admissível para quem confronta um animal selvagem é um pouco diferente daquilo que pensamos, pois o leão é nobre, por natureza, não matando por prazer mas por necessidade. Defendem as suas proles, como qualquer outro animal, e não gostam nada de ser "açulados"! Aí tornam-se perigosos, o mesmo acontecendo com os solitários.
* O leopardo é um carnívoro muito mais matreiro! Sobe para as ramadas das árvores e de lá vai observando as suas possíveis presas. Inadvertidamente, salta sobre o alvo escolhido... e era uma vez! O elefante é outro animal a evitar, esp0ecialmente quando "zangado", pois destrói tudo por onde passa! E ai de quem se deixe apanhar pela fúria dele!
* Mas a subtileza da hiena é que me deixa completamente estarrecido. É cobarde como só uma hiena sabe ser, feia como só ela o poderia ser, é fedorenta quante baste... usa e abusa de estratégias para arranjar que comer, desde o fantástico pôr-se de pé... e vendo que é mais alta que a presa... esta está feita ao bife... de hiena! É por demais conhecida por ser necrófaga, aproveitando as sobras dos banquetes leoninos para encher a pança, ou então vamos lá a ingerir esta pacaçazita, porque já está putrefacta e assim a carne é mais macia! O choro da hiena é por demais conhecido através de relatos que nos foram facultados desde os livros da nossa infância até às histórias dos sertanejos, que com eles conviviam no dia-a-dia dos matos.
* O engraçado é que a memória de um animal perigoso - sem serem as variadas cobras que serpenteavam pelos matos, desde a surucucu até à coral - tenho-a de um mangusto, um animalzinho até simpático, muito parecido com o esquilo europeu, que não gostando nada de se vêr perseguido por um jeep da Polícia Aérea do A.B.3, saltou sobre o vidro, o condutor despista-se, resvalam por uma ravina... e temos os primeiros mortos da Polícia Aérea em terras do Negage. É ou não perigoso? Por alguma razão se afirma que é dos animais mais ferozes de África... pela forma como luta, vence e devora as serpentes! Sem medo!
* Aqui para nós: a matacanha é o animal mais pequenino dos matos... mas talvez o que mais vítimas atira para os hospitais... se não houver uma mão firme para retirar a maldita, quando penetra bem fundo nas nossas carnes!
* E por hoje ficamos por aqui, que parece haver aí uma chita a rondar o meu kimbo!

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