segunda-feira, 4 de agosto de 2008

RECORDANDO O NEGAGE

O A.B.3 visto do ar
* - A cidade do Negage situa-se no Norte de Angola, a cerca de 37 quilómetros da cidade do Uíje - antiga Carmona -, a capital provincial, sendo parte de um sistema montanhoso que a eleva a 1.300 metros de altitude.
* - As suas principais actividades económicas, num passado ainda recente, eram o cultivo e a secagem do café, a agricultura e a pecuária. Foi, no tempo "colonial", uma zona militar por excelência, considerando-se o facto de nela estarem estacionados o Aeródromo Base nº. 3; a 3ª. Companhia de Caçadores do Capitão Xavier; o Pelotão de Apoio Directo nº. 248; o Pelotão de Artilharia Anti Aérea nº. 984; o Pelotão de Intendência nº. 168 ou a Companhia de Artilharia nº. 749.
* - Em 1961, o Negage foi uma das regiões do Norte de Angola mais atingidas pela barbárie da guerra de terror, que colocou toda a zona a ferro e fogo. Muita gente ainda sentirá o pânico que foi verem passar nas ruas verdadeiras hordas de bandidos, armados com canhangulos e catanas, arcos e flechas, para além das armas que iam roubando das Fazendas que haviam atacado indistintamente.
* - Nas imediações do Negage encontram-se os municípios do Quitexe, Puri e Bungo, também martirizados pelo terrorismo.
* - Contam-se muitas histórias àcerca da figura de João Ferreira, um mítico caçador e o maior produtor agrícola do Negage, de entre as quais a historieta de que, por ser um homem desmesuradamente podre de rico, como era, pretenderia mandar confeccionar um fato com a pele de um, dois ou três negros. Não passará de uma das muitas lendas que se contavam sobre este residente, especialmente por parte das facções do MPLA, que jamais veio a ter as boas graças deste Transmontano ricaço, pai de miríades de filhos, brancos, pretos e mulatos, com mais netos que a aldeia poderia suportar, que comprava hotéis só para mandar os directores para o desemprego e tantas outras fantasias que fazem de João Ferreira alguém que se deveria procurar conhecer muito bem.
* - No sentido Negage-Camabatela, logo à saída da cidade, no local onde a estrada faz uma bifurcação com a estrada para a cidade do Uíje, encontra-se o impressionante aglomerado populacional da Aldeia da Missão Católica do Negage. Existiam, igualmente, dois estádios, um pertencente ao Grupo Desportivo do Negage e o outro ao Sporting Clube do Negage, ambos situados à saída da cidade pelo lado da Capoupa, já na estrada para o Quisseque e o Pinganho, onde também havia um campo de Tiro, com fosso olímpico, prancha Trapp, várias máquinas de lançamento de pratos, etc.
* - Sabe-se que hoje, por iniciativa dos vários sectores da sociedade angolana, entre os quais o governo do MPLA, está a ser implementada a reconstrução da cidade, em todos os parâmetros das necessidades locais e com a abertura de novas valências comerciais e industriais. O café já não será o "OURO NEGRO" de que tanto se orgulhava Angola, pois era um produto reconhecido nas quatro partidas do mundo... mas as feridas vão cicatrizando, lentamente, é certo, mas definitivamente.

2 comentários:

Carlos Trindade disse...

Rectificar o seguinte:
1- As ruas do Negage, nunca foram invadidas por hordas de .... . O Negage, felizmente nunca foi atacado, pese as ameaças serem quase diarias. Passamos muitas noites ao relento emcima de terraços, mas atacados não.
2 -Os campos de futebol e de tiro, ficavam realmente numa estrada secundaria que levava ao cruzamento das estradas para Carmona, Bungo , Mucaba etc e Puri,Sanza,Quimbele etc, mas para o Quisseque era exactamente do lado contrario ou seja,na estrada de Camabatela depois de 7/8 Kms saía-se à esquerda para o Quisseque, Fazenda Mª Jose etc.

rotivsaile disse...

Caro Amigo Carlos Trindade:
Podendo transparecer que eu tenha escrito que as ruas do Negage foram invadidas por bandoleiros armados, terroristas ou aquilo que se convencionou chamar-lhes, posteriormente, que foi "heróicos combatentes da libertdade", pode estar descansado que não foi isso que disse, mas apenas que na região do Negage, o que não é a mesma coisa.
Os campos de futebol sei bem onde ficam, pois eu morava à entrada da estrada da Capoupa, junto à Artilharia e demandei muito aquela zona. Quando escrevi Quisseque queria dizer Quimbele... mas não deixa de ser útil haver coisas a rectificar, pois assim se vê se valeu a pena estar a escrever sobre o que foin o Negage... porque há quem leia e esteja atento!
Haja Deus que assim seja!
Cumprimento do Victor Elias