terça-feira, 22 de julho de 2008

POR QUEM OS JOVENS SE DERAM...

* Foi no ano de 1961 que a juventude portuguesa começou a ser empurrada para um destino de morte, fosse ele em Angola, Guiné ou Moçambique. Eram rapazes na força da idade, prontos para uma vida de luta por eles próprios, para que a vida lhes abrisse os braços e lhes desse uma oportunidade; e foi repentinamente que se viram enviados como ovelhas para o matadouro infernal, para um sítio falso onde apenas há sangue, suor e lágrimas... e um desprezo enorme que teima em ficar gravado nas suas almas.
* A maior parte desses rapazes nem sabiam qual a razão que os levava a lutar, nem por quem lutavam! Uns morreram, outros ficaram indelévelmente marcados pela mutilação atroz, que lhes levou o sorriso e lhes deu uma vida quase vegetativa, porque marcados no corpo e na sua auto-estima, destroçados psicológicamente.
* Por vezes dou comigo a interrogar-me: - Há alguém que tenha procurado saber como estão 0s militares que combateram na Guerra travada em Angola contra os Movimentos Independentistas, que lhes destroçaram todas as esperanças de vir a ter uma juventude vivida sem sobressaltos, porque a hora era de sacrifício e eles eram a última esperança que restava às populações de Angola, que estavam a ser massacradas pelos homem de Holden Roberto, pois a UPA destruía tudo o que fosse branco ou estivesse ao serviço do branco!
* Nas minhas lucubrações, volta a ouvir-se aquela voz interior que me diz: "À Pátria deste o melhor da tua juventude, deste-lhe o teu suor, o teu sangue, as tuas lágrimas... e viste muitos amigos que até deram a própria vida! Valeu a pena? Estou convicto que cumpri, porque 'Todo o Português deve pronta e completa obediência às Leis e Regulamentos militares, não lhe aproveitando em caso algum, a alegação do seu desconhecimento!' E não me esqueço de que a preparação para a defesa nacional abrange todos os indivíduos do sexo masculino, desde os sete anos até à idade de incorporação no serviço militar activo. Talvez possa ter tido o azar de nascer num período em que o mundo estava todo em transformação, mercê das sequelas da II Guerra Mundial. Implementou-se a Mocidade Portuguesa, para propiciar à juventude um enquadramento político-ideológico... que muito útil se veio a tornar em África."
* Mas... também penso naqueles que, mercê da sua cobardia disfarçada de necessidade de inserção no mercado de trabalho, iam fugindo para todo o sítio que lhes fornecesse a garantia de que estariam livres da guerra... alguns, não todos, porque também o estar a labutar nas terras de França não era pera doce, chegando-se a vêr jovens a regressar... porque preferiam ser mandados para África a viver a guerra medonha da sobrevivência nos "Bidonville". Não se tratava de "meninos da mamã" que tinham um pai médico para lhes arranjar um "pé chato" ou coisa parecida!
* O nosso espírito havia sido moldado e formado segundo princípios de que jamais discutiremos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e as páginas de ouro que formam a sua milenar história; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutiremos a Família e a sua moral; não discutiremos a glória do trabalho e o seu dever.
* E são as palavras "DEUS", "PÁTRIA", "AUTORIDADE", "FAMÍLIA" e "TRABALHO" que, mesmo sendo usadas como uma bandeira de valores ideológicos e políticos do antigo regime, continuam a ser uma inegável referência dos princípios morais e patrióticos que para sempre ficarão gravados no mais íntimo de cada um daqueles que, como eu, amam, acima de de tudo, a sua Pátria.
* "Honra-se a Pátria de tal gente!", dizia Luis Vaz de Camões! E não é para menos, pois temos a glória de ser um Povo que deu novos mundos ao mundo... e disso nos orgulhamos, pois só assim seremos dignos de toda a nossa História e conseguiremos então que os outros Povos nos respeitem pelos muitos mundos que construímos.

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