domingo, 13 de julho de 2008

ESTE FALAR PORTUGUÊS...

Retrato de um Soba
* Após o Governo Português conceder ao mundo a dita de assinar e promulgar o já estafado Acordo Ortográfico da Língua, começaram a ser veiculadas as mais diversas opiniões sobre este assunto, que mostram à saciedade que o Zé Povinho não aceita de bom grado este acordo... pelas muitas divergências linguísticas que o mesmo já suscita.
* Um amigo, com residência em Angola, deu-me conta do facto de se estar a perder, naquele país, o uso da língua do "antigo colonizador", considerada como a "língua oficial", apesar de a "guerra colonial" ter permitido uma maior assimilação linguística e muitos outros hábitos e valores portugueses.
* A presença de um elevado número de colonos portugueses, espalhados por todo o vasto território angolano, bem como os sucessivos contigentes militares que demandavam a Província, foram um processo impositivo, pelo que a adopção do português, como língua de comunicação corrente em Angola, propiciou também a veiculação de ideais de emancipação em certos sectores da sociedade angolana. A língua portuguesa, a partir da 2ª.metade do século XX, veio facilitar a comunicação entre as pessoas de diferentes etnias. Poderá dizer-se que a "Guerra do Ultramar " foi um elemento importante e fundamental para a expansão da consciência nacional angolana. De instrumento de dominação e clivagem entre "colonizador" e "colonizado", a língua portuguesa adquiriu um carácter unificador entre os diferentes povos de Angola.
* Após a independência, ocorrida em 1975, a guerra civil foi também um factor de expansão da língua portuguesa, especialmente pela fuga das populações rurais para as cidades - nomeadamente Luanda - que levou à necessiade de comunicarem entre si... em português. Mas o português falado e escrito em Angola, está em constante mutação, apesar de ser falado "apenas" por cerca de 30% dos naturais. É que também as línguas maternas estão a ser adaptadas, como é o exemplo dos vocábulos quimbundos "di-kamba" = amigo; "dikota" = mais velho; "kasule" = o filho mais novo; "kubaza" = fugir, que são usados por todo o país como "camba", "cota", "caçula" ou "bazar". O dicionário da língua portuguesa possui já muitos outros termos angolanos, como é o exemplo de batuque, bobó, bunda, cambolar, capanga, catinga, curinga, dendê, gimgar, jimbolo, moleque, quitanda, samba, xingar, etc.

OPORTUNAMENTE VOLTAREI A ESTE ASSUNTO.

2 comentários:

Rui Moio disse...

A influência do Kimbundo sobre o português de hoje falado na metrópole. Quem diria que cota, caçula e baza vêm do kimbundo?
Rui Moio

Maneco disse...

Em todo o caso, "gimgar" escreve-se com "n"...