quarta-feira, 11 de junho de 2008

TANTA HISTÓRIA POR CONTAR...

Patrulha de T-6 voando em Angola
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* Como já houve oportunidade de dizer, quando eclodiram os primeiros ataques terroristas em Angola, a Força Aérea andava a preparar-se para qualquer problema que viesse a ocorrer... pelo menos "no pape"l, considerando o facto de, desde 1957, haver várias missões que procuravam estudar o terreno para implementar a FAP no território. Em 1958 seguiu para África uma missão chefiada pelo SubCEM, General PilAv Venâncio Deslandes, que visitou Cabo Verde, Guiné, São Tomé, Angola e Moçambique, visando o reconhecimento dos locais para inatalar as Unidades necessárias à operação aérea naqueles territórios. A missão chefiada pelo General Viana Tavares foi destinada ao norte de Angola, para efectuar reconhecimento detalhado de terrenos existentes na área da cidade de Carmona. Já em Luanda, é esta missão confrontada com uma comissão de residentes da Vila do Negage, que se colocou à disposição da missão no sentido de ser construída uma Unidade da Força Aérea na Vila, que tinha todas as condições para ali ser implantada, dadas as características do local, a meteorologia, os ventos dominantes... e a boa vontade demonstrada pelas populações, quando da viisita que então ali foi efectuada pelos elementos da comissão. Por esta mesma Comissão, em simultâneo, foram estudadas as infra-estruturas aeronáuticas civis existentes na Província, até pelo apoio que era exigido para o Exercício "HIMBA", que aconteceu em Abril de 1959 e foi como que um exercício preparatório para o regresso da Aviação Militar a Angola. O Aeródromo Base nº. 3 foi instituído pelo Decreto Lei nº. 18 029, de 31 de Outubro de 1960, sendo nomeado para seu 1º. Comandante o então Major PILAV Augusto Soares de Moura, por Portaria de 31 de Dezembro de 1960.
* Este Exercício "HIMBA" foi chefiado pelo próprio Comandante da 1ª. Região Aérea e nele tomaram parte mais de 200 Militares, de várias patentes e especialidades aeronáuticas, e bem assim 14 aviões de trensporte e bombardeamento, que tinham como missão o reconhecimento de locais para instalação futura de aeródromos, ao mesmo tempo que se fazia uma grande operação de charme para levar a juventude do Ultramar a abraçar a causa do ar.
* Tratados que foram os aspectos legais, com aprovação de um eventual reforço das Forças Armadas das Províncias Ultramarinas e estabelecidas possíveis rotas para uma ligação aérea entre a Metrópole e aquelas Províncias, especialmente para o transporte de Militares e meios aéreos necessários, foi então possível enviar, já no decorrer do ano de 60, seis aviões NORATLAS e 8 PV-2 para Luanda, ao mesmo tempo que para o Negage foram enviados oito AUSTER. Foi instituída a 2ª. Regão Aérea, e , quando eclodiu o terrorismo em Angola, em 1961, havia já a funcionar pistas em Luanda, no Negage e no Toto. Aos meios aéreos referidos, juntaram-se mais 4 aviões Harward T-6, que foram adquiridos através de um país amigo, ali da área.

* O que é certo, nisto tudo, é que no dia 15 de Março de 1961, quando a UPA perpetra os terríficos ataques contra as populações do Norte de Angola, Portugal é apanhado completamente desprevenido. É que a Força Aérea era apenas uma recém-nascida, "ainda de fraldas", mas não se furtou ao dever de acudir às populações através dos parcos meios aéreos de que dispunha. Foi assim que contribuiu grandemente para elevar o moral das populações, com os bombardeamentos efectuados pelos PV-2 e os T-6.

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