sexta-feira, 13 de junho de 2008

OS SANTOS POPULARES... EM ANGOLA

...-. Na Metrópole de então, durante o mês de Junho, realizavam-se as Festas dos Santos Populares. As festas em honra de Santo António começavam logo na noite do dia 12, porque todos os anos, a cidade de Lisboa organizava as Marchas Populares, que é hoje uma mediática atração turística em que acontece um grande desfile alegórico, com gente que canta e dança a descer a Avenida da Liberdade e no qual podemos vêr em competição os diferentes Bairros da capital, que montaram grandiosos arraiais onde é rainha a sardinha assada frequinha, os pimentos assados e o vinho tinto a escorrer dos pipos, com um cheirinho que se espalha por toda a cidade. Como encerramento do desfile, costumava lançar-se um feérico fogo-de-artifício.
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Os rapazes iam comprar manjericos (uma verdejante planta aromática, que em alemão se chama "das Basilikum"), plantados em pequenos vasos, para oferecerem às namoradas. Estes manjericos ostentavam uma bandeirinha em que estava escrita uma quadra popular, que tanto poderia ser brejeira como jocosa.

.... Em Angola, como noutros locais da antiga África Portuguesa, foram os Militares que voltaram a dar cunho popular às festividades dos Santos, organizando verbenas, arraiais, bailes... e até se começavam a vêr algumas tentativas de organizar Marchas Populares, especialmente naquelas terras que tinham algum dos Santos Populares como Padroeiro ou algum Bairro dedicado a um dos Santos, como era o exemplo de Nova Lisboa (Huambo), que tinha os Bairros de Stº. António, S. João e São Pedro, aproveitando tal facto para os comemorar condignamente. Tive oportunidade para assistir ao vivo a essa comemoração quando frequentei, na Escola de Aplicação Militar de Angola, o Curso de Sargentos Milicianos.
---- A comunidade Paroquial do Bairro de Stº. António organizou-se e conseguiu recordar um pouco Alfama ou Bairro Alto, Madragoa ou Benfica, até com mini marchas populares. O Bairro de S. João, através do Clube Ferroviário e da Paróquia, gostava de mostrar um cheirinho a Ribeira, a Rio Tinto ou às Fontaínhas. O Bairro de São Pedro vestia-se de galas para nos mostrar um pouco de São Pedro de Sintra,ou do Montijo, para não falar de tantos outros locais onde estes Santos são objecto do Culto dos Portugueses.
.... Também no Negage - e não era por força de haver algum bairro com dedicação a estes Santos -, se realizavam os Santos Populares, organizados pelos Militares das várias Unidades, os mais saudosistas desta data, como seria de prever. E mesmo não havendo possibilidades de se organizar uma boa sardinhada, a festa fazia-se na mesma e, acredite-se ou não, no confronto com as congéneres organizadas na Metrópole, até nem ficavam muito mal.
... E... nem sequer se tornavam necessários os tradicionais foguetes... que iam aparecendo nas lojas muito de vez em quando, mas sempre apareciam. É que o engenho do homem é tremendo... e o desenrasque dos Portugueses é sobejamente conhecido, arranjando sempre alternativas para tudo.

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