sábado, 21 de junho de 2008

A BAIXA DO CASSANGE...

* A partir do final da década de 40 surgiram, no Norte de Angola, vários movimentos com o objectivo comum de se oporem ao sistema colonial. Tiveram, de início, características messiânicas e uma base tribal, destacando-se o movimento encabeçado pelo “profeta” Simão Toco (ou Tinoco?), que anunciava ao povo angolano o fim da miséria e uma nova mensagem divina. Embora viesse a ser detido pelas autoridades, em 1949, as suas ideias (doutrina Tocoísta) estenderam-se entre os bacongos, emigrados no então Congo Belga, que vieram a criar, em 1956 a Aliança do Povo Zombo (Aliazo). Este movimento converteu-se, em 1962, no Partido Democrático de Angola (PDA).
* Mas foi outro movimento, de características similares, que esteve na base da sublevação da Baixa do Cassange, em Janeiro de 1961. O movimento, que, de alguma forma colheu de surpresa as autoridades portuguesas, iniciou-se com uma greve dos trabalhadores da Companhia Cotonang, como forma de protesto contra o atraso no pagamento dos salários, mas rapidamente se transformou num protesto das populações contra o cultivo obrigatório do algodão e as duras condições de trabalho que tinham.
* Em todo o movimento, desempenhou papel de destaque António Mariano, que pertencia a uma seita religiosa, era bastante próximo da União das Populações de Angola (UPA), e cujo nome ficou ligado à insurreição conhecida com o nome “A Guerra da Maria”. Os habitantes da região louvavam Patrice Lumumba, o líder revolucionário do Congo, clamavam pela independência de Angola, enquanto queimavam as sementes, destruíam ou interrompiam as vias de comunicação, destruiam pontes fluviais, matavam os gados, invadiam os armazéns e as missões católicas, expulsavam os brancos... mas não utilizavam armas. No entanto, isto tornou-se o prelúdio ao inferno.
* Para reprimir este movimento, as autoridades socorreram-se de unidades do Exército e Força Aérea presentes em Angola, que atacaram os grevistas de 24 de Janeiro a 2 de Março, transformando a acção num desproporcionado massacre de populações, cujo número de vítimas nunca se conheceu com exactidão. As Forças Armadas esmagaram a revolta com companhias de caçadores especiais e bombas incendiárias lançadas de aviões.
* Um responsável da Força Aérea Portuguesa disse, na altura, ao embaixador americano em Lisboa, C. Burke Elbrick, que "a violência tinha como origem a exploração dos nativos pela Cotonang", uma firma algodoeira luso-belga. Este turbilhão na Baixa do Cassange foi omitido à opinião pública, mas a propaganda dos Movimentos Terroristas tratou de o dar a conhecer... com o aumento de pormenores quanto aos meios e às vitimas que se calcula. Do 8 ao 80 valeu de tudo! Ainda hoje os responsáveis Angolanos - que até dedicam um dia à memória da Baixa do Cassange - são como os vendedores da banha da cobra... e falam da Baixa do Cassange como um momento alto para fomentar o ódio contra os colonizadores... esquecendo aquilo que a UPA fez a 15 de Março... ou o MPLA no 27 de Maio. E se aparecer quem mostre a realidade histórica do que foi Angola antes e depois do 25 de Abril?
* E se... aproveitassem e honrassem aqueles que pereceram e merecem ser recordados pelo que fizeram de positivo pelo Povo, em vez de se lançarem atoardas que apenas são propiciadoras de mal estar entre os homens de boa vontade?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

OS SANTOS POPULARES... EM ANGOLA

...-. Na Metrópole de então, durante o mês de Junho, realizavam-se as Festas dos Santos Populares. As festas em honra de Santo António começavam logo na noite do dia 12, porque todos os anos, a cidade de Lisboa organizava as Marchas Populares, que é hoje uma mediática atração turística em que acontece um grande desfile alegórico, com gente que canta e dança a descer a Avenida da Liberdade e no qual podemos vêr em competição os diferentes Bairros da capital, que montaram grandiosos arraiais onde é rainha a sardinha assada frequinha, os pimentos assados e o vinho tinto a escorrer dos pipos, com um cheirinho que se espalha por toda a cidade. Como encerramento do desfile, costumava lançar-se um feérico fogo-de-artifício.
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Os rapazes iam comprar manjericos (uma verdejante planta aromática, que em alemão se chama "das Basilikum"), plantados em pequenos vasos, para oferecerem às namoradas. Estes manjericos ostentavam uma bandeirinha em que estava escrita uma quadra popular, que tanto poderia ser brejeira como jocosa.

.... Em Angola, como noutros locais da antiga África Portuguesa, foram os Militares que voltaram a dar cunho popular às festividades dos Santos, organizando verbenas, arraiais, bailes... e até se começavam a vêr algumas tentativas de organizar Marchas Populares, especialmente naquelas terras que tinham algum dos Santos Populares como Padroeiro ou algum Bairro dedicado a um dos Santos, como era o exemplo de Nova Lisboa (Huambo), que tinha os Bairros de Stº. António, S. João e São Pedro, aproveitando tal facto para os comemorar condignamente. Tive oportunidade para assistir ao vivo a essa comemoração quando frequentei, na Escola de Aplicação Militar de Angola, o Curso de Sargentos Milicianos.
---- A comunidade Paroquial do Bairro de Stº. António organizou-se e conseguiu recordar um pouco Alfama ou Bairro Alto, Madragoa ou Benfica, até com mini marchas populares. O Bairro de S. João, através do Clube Ferroviário e da Paróquia, gostava de mostrar um cheirinho a Ribeira, a Rio Tinto ou às Fontaínhas. O Bairro de São Pedro vestia-se de galas para nos mostrar um pouco de São Pedro de Sintra,ou do Montijo, para não falar de tantos outros locais onde estes Santos são objecto do Culto dos Portugueses.
.... Também no Negage - e não era por força de haver algum bairro com dedicação a estes Santos -, se realizavam os Santos Populares, organizados pelos Militares das várias Unidades, os mais saudosistas desta data, como seria de prever. E mesmo não havendo possibilidades de se organizar uma boa sardinhada, a festa fazia-se na mesma e, acredite-se ou não, no confronto com as congéneres organizadas na Metrópole, até nem ficavam muito mal.
... E... nem sequer se tornavam necessários os tradicionais foguetes... que iam aparecendo nas lojas muito de vez em quando, mas sempre apareciam. É que o engenho do homem é tremendo... e o desenrasque dos Portugueses é sobejamente conhecido, arranjando sempre alternativas para tudo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

TANTA HISTÓRIA POR CONTAR...

Patrulha de T-6 voando em Angola
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* Como já houve oportunidade de dizer, quando eclodiram os primeiros ataques terroristas em Angola, a Força Aérea andava a preparar-se para qualquer problema que viesse a ocorrer... pelo menos "no pape"l, considerando o facto de, desde 1957, haver várias missões que procuravam estudar o terreno para implementar a FAP no território. Em 1958 seguiu para África uma missão chefiada pelo SubCEM, General PilAv Venâncio Deslandes, que visitou Cabo Verde, Guiné, São Tomé, Angola e Moçambique, visando o reconhecimento dos locais para inatalar as Unidades necessárias à operação aérea naqueles territórios. A missão chefiada pelo General Viana Tavares foi destinada ao norte de Angola, para efectuar reconhecimento detalhado de terrenos existentes na área da cidade de Carmona. Já em Luanda, é esta missão confrontada com uma comissão de residentes da Vila do Negage, que se colocou à disposição da missão no sentido de ser construída uma Unidade da Força Aérea na Vila, que tinha todas as condições para ali ser implantada, dadas as características do local, a meteorologia, os ventos dominantes... e a boa vontade demonstrada pelas populações, quando da viisita que então ali foi efectuada pelos elementos da comissão. Por esta mesma Comissão, em simultâneo, foram estudadas as infra-estruturas aeronáuticas civis existentes na Província, até pelo apoio que era exigido para o Exercício "HIMBA", que aconteceu em Abril de 1959 e foi como que um exercício preparatório para o regresso da Aviação Militar a Angola. O Aeródromo Base nº. 3 foi instituído pelo Decreto Lei nº. 18 029, de 31 de Outubro de 1960, sendo nomeado para seu 1º. Comandante o então Major PILAV Augusto Soares de Moura, por Portaria de 31 de Dezembro de 1960.
* Este Exercício "HIMBA" foi chefiado pelo próprio Comandante da 1ª. Região Aérea e nele tomaram parte mais de 200 Militares, de várias patentes e especialidades aeronáuticas, e bem assim 14 aviões de trensporte e bombardeamento, que tinham como missão o reconhecimento de locais para instalação futura de aeródromos, ao mesmo tempo que se fazia uma grande operação de charme para levar a juventude do Ultramar a abraçar a causa do ar.
* Tratados que foram os aspectos legais, com aprovação de um eventual reforço das Forças Armadas das Províncias Ultramarinas e estabelecidas possíveis rotas para uma ligação aérea entre a Metrópole e aquelas Províncias, especialmente para o transporte de Militares e meios aéreos necessários, foi então possível enviar, já no decorrer do ano de 60, seis aviões NORATLAS e 8 PV-2 para Luanda, ao mesmo tempo que para o Negage foram enviados oito AUSTER. Foi instituída a 2ª. Regão Aérea, e , quando eclodiu o terrorismo em Angola, em 1961, havia já a funcionar pistas em Luanda, no Negage e no Toto. Aos meios aéreos referidos, juntaram-se mais 4 aviões Harward T-6, que foram adquiridos através de um país amigo, ali da área.

* O que é certo, nisto tudo, é que no dia 15 de Março de 1961, quando a UPA perpetra os terríficos ataques contra as populações do Norte de Angola, Portugal é apanhado completamente desprevenido. É que a Força Aérea era apenas uma recém-nascida, "ainda de fraldas", mas não se furtou ao dever de acudir às populações através dos parcos meios aéreos de que dispunha. Foi assim que contribuiu grandemente para elevar o moral das populações, com os bombardeamentos efectuados pelos PV-2 e os T-6.

domingo, 1 de junho de 2008

OS 47 ANOS DO A.B.3 - N'GAGE

* No Campo de Tiro de Alcochete - Messe de Sargentos - decorreu, no dia 31 de Maio, o 47º. Aniversário do AB3, que juntou cerca de 260 participantes - Militares, Civis e Famílias - além de muitas crianças, numa confraternização de amizade, camaradagem e saudade que já se tornou tradição.
* Este evento teve o alto patrocínio do Estado Maior da Força Aérea/Grupo de Apoio e do Comandante do CTA, até porque da Comissão Organizadora faz parte um Oficial General na situação de "Activo", facilitando assim a "vida" aos restantes membros, que apenas têm de estar atentos e controlar as inscrições, como se torna óbvio.
jjjjjjjjj
* Lamenta-se apenas que estes patrocínios não sejam estendidos a outros eventos desta natureza, como sendo os Aniversários da BA3, do AB4 ou do AB6, para não falar de outros, pois parece que a Força Aérea continua a ser uma coutada onde alguns podem continuar a caçar... em detrimento de outros, a quem nem fisga lhes será permitido usar.