quinta-feira, 24 de abril de 2008

AS "TROPAS" PÓS 25 DE ABRIL...

  • * Quando Portugal detinha, nas suas Províncias de Além Mar, uma guerra contra o terrorismo que grassava , nomeadamente na Guiné, em Angola e em Moçambique, houve milhares de jovens que foram chamados a dar o seu contributo para que viesse a voltar a paz para aquelas terras. E foram muitos que deram o melhor de si mesmos para que, em África, continuasse a ver-se desfraldada a Bandeira das Quinas. E este melhor de si foi, muitas das vezes, darem a própria vida ou terem ficado estropiados para sempre... a troco de um mísero pré, quando comparado com os milhares de Euros que se pagam hoje para os Militares irem defender os interesses de outros Países, integrados nas chamadas Forças de Manutenção de Paz da ONU .
  • * Perante uma crise de recrutamento que se verifica cada vez mais gritantemente acentuada, procura-se o satisfazer "Gregos e Troianos", discutindo-se a atribuição de um "subsídio de risco" para as "Tropas" de "élite", com a certeza de que deverá ser igual para todos - Pessoal Mecânico de Avião ou de Comunicações, Fuzileiros, Comandos, RESCOM/CSAR, CTPE ou o diabo que os leve - ou então um pouco maior para os Pára-quedistas , se forem consideradas as exigências contidas no seu programa de treinos.
  • * Acontece estar já tido em conta o subsídios de risco desde há muito atribuído a Pilotos, e bem, acrescente-se, mas está a pensar-se na necessidade de aumentar o valor do subsídio a estes Militares, para evitar a debandada para a aeronáutica civil. Sendo estabelecido que o risco para as restantes especialidades é uma percentagem do atribuído aos Pilotos... lá terão os subsídios de risco de ser aumentados, nem que para tanto seja necessário, mais uma vez, continuar a ir ao bolso dos Militares Reformados, tirando-lhes mais um pouco mais do pouco que auferem, em nome do bem estar daqueles que são, nos dias de hoje, um arremedo dos Militares de antanho, que deram o seu sangue por uma causa, quer nas Campanhas contra os invasores Franceses, na I Guerra Mundial, ou ainda nas Campanhas das Forças Armadas em África, nunca esperando outra recompensa que não a do sentimento de terem cumprido um dever. Não tiveram as benesses que têm os de Militares de hoje, como não tinham armamento em condições nem equipamentos de "gama alta", mas tinham com eles a coragem necessária para vencer.
  • * Ninguém pense terem os Militares sido derrotados em Angola ou Moçambique! Não! Apenas a revolução do 25 de Abril, que amanhã completará 34 anos, levou à entrega sem glória daqueles Territórios de África. É à Revolução de Abril e àqueles que foram seus autores, que se deverá atribuir o fim da luta contra os terrorismos que assolaram a então África Portuguesa, onde se estava a viver um desenvolvimento jamais imaginado pelos cépticos detractores mais virulentos. Na Guiné não tanto, mas nos outros Estados... circulava-se em paz, sem restrições
  • * Apenas resta esperar que estas élites surgidas no pós-25 de Abril estejam à altura dos seus pergaminhos e saibam honrar as páginas de glória que lhes foram legadas pelos antigos Combatentes do Ultramar. Não pode ser apenas ganhar dinheiro, como se de mercenários se tratasse, mas sim saberem prestigiar aqueles que os antecederam e caíram no campo da honra, para que Portugal continue um País digno no que concerne às Nações do Mundo.

sábado, 19 de abril de 2008

A GUERRA COLONIAL... vista de dentro - I

Os escritos aqui inseridos são relatos do Senhor Coronel Libânio Pontes Miquelina, em entrevista ao jornal "Correio da Manhã" acontecida em 2007.
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- Relatos do ex-Alferes Libânio Pontes Miquelina, da Compª. 105 do BCAÇ 96, que viveu directamente, na frente, a Guerra Colonial em Angola, pois o seu Batalhão foi o primeiro a entrar em Nambuagongo, em Agosto de 1961:

* "Os combates eram duros e muito feios!" - recorda o Alferes Libânio. "Com o êxito da 'Operação Viriato', a primeira de grande dimensão nas Campanhas de África, acabou-se com o 'santuário da UPA', onde os independentistas se consideravam inexpugnáveis, apesar de alguns aviões da Força Aérea Portuguesa irem lá, de quando em quando, despejar umas bombas."
* "A partir de um morro rodeado de matas diabólicas, com as picadas que lá conduziam obstruídas por árvores e muitas valas, a UPA lançava ataques a povoações próximas e mantinha sob ameaça cidades mais distantes, como Carmona, Ambriz e até mesmo Luanda. Para o Comando Militar português destruír a base tornou-se decisivo e não teve dúvidas em montar uma operação de envergadura."
* " Por três itinerários diferentes, outras tantas forças militares receberam ordens para chegar a Nambuagongo. O Batalhão de Caçadores 114, comandado pelo Ten Cor. Henrique de Oliveira Rodrigues, foi o único que não conseguiu lá chegar. E o '96', do Ten. Cor. Armando Maçanita, foi o primeiro a atingir o objectivo, tendo à frente a Companhia 103 dos Alferes Santana Pereira, já falecido, e Casimiro, que também morreu em campanha."
- O Coronel Libânio Miquelina teve o seu baptismo de fogo a 10 de Junho de 1961, na tomada da Pedra Verde. É natural de Grandola, fez quatro comissões em África, sendo três em Angola e a última em Moçambique, onde comandou uma Unidade de Morteiros.
* " Ficámos um pouco para trás, por causa de um avião Broussard, atingido por uns tiros do inimigo e que, vendo a localidade ocupada por militares, decidiu aterrar na rua central de Muxalando, a uns 20 quilómetros de Nambuagongo. A caminhada que havia sido encetada rumo a este objectivo, durou mais de 20 dias de intensos combates, mas as dificuldades começaram numa ponte sobre o Dange, a 100 quilómetros do alvo. Quando chegámos à zona, tivemos de intervir rápido, porque descobrimos que o inimigo estava a tentar destruír a única ponte existente. Para isso faziam enormes fogueiras, com muitas árvores e ramos sobre o tabuleiro, lançando depois água para cima do mesmo para estalarem o cimento armado por efeito da mudança de temperaturas. Foi um ataque bastante difícil, porque eles já estavam armados com metralhadoras automáticas, além de "canhangulos e bazukas", enquanto no nosso Exército as melhores ferramentas para cavar abrigos eram as... baionetas das velhas espingardas Mauser. Deixei lá dois mortos e muitos feridos. "
* " Os ataques inimigos aconteciam de dia e de noite, ao meio-dia e ao meio da tarde, mas nunca se chegou ao corpo-a-corpo, de que muitas vezes se falava."

terça-feira, 8 de abril de 2008

A.B.3 - N'GAGE - 47º. ANIVERSÁRIO

Boina Azul da Polícia Aérea
-----------Porta d'Armas do A.B.3 - Negage - Angola------

* No próximo dia 31 de Maio do ano em curso, no Campo de Tiro de Alcochete, vai realizar-se a tradicional CONFRATERNIZAÇÃO DE AMIZADE, CAMARADAGEM E SAUDADE de todos os Militares e Civis que prestaram serviço no AERÓDROMO BASE Nº. 3, que funcionou no N'Gage - Angola.
* Também são convidados para este evento todos os familiares e Amigos , para mais um momento de saudade de todos os que fizemos o AB3, não esquecendo os que já pereceram, pois jamais os podemos deixar de recordar. Por tal motivo, está prevista uma Missa evocativa na Capela do Campo de Tiro, a que se seguirá um momento para se proceder à fotografia de conjunto com todos os presentes.
* O almoço será servido na nova Messe de Sargentos do CTA. Está previsto o bolo de aniversário e o cantar de parabéns. A partir das 15 horas, será efectuada uma visita à Unidade.
* Os interessados em participar devem confirmar a inscrição até ao dia 23 de Maio, para o Capitão Orlando Franco - Telemóvel 962 921 547 ou e-Mail jorlando.franco@gmail.com.
* Certamente irá ser um momento alto o reencontro de tantos Amigos, anos após haverem cruzado os seus caminhos na nossa sempre saudosa N´Gage. Lá nos encontraremos, estou certo disso.