segunda-feira, 17 de março de 2008

OS VENTOS DA HISTÓRIA, SOPRARAM...

Sé Catedral de Luanda
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---- ...e foram deixando, um pouco por toda a África, marcas indeléveis , bastante difíceis de apagar.
---- Ainda que se não acredite em milagres, estes acontecem, quanto mais não seja no subconsciente de quem havia pensado ser a Guerra do Ultramar uma coisa que estaria para durar eternamente, ou para terminar mais depressa do que havia começado. O 25 de Abril foi um golpe caído do céu, visto por uns, uma calamidade, visto por outros... mas toa a gentee, em Angola, pelo menos, se surpreendeu com tão inesperado acontecimento... porque em Luanda, a capital do imenso território que se estendia de Cabinda ao Cunene, se ia vivendo aquela vida cosmopolita a que já estava habituada, tardando a compreender o alcance do que havia acontecido no "Puto" distante.
---- Os Movimentos "terroristas" de Libertação, apenas nos primeiros dias de Maio, a partir da Zambia ou do Zaire, deram sinais de reagir ao golpe militar acontecido em Portugal Continental, proclamando o seu desejo de que tudo iria continuar como até aí, continuando-se a lutar até à independência total. Mesmo sem querer, por ironia do destino, Portugal estava a conceder-lhes um protagonismo que estavam muito longe de haver conquistado. Essas promessas de continuação da luta armada, proferidas pelo MPLA, pela FNLA ou pela UNITA, não causavam receios a ninguém, porque esses Movimentos estavam a lutar pela sobrevivência e não pela independência.
---- Porque, naquele ano de 1974, as Forças Armadas Portuguesas controlavam por completo, militarmente, todo o vasto território, onde as operações militares haviem cessado, indubitávelmente, desde há dois anos antes, sendo nessa altura restabelecida a livre circulação em todo o Estado Português de Angola, aquele golpe do destino foi um vento que soprou forte... mas no sentido inverso do que poderia alguém pensar: estas rajadas vieram "endireitar" aquilo que a tempestade da vontade indómita dos Militares e do Povo haviem derrubado. Enquanto no terreno da luta os bravos Militares, auxiliados pela vontade indómita de ficar demonstrada pelas Populações, construíam a paz, derrubando o terrorismo mais selvagem que algumas vez alguém ousou praticar, outros militares, na Metrópole longínqua, trataram de reerguer esse mesmo terrorismo, restituir-lhe a força perdida... e trataram de entregar, nas mãos ensanguentadas do inimigo, 500 anos de História comum, por obediência aos desejos de uns tantos que sempre cobiçaram a terra generosa que dava o pão e servia de chão àqueles que a amavam.
---- Luanda passou, num ápice, de 400 mil habitantes para cerca de 3 milhões... sem que as infra-estruturas houvessem sido aumentadas. Porque as Populações viviam a tranquilidade das suas aldeias, sem pensarem ter, um dia, que vir para a cidade grande, mas o 25 de Abril veio possibilitar tudo o que de pior se poderia prevêr para aquela cidade. A fuga à guerra civil levou a que o interior se desertificasse, refugiando-se as populações na capital... mas isso falaremos numa próxima postagem.
---- Até lá... e que os ventos vos sejam favoráveis, já agora!

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