terça-feira, 4 de março de 2008

DINHEIRO DE ANGOLA - V






















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---- Quando El-Rei D. José I subiu ao trono de Portugal, eram correntes em Angola as moedas do "Brasil e Guiné" com o valor facial de 40 reis - de 1753 a 1757 - e de 20, 10 e 5 reis - nos anos de 1752, 1753 e 1757 -; mas nos anos de 1763, 1770 e 1771, sendo Primeiro Ministro do Reino Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, foi cunhada uma nova moeda destinada a Angola, de carácter privativo, onde pela primeira vez era inscrito "ÁFRICA PORTUGUESA". A essa moeda foi dado o nome de MACUTA, como referência aos muito famosos "panos do Congo", os "makuta". Uma moeda de Macuta valia, no início, 50 reis - meio tostão, em contraponto com a moeda de 100 reis, que era conhecida como "tostão", por causa da côr que apresentava a moeda após a oxidação -; as moedas foram cunhadas em prata, com os valores faciais de 12, 10, 8, 6, 4 e 2 Macutas, em em cobre as de 1, 1/2 e 1/4 de macuta, sendo esta moeda de 1/4, cunhada no ano de 1771, chamada de "quipaca" na Guiné, onde a antiga moeda de 5 reis 1/10 de Macuta, ficou conhecida por "pano".
---- No reinado de D. João VI, a moeda angolana desvalorizou 50%; a carimbagem fez-se , com bastante má qualidade, durante os anos 1814 e 1816, nas oficinas da Missões Católicas, que usavam para tal os seus próprios carimbos. Reinava D. Miguel I quando se fizeram alguns ensaios para a cunhagem de novas Macutas, que pararam porque se iniciou a guerra civil entre o Rei e o irmão D. Pedro. Com a Rainha Dona Maria II, procedeu-se à decimilização da moeda angolana, que aconteceu em 1838, e na altura em que apareceram novas emissões - 1848 - 1851 e 1853 - a Macuta tinha-se desvalorizado em cerca de 20%, passando a de 50 reis a valer 62,5 reis; também as "peças" e "meias peças" do Reino, de 7.500 e 3750 reis, começaram a circular em Angola com os valores de 13.000 e 6.500 reis, desaparecendo então a Macuta.
---- D. Luiz I introduziu em Angola a moeda que então era a moeda corrente em Portugal. Ensaiou-se, no ano de 1886, uma nova moeda de 20 reis, privativa de Angola, mas este projecto não foi por diante, continuando os reis que se usavam no Reino a circular em Angola, mesmo após os 10 primeiros anos da República.
---- Sendo o General Norton de Matos, Governador Geral de Angola, um despacho ministerial, datado de 07 de Fevereiro de 1921, manda voltar-se à cunhagem de moeda privativa para Angola, onde passou a figurar no anverso da moeda o perfil da "república". Cunharam-se assim, em 1921, moedas de 1, 2 e 5 centavos - bronze, 10 e 20 centavos - cupro-níquel; em 1922 cunharam-se moedas de 5 centavos, em bronze, 10 e 20 centavos, em cupro-níquel, 50 centavos, em níquel; em 1923 moedas de 5 centavos, em bronze, 50 centavos em níquel e em 1924 cunharam-se moedas de 5 centavos, em bronze.
---- As primeiras emissões de moeda angolana do Estado Novo, toda em alpaca, aconteceram em 1927 e tinham os valores de 50, 20, 10 e 5 centavos; em 1928 emitiram-se moedas de 50, 20 e10 centavos, também em alpaca, reaparecendo nesse ano a Macuta, agora com o valor de 5 centavos e com uma melhoria na face da "república", que ficou mais "feminina" que as anteriores. No entanto, desapareceu novamente, logo nas emissões de 1948, com valores faciais de 50 centavos - bronze-níquel, 20 e 10 centavos, em bronze. Em 1949 cunharam-se moedas de 20 e 10 centavos, em bronze, e em 1950 50 centavos em bronze-níquel, com o perfil da "república" novamente estampado. Também a moeda de "Escudo" portuguesa foi substituída por uma moeda desenhada especialmente para Angola, em que passou a figurar um elefante e uma zebra. Moedas de prata, com o mesmo desenho, mas de 20 e 10 Escudos, apareceram em 1952; o Escudo (antigo tostão, ou 10 reis) em 1953 (1 Escudo e 50 centavos, em bronze, e 2,5 Escudos, em cupro-níquel.
---- As últimas cunhagens deste período da República datam de 1967.

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