quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O CARNAVAL... faz esquecer problemas?

----Sempre que as televisões dão as notícias do dia, de Portugal e do mundo, somos confrontados com situações acontecidas um pouco por toda a parte, onde são reveladas as misérias e grandezas do quotidiano, como sejam o assustador avanço da SIDA, as calamidades naturais, a onda de abortos, a angústia da pobreza extrema, os abandonos de crianças e idosos, o recrudescer da violência, a alarmante insegurança, o aumento do desemprego, os assaltos, os roubos, os raptos...
----Não que eu seja um moralista, nem tampouco alguém com vocação para pregador ou missionário, acreditem-me, mas, com a chegada deste tempo de Carnaval, é frequente perder-se a noção da decência e da moralidade, com a consequente onda de disparates, que é prática desta época. O Carnaval mostra-nos o rosto da completa alienação espiritual e ética, a que a sociedade se vai permitindo... cada vez mais.
----Nota-se o desopilar da contenção de 360 dias de angústia constante, de mil desilusões e completo desespero pela falta de soluções para os problemas que o quotidiano do País propicia. Pelo menos, ao celebrar-se o Entrudo, deitam-se pela porta fora todos os problemas... e que possa reinar a folia.
----Ponham-se os olhos no Carnaval Carioca. É uma cidade que está a ferro e fogo, uma imagem moderna de Sodoma ou Gomorra, onde impera a podridão dos costumes, onde se podem encontrar milhentos " meninos de rua" a exigir que sejam encontradas soluções que permitam proporcionar-lhes uma integração futura na sociedade a que as crianças, queira-se ou não, pertencem. Constacta-se que, no Carnaval do Rio, tudo se permite, porque a alegria e a música, o suor e a droga, os corpos despudoradamente nús, a violência gerada por acertos de contas antigas, a embriaguês, o roubo... são marca de uma cidade com favelas onde fervilha uma vida que não é consentânea com o título de "Cidade maravilhosa" habitualmente atribuído ao Rio de Janeiro. Sim! As televisões permitem-se veicular as grandezas e misérias de uma festa plena de côr, de alegria, de luzes mil... que, ao chegar a alvorada da Quarta Feira de cinzas, não passará de uma quimera que se finou, tendo causado um gasto monumental, que foi feito para gáudio de uns tantos milhões de turistas, apenas interessados na passagem de um bocado de tempo bem passado, nem se apercebendo de que a faustosidade que se vê naquele carro... corresponderá a umas tantas crianças que continuarão a passar fome, a uns tantos velhos desamparados, porque agora, para os foliões, vale apenas a reinação.
----É CARNAVAL... pois que viva o Carnaval, esperando-se apenas, e tão só, que um novo amanhã possa permitir-nos continuar a folia... com confiança e verdade.

1 comentário:

ANTONIETA disse...

Nos tempos que correm o Carnaval dura 365 dias porque a vida é um carnaval.
Como dizes ao celebrar o "entrudo", esquece-se de toda a miséria que reina no mundo.
Esperemos que a nossa vida continue a não ser um "Carnaval" mas sim uma afirmação de todo o amor que nos une.
Da tua mulher que te ama de verdade
Antonieta Elias