sábado, 26 de janeiro de 2008

DINHEIRO DE ANGOLA - IV

---- Como diria o velho João Ferreira, indubitávelmente o Homem do Negage, "...o dinheiro trás sempre outro dinheiro com ele! É preciso saber procurá-lo... e merecê-lo!". Para quê esta introdução, perguntarão, mas a isso responderei que apenas estou a justificar a continuação deste trabalho sobre o dinheiro de Angola, pois não quero que vos falte, palavra.
---- Começarei por falar da MACUTA, que em Quimbundo é Makuta, o plural de likuta, sendo o nome Quicongo dos célebres "panos" tecidos de fibras vegetais que correram em Angola como moeda, até cerca de 1694. A partir deste ano começaram a circular as moedas de 10 reis, especialmente estas, que eram produzidas para o Brasil e a Guiné, querendo este "Guiné" dizer todas as possessões Portuguesas da Costa Ocidental de África. As "Macutas", com o dístico "África Portuguesa", só vieram a ser cunhadas em 1762, no tempo do Marquez de Pombal. Conheceram uma enorme distribuição no reinado da Rainha D. Maria I, havendo emissões em 1783 - no valor de 10, 8, 6, 4 e 2 Macutas em prata e de 1 Macuta cobre; 1784 - no valor de 6 e 4 Macutas, em prata; 1785 - no valor de 1, 1/2 e 1/4, em cobre; 1786 -1 e 1/2 Macutas em cobre; 1789 - no valor de 12, 8, 6 e 4 Macutas em prata, de 1, 1/2 e 1/4 Macuta em bronze; 1796 - valores de 12, 10, 8, 6, 4 e 2 Macutas em prata. Foram desvalorizadas em 50% na regência de D. João, no ano de 1814 - foram carimbadas nas missões até 1816 e não houve novas emissões no reinado de D. Miguel. No reinado de D. Maria houve nova desvalorização de 20%, mas houve novas emissões em 1848, 1851 e 1853. No reinado de D. Pedro V fizeram-se emissões das moedas de 1/2 Macuta (1858) e de 1 e de 1/2 Macuta em 1860. No reinado de D. Luis I houve ensaio para uma nova moeda destinada a Angola, nos valores de 20, 10 e 5 Reis, para substituirem as Macutas a partir de 1886, mas ficou-se pela intenção, pelo que as Macutas tiveram curso corrente em Angola até à implantação da República, em 1910, durando, por conseguinte, 148 anos e 9 reinados.
---- MOEDA ANGOLANA - A primeira sugestão para a cunhagem de uma moeda privativa de Angola veio do Senado da Câmara da cidade de S. Paulo da Assunção, decorria o ano de 1649, governando então Salvador Correia de Sá, que foi quem assinou o respectivo auto, no dia 31 de Março. Seriam moedas de cobre, pesariam duas oitavas e dois terços, respectivamente, ou seja 2,66x3,586 gramas = 9,539g. Teriam o nome de "Meio Pano" e valeria 25 Reis, a primeira, e a segunda teria o nome de "Libongo", com uma oitava e um terço, correspondente a metade do peso da primeira, valendo, portanto, 12,5 Reis.
---- Mas o Conselho Ultramarino indeferiu o pedido do Capitão-General, o que levou a que o "Pano" circulasse até 1694. No entanto, em 31-03-1688, reinava D. Pedro II, o mesmo Conselho havia mandado cunhar, para Angola, concretamente, uma franquia de 5 Reis, que se cunho em 1693 e foi levada para Angola pelo Capitão General Henrique Jaques de Magalhães, no ano seguinte. No entanto, porque esta moeda deu norigem a rebeliões entre os soldados brasileiros da guarnição de Luanda, uma vez que o soldo nominal era de 200 Reis, mas ao serem pagos em "Panos" passavam a receber 800. Julga-se que esta moeda de 5 Reis nunca terá circulado em Angola, a fazer fé no facto de apenas as moedas de 20 Reis, de 1695, cunhadas para o Brasil e Guiné, têm sido encontradas em Angola, não havendo ninguém que alguma vez conseguisse ter uma moeda de 5 Reis na sua colecção, circulada neste País, pois em relação ao Brasil circularam a partir do ano de 1704 e até ao reinado de D. José I. No reinado de D. João V circularam em Angola as moedas brasileiras de 20 e 10 Reis, cunhadas em 1715, 1719, 1735 e 1736, e as de 20, 10 e 5 Reis (1749) do Estado do Maranhão. a mais abundante moeda a circular terá sido a de 10 Reis, cunhada no Reino de Portugal decorria o ano da graça de Deus de 1737.

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