quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

DINHEIRO DE ANGOLA - III

---- Depois de uma breve pausa, vamos lá a continuar a falar da Moeda de Angola, pois esta é como a Nau Catrineta, "que tem muito, muito que contar". E sem perder tempo, vamos a isto:
---- LERALI - O lingote dos Pedi, uma barra cilíndrica de cerca de 45 cm de comprimento, com um cone de + - 160º numa extremidade e decorações protuberantes, em forma de chifres, de que não há imagens.
---- LIBONGO - Nome que tem origem no Quibundo e se dava a um "paninho" tecido no Longo, em tudo semelhante ao "paninho do Congo" ou likutu; acrescente-se que é palavra do Quibundo calunda lu mbongo, que significa 'moeda - mbonge - irrisória, numerosa, como o nó do caniço', já que um libongo, em 1695, valia 5 réis, ao tempo em que o Governador Henrique Jaques de Magalhães fez circular esta primeira moeda divisionária em Angola - já ali havendo moedas de 20 e 10 réis - originando deste modo um motim entre a soldadesca brasileira que se encontrava a guarnecer a cidade de Luanda.
---- LINGOTE - Forma manejável em que é vertido um metal pesado, monetário ou não. Depreende-se que o lingote de cobre africano fosse executado em três formas: a barra cilíndrica, o 'H longo' em forma de astrágalo - o 'jogo das pedrinhas' - o objecto monomotápico, assim denominado por Theodore Bent em "The Rulned Cities of Mashonaland", e a cruzeta.
---- A forma cilíndrica, ou vergalhão, é a mais espalhada pela África Austral, tanto como material para a confecção de manilhas, como na forma de 'mutsuku', os "cilindros rectangulares com fileiras de tachas no topo", cada uma equivalente a 113 gramas de metal, o preço de uma enxada de ferro. As extremidades de um lingote monomotápico - de que a forma mais antiga foi encontrada na margem do Rio Mpofu, Lomagundi - lembram, nos tamanhos mais pequenos, as orelhas de um martelo; foi Bent quem primeiro descreveu o objecto, encontrado pela sua escavação das ruínas do Zimbabué de Fort Victória, de que Hal and Neal, em 1903, encontraram o molde, em talco xistoso, na estação de u'Mununkwaba, juntamente com gongos duplos e "um jogo de bolinhas de talco xistoso"; outros 12 moldes conhecem-se de Elisabetheville e da Zâmbia; 21 espécimes foram encontradas por António Joaquim da Rocha em Guengue, junto ao Rio Búzi, na propriedade do Sr. Clemente da Silva, na Província de Manica e Sofala, em Moçambique. Da cruzeta falaremos separadamente.
---- Os "mutsuku" já eram fundidos pelos Lemba, autóctones do Transvaal setentrional, quando os Venda bantos ali chegaram, no século XVIII. A origem do lingote monomotápico, e portanto o da cruzeta, provávelmente dele derivado, é obscura; Diodoro Sículo descreveu lingotes da Dalmácia, que o arqueólogo Sir John Evans, comparou ao lingote africano, conforme James Walton - The African Village; poderá ser o objecto dálmata o lingote em "H", convexo - o monomotápico é côncavo - forma estilizada reminescente da do antigo lingote mediterrânico, no feitio e no tamanho de um couro de carneiro; em África, pensa-se que a indústria tivera origem entre os Macaranga.
---- Os lingotes africanos mais semelhantes ao objecto moderno foram produzidos pelos Kwena - mineiros de estanho em Rooiberg, distrito de Waterberg, Transvaal - em moldes cavados em areia ou em talco xistoso.
---- LOMBONGO - De Libongo, nome dado em Angola ao 'paninho' tecido no Loango, que corria como moeda no reino do Congo e em Angola. O termo parece ter começado a aplicar-se às moedinhas de 5 réis que circularam neste reino a partir de 1695; segundo o Autor, o termo é em crioulo, derivado do Quimbundo m'ilambongo, 'uma quantidade de imbonge' - singular mbonge, ou 'bongue' - coisa de contar, como o nó caniço. Significa hoje, simplesmente 'DINHEIRO'.
---- Continua, porque dinheiro puxa dinheiro...

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