segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

DINHEIRO DE ANGOLA - II


----Depois de já haver falado das "Cruzetas", que se fundiam em dois desenhos básicos em que o normal era em forma de "X" e pertencia^`as culturas Luba e Calunda, e o longo, as "cruzes de Santo André", da cultura monomotápica, "típicas das minas do Manicongo", segundo o autor Júlio Alves Victor, que refere, aparentemente, "os rios mencionados por um narrador quinhentista de nome Fernandes".

----As Cruzetas normais são os objectos que se encontram representados nas moedas de 1 e 5 Francos de 1961, do Catanga, semelhantes a espécimes encontrados nesta região e na região da Lunda, que são as chamadas "vela de moinho", como já havia sido dito. As do segundo tipo mencionado apresentam uma confecção mais bem cuidada, com rebordo e secção trapezoidal, que foram encontradas nas margens do rio Mpofu - Zimbabwe, julgando-se que sejam percursoras das Cruzetas do Catanga. As Cruzetas normais atingiam os 30 cm de envergadura e chegavam a atingir o peso de 1.700 gramas. Representavam, refere o autor, o preço de um escravo, e, mais recentemente, feste objecto dava-se em troca de uma esposa, entre os Baluba.

----O autor, Júlio A.Victor, refere que, segundo o Padre Arnot, os Basanga fabricaram lingotes de cobre até 1891, de minas de malaquite e em fundições exploradas por certas famílias aristocráticas, possivelmente até uma casta. Os nativos mencionados pelo Fernandes eram "povos mais brancos que escuros", que Tracey coloca além do rio Hnugani". Os nomes atribuídos pelo autor aos lingotes de cobre que eram usados pelos povos do Catanga ao Monomotapa e ao planalto de Luanda, eram: Andas de Cobre, numária monomotápica ou ensaio numismático-arqueológico, na citação feita no "Notícia" publicado em 1966, na cidade do Natal - República da África do Sul. Esta palavra "HANDA" significa, entre os Povos Ovibundos e outros, a sul da Angola, CLÃ. O explorador e fundador da etnografia belga, Leo Frobenius, chamava aos mesmos lingotes de cobre "handacreuse", que seria o heterónimo da palavra flamenga "handelkruis" = CRUZETA DE COMÉRCIO, de onde derivará este termo, pela certa. É preferível, portanto, que se fale de Cruzetas e Lingotes.

----JIMBAMBA é uma palavra criola, formada de JIMBO, o nome Quimbundo da "Ciprea Angolana", que significa o zimbro, que era usado como moeda até às terras do Catanga ou uma quantidade de zimbros, coisa de valor. Acresce dizer-se que este termo ainda perdura no Português angolano como "embamba", referindo os pertences de alguém.

----JIMBO - Quim, yimbu, do Quicungo, nzimbu, moeda, palavra que deu origem a JIMBAMBA.
----Procurando não me tornar monótono, vou aproveitar para resumir alguns conceitos sobre a moeda, não só de Angola como do mundo. A moeda, que hoje é conhecida em todo o planeta, sofreu enorme evolução ao longos dos séculos. Antes da moeda praticava-se o ESCAMBRO, que correspondia à troca de mercadoria por mercadoria, sem qualquer equivalência de valor.

----Espero CONTINUAR a resenha histórica da Moeda Angolana, valendo-me, para o efeito, do magnífico trabalho sobre esta matéria de Júlio Alves Victor, a quem agradeço.

1 comentário:

António da Cunha Duarte Justo disse...

Obrigado!
Com o seu texto pude ampliar mais o meu saber específico.
Parabéns pelo fomento do saber em torno da cultura angolana!
Atenciosamente
António Justo