sexta-feira, 16 de novembro de 2007

AS CUCAS... AS NOCAIS...AS SAUDADES




-----De vez em quando, muito de vez em quando, sinto um certo peso no estômago, como se acabasse de beber uma "bazuka" gelada, acompanhada por um magnífico prato de marisco, não daquele que o bom Rei Eusébio consagrou, mas tão só um magnífico e bem fresquinho camarão, apanhado horas antes nas tranquilas águas Angolanas.
-----Porque falo em "bazuka", claro que terei de lembrar também as cervejas da CUCA e da NOCAL, até porque a maior publicidade que vi a estas marcas provinha de histórias que o Povo - o bom Povo de Angola - ia contando nas banjas onde me deslocava, por vezes, a convite de um Soba ou de um amigo dos muitos que deixei por lá. Não sei até que ponto não seria fantasia de algum fulano que pretendesse fazer propaganda ao seu produto, em detrimento do da concorrência, mas afirmava-se que "A CUCA AJUDA A UPA!" concluíndo-se logo após que "A NOCAL... AJUDA PORTUGAL"!
-----Não sei até que ponto esta propaganda seria "publicidade enganosa" ou não... mas aquilo que se veio a constatar é o facto de a CUCA ainda se mantêr em laboração plena, com boa implantação no mercado Angolano, ao mesmo tempo que a NOCAL desapareceu por completo... tendo surgido a novel "N'GOLA" como herdeira das tradições cervejeiras que seriam da NOCAL. É que a fábrica existia, ficou em solo Angolano, não lhe acontecendo qualquer contratempo até à data da independência. Depois desta acontecer, poderá muito bem ter sido mais um "espólio de guerra" desviado para Cuba, como recompensa dos serviços prestados pelos seus "conselheiros" culturais e políticos, o mesmo que dizer "SOLDADOS CUBANOS".
----- Terá havido alguma verdade naquelas histórias espalhadas por toda a Angola de que a CUCA apoiava os terroristas de Holden Roberto, no início da luta armada, quando os bandos demandavam as terras do Uíge semeando o terror? Não quero acreditar ter alguma vez Manuel Vinhas pactuado com tal infâmia, pois era por demais um Homem íntegro e probo, que poderá ser acusado de muita coisa, mas de traição, jamais.
-----Agora basta-nos a memória dos petiscos bem regados com cerveja, predominando aquela cujo sabor seria mais próximo da nossa tradicional "SAGRES", que nunca poderei afirmar ser uma ou outra, porque antes de ir para Angola nunca tinha bebido cerveja... e depois de regressar nunca mais a bebi. Havendo tão bom whisky em Angola - que também o fabricava na sua fábrica do Lobito, a SBELL - e a preços tão convidativos... era um crime não beber um um trago, com uma ou duas pedrinhas de gelo... que saudades, meu Deus!
-----Estou convicto de que alguns dos que me lêem terão a mesma opinião... mas uma "loirinha", Cuca ou Nocal não importa, com uns "jaquinzinhos" ou uma "dobradinha", ao fim da tarde, sentado na explanada do "Estrelas" ou do "Avenida", no Negage, ou em Luanda, na "Portugália", na "Mexicana" ou na Ilha... acreditem que mesmo com os tremoços - o tal marisco do Eusébio - eu mataria as saudades que me ficaram daqueles tempos, pois sei serem estas uma parte de mim que jamais olvidarei.

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