quarta-feira, 24 de outubro de 2007

REPENSANDO A GUERRA EM ANGOLA

----* Há muitos Portugueses, daqueles que, um dia, partiram do seu torrão natal para socorrer gentes que, lá longe, nas terras longínquas de África, lutavam pela sua sobrevivências, vitimados por acontecimentos que os ultrapassavam completamente e de que nem sequer conheciam o real significado.
----* Soldados, aviadores e marinheiros, irmanados num enorme sentimento de SERVIÇO À PÁTRIA, combateram em África de uma forma a todos os títulos valorosa, apenas irmanados na obediência e no imperativo que era o cumprimento do dever, com fidelidade ao instinto vital de independência que constantemente é apanágio da alma milenar da GREI. Mas é possível sentir-se hesitação perante uma interrogação que nos brota de dentro do peito: EM BOA VERDADE...PARA QUÊ LUTAR?!...
----* No entanto... a resposta é simples, bem pertinente e muito clara: - DURANTE 13 ANOS PORTUGAL DEFENDEU-SE EM ÁFRICA PARA:
- Cumprir um inalienável dever de protecção às vidas e bens dos Portugueses de todas as etnias;
- Escorraçar do solo pátrio os abutres que vão esvoaçando procurando apoderar-se de uma valiosa herança de muitas gerações de Portugueses;
- Perservar toda a dignidade, grandeza e honra de uma Nação quase milenar, barrando os passos agressores que nos chegam do exterior, instigados e armados por potências estrangeiras. batendo-se as nossas Forças Armadas nas províncias africanas de Portugal com a mesma legitimidade com que um dia o fizeram em Ourique, na luta contra os Mouros, em Aljubarrota, contra os Castelhanos ou no Buçaco, contra os Franceses... tal como já o haviam feito na expulsão dos Holandeses de Angola.
----* Os Militares Portugueses defenderam uma Pátria enorme na sua dimensão geográfica, rica na abundância e variedade dos seus enormes recursos, respeitável e respeitada na profunda originalidade da sua maneira de ser e estar no mundo.
----* Em Angola, os 13 anos de guerra defensiva constituem autêntica epopeia, que tem sido escrita com sangue, suor e lágrimas vertidos por Homens das mais diversas ideologias, por Militares e Civis brancos, pretos ou mestiços, vindos da Madeira, dos Açores, do Algarve ou do Minho, de Angola, Guiné ou de Moçambique.
----* A permanência assaz teimosa dos Portugueses no Noroeste de Angola, onde se despediam dos amigos com um simples "até amanhã!", era o cúmulo do optimismo, alicerçado com a temerária marcha do Alferes Robles, com 20 Soldados do seu Pelotão, idos de Luanda a Carmona logo após os massacres de 15 de Março de 1961; com a formidável resposta das populações de Carmona quando do 1º. e único ataque do inimigo; a defesa de pequenas povoações isoladas, como o foi a Damba, o Quitexe, Aldeia Viçosa, Vista Alegre, Úcua ou Samza Pombo; a cena fantástica do épico içar da Bandeira Portuguesa na reconquistada Nambuagongo; o esforço extraordinário e magnífico da Aviação Militar e Civil, na evacuação dos feridos, no abastecimento de véveres às populações e o municiamento das Unidades Militares ali aboletadas, as acções heróicas das arremetidas dos "Comandos", "Páras" ou "Fuzos" Especiais, que em terras de Angola escreveram a ouro páginas inimagináveis de heroicidade, valor e sacrifício da própria vida, pois os melhores de entre eles deram-se em holocausto total da sua vida! Para eles Honra e Glória!
----* Os Portugueses não são gente que goste de se abstraír do seu dever para com os outros. Quando e sempre que necessário, eles dão a resposta que a sua generosidade lhes permite dar, mesmo que isso seja o sacrifício máximo concedido por um ser de excepção: A MORTE!

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