quarta-feira, 24 de outubro de 2007

CAFÉ DO UÍGE... OURO DO UÍGE...

------- Não é fácil não se associar o café ao Uíge, nem o Uíge ao café, tão indeléveis são as marcas deixadas por uma das maiores riquezas algumas vez cultivadas em solo Angolano. Porque os diamantes das Lundas ou o petróleo de Cabinda, sendo igualmente riqueza extraída do ventre da terra, não são o produto de uma plantação que se tenha feito, sujeita às vicissitudes do tempo... que, felizmente, foi sempre bastante favorável à produção desse autêntico tesouro que era produzido nas terras do Norte de Angola.
---------Angola é uma terra com grande diversidade climatérica, pedológica e biológica, sendo que as actividades agrárias são bastante intensas, quer por parte das populações indígenas, que trabalham a terra com as suas formas tradicionais, produzindo uma agricultura de subsistência, mas os colonos vindos do exterior aplicam técnicas completamente diferentes, mais voltadas para o rendimento pecuniário retirado daquilo que as terras lhes dão. Angola tornou-se de tal modo num produtor e exportador com algum relevo, especialmente nos produtos vegetais e animais. Cerca de 80% da população angolana vive da agricultura, estimando-se que a terra arável tenha atingido 5 a 8 milhões de hectares, mas no momento actual estará apenas 3% desta terra a ser cultivada, mercê do êxodo maciço dos portugueses e muitos angolanos, após a independência do país e por via da guerra civil. Alguns produtos do reino vegetal angolano, que traziam riqueza e prestígio comercial a Angola eram o café, as madeiras, o algodão, o sisal e o tabaco, citando só os mais importantes.
---------Durante o período colonial, o café, nomeadamente o "robusta", deu a Angola o 3º. lugar entre os maiores produtores: - Em 1973 foram exportadas 220 mil toneladas, produzidas em cerca de 3.000 plantações, a maior parte localizada nas províncias do Bengo, do Uíge, de Cuanza Norte e Cuanza Sul. Após a independência, a maioria das plantações, abandonadas pelos proprietários quando da eclosão do terrorismo, foram nacionalizadas e distribuídas por 33 empresas nos primeiros anos da década de 80, sem que disso resultassem melhorias na produçã, que foi de menos de 24 mil toneladas , em 1981, e 11 mil em 1984. Desde Julho de 1989, a queda dos preços do café no mercado internacional, com o colapso do sistema de quotas de exportação da Organização Internacional do Café, prejudicou muito a situação: 5 mil toneladas em 1991 e apenas 3 mil em 1993. Os rendimentos do café em Angola, que eram de 164 milhões de dólares no início da década de 80, não atingia os 4 milhões dez anos depois.
----------A mina de ouro negro que era o café de Angola, parece ter esgotado, restando-lhe agora o outro ouro negro saído dos mares de Cabinda... mas isso é outra história.

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