domingo, 2 de setembro de 2007

DINHEIRO DE ANGOLA... - I


- O "dinheiro" é conhecido e usado em Angola desde tempos imemoriais, julgando-se terem sido os Egípcios e (ou) os navegadores Fenícios quem introduziu a primeira "moeda" em África, ao longo da Costa Ocidental. Tratava-se de umas contas de vidro, com lindos desenhos, conhecidas com o nome de AGGRY.
- Os BONGUE, também escrito "Bonge" em alguns documentos Portugueses antigos, do "Quim". "Mbonge" ou "nó de caniço", segundo Virgílio Ferreira, os imbonge (seriam usados na contabilidade tradicional e o termo veio a ser usado em referência ao dinheiro miúdo, também contável), onde o nome do "Paninho" fabricado no Loango, que correu como moeda em Angola, era o "Libongo". Também havia o BÚZIO, concha dos moluscos univalves; específicamente, "Búzio" é a concha dos moluscos da família "Buccinidae" e não a dos da família "Cypreae", a que pertence o "zimbo", o búzio-moeda, ou CAURIM angolano, que teve uso como moeda na Antiguidade indiana - onde era conhecido por "Córi", de onde deriva o nome inglês "Cowrie", sendo a sua cultura feita sobre caules de plantas marinhas de espécies angolanas, que seria um habitat totalmente diferente do habitualmente feito na Índia. Os Holandeses, no Século XVII, quando ocuparam Luanda, não usariam ainda o Caurim africano, pois a "sua" moeda de troca, ao tempo, eram as "Coralinas", umas contas em material não especificado, o que sugere que o zimbo já não era escasso e o "Libongo" corria mais geralmente em Angola.
Em algumas escavações efectuadas em Luanda, apareceram umas contas de feitio irregular, com aparência de serem antiquissimas, que eram exóticos trabalhos de cerâmica corada confeccionados com sucessivas camadas de côres várias sobrepostas. Foram encontradas em túmulos no Continente Europeu e na Índia, supondo-se que eram fabricadas em Veneza e na Índia. Tinham o nome de "Chevron".
Em algumas localidades do Norte de Angola, no Século XVIII, circulavam bocados de ferro e cobre, em forma de "X", grosseira imitação do "10 Reis" em letra Romana... nas antigas moedas de D. Pedro II. No entanto a "Cruzeta" era um objecto idênrtico à banda do tipo "vela de moínho" proneviente do Katanga e da Lunda. Os escritos Portugueses coevos não referem as "Cruzetas" nesta região, mas sim, e abundantes, encontravam-se a "Manilha" ou "Ongondo" O fabrico da "Cruzeta" da bacia do rio Zambeze é bem mais antigo que aquelas moedas Portuguesas trazidas para Angola em 1694, havendo notícia das primeiras "Aspas" em forma de "Velas de moínho", conforme um relatório de D. Álvaro Vaz de Almeida em 1516, que informava ter António Fernandes visto os nativos das terras de Ambar, vizinha da Monomotapa, vender os objectos feitos de cobre proveniente dos rios de Manicongo, na Rodésia.

1 comentário:

Camilo disse...

Atão... e os Kwanza, meu?
coméquéqué?!!!